terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Toda solidariedade à greve dos trabalhadores e trabalhadoras da Cemig



Acompanhamos com grande descontentamento a implementação ao longo dos governos de Aécio Neves e Antonio Anastasia uma política de precarização dos serviços da Cemig. Esses governos incentivaram medidas que trouxeram grandes prejuízos ao desenvolvimento do estado, à sociedade e aos trabalhadores. É uma vergonha para todo o Brasil a média de um trabalhador terceirizado morto em serviço para a Cemig a cada 45 dias.

Assistimos ainda a empresa repassar 100% dos lucros aos acionistas e atingir a incrível marca de 18 mil trabalhadores terceirizados contra 8 mil efetivos. Os governos neoliberais conseguiram a façanha de tornar a diferença entre o menor e o maior salário dentro da empresa, que era de 18 vezes, em 32 vezes, graças à distribuição da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de forma a priorizar os salários mais altos.

Era grande a expectativa dos movimentos sociais, sindicais, populares, estudantis e dos trabalhadores em geral de mudança na gestão da Cemig. O então candidato Fernando Pimentel assumiu o compromisso de colocar fim à terceirização e a rever as políticas da empresa. Porém, o governador assumiu a postura de virar as costas às reivindicações dos trabalhadores e recuou das próprias promessas, transformando nossas expectativas em frustração e indignação.

Por tudo isso, entendemos que a greve dos trabalhadores e trabalhadoras da Cemig, que já ultrapassa 40 dias, é legítima, oportuna e representativa da demanda do conjunto dos movimentos sociais por uma gestão verdadeiramente preocupada com o interesse público.

Nos somamos à categoria dos eletricitários, ao Sindieletro e demais sindicatos na reivindicação por uma política de primarização, com contratação imediata dos aprovados em concurso, além do estabelecimento de um Acordo Específico de Primarização, contra a retirada de direitos, e pelo repasse de 100% do PLR de forma igualitária a todos trabalhadores e trabalhadoras.

Nos somaremos aos eletricitários e eletricitárias nas mobilizações e na difusão da verdade sobre a greve e a Cemig e pedimos o imediato atendimento das reivindicações. Defendemos que a Cemig precisa estar a serviço do povo mineiro.

ASSEPEMGS

Associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas - AMES BH

Barão de Itararé

Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais

Cellos MG

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB

Central Única dos Trabalhadores - CUT

Comitê Igrejas

Comitê Contagem pela Constituinte

Confederação Nacional dos Urbanitários - CNU

Coletiva Flor de Cacto - Uberlândia

Coletivo Carcará - São João Del Rei

Coletivo Henfil de Comunicação

Coletivo Maria Maria - Juiz de Fora

Coletivo Quilombo Minas

Coletivo Retalho de Fulô - Diamantina

Coletivo Terra Roxa - Juiz de Fora

Consulta Popular

DCE UFMG

Federação dos Empregados Rurais Assalariados de Minas Gerais

Federação Estadual dos Metalúrgicos de MG - FEM - CUT

Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil – FIT METAL

Federação Nacional dos Estudantes de Escolas Técnicas - FENET

Federação Nacional dos Trabalhadores Gráficos

Federação Nacional dos Urbanitários - FNU

Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar de Minas Gerais - FETRAF MG

Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC MG

Fórum Político Inter-religioso/BH

Grupo Coexista

Kizomba

Levante Popular da Juventude

Luta Popular e Sindical - LPS

Marcha Mundial das Mulheres

Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos - MTD

Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas - MLB

Movimento de Mulheres Olga Benário

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

Movimento Luta de Classes

Movimento Mundo do Trabalho Contra a Precarização

Movimento pela Soberania Popular Frente a Mineração - MAM

Partido Comunista Revolucionário

Pastorais Sociais

Quem Luta Educa

Rede Nacional de Advogados Populares - RENAP

Rede Nós Amamos Neves

Sindados MG

Sindágua MG

SindMetal Mário Campos

SindRede BH

Sindibel

Sindicato dos Aeroviários de Minas Gerais

Sindicato dos Enfermeiros de MG

Sindicato dos Funcionários na Administração em Jornais e Revistas

Sindicatos dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais

Sindicato dos Metalúrgicos BH Contagem

Sindicato dos Metalúrgicos de JF

Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais

Sindicato dos Radialistas de Minas Gerais

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Araçuaí - SISPUMA

Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de JF

Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Extrema e Região

Sind-Saúde MG

STIMEC

Sindicato dos Trabalhadores nos Correios - Sintect MG

Sindimetro MG

Sindicato dos Refratários MG

Sindicato dos Sociólogos

Sindifes

Sindipetro MG

SindUTE MG

Sinjus MG

Sinpro JF

Sintert MG

Que horas ela volta?


Ontem praticamente o Brasil todo viu o filme "Que horas ela volta?".
Confesso que fiquei pesaroso com o filme e angustiado, mas depois um pouco mais aliviado.

Choveram criticas boas e ruins sobre o filme. Em sua maioria boa, mas com muitos contextos superficiais romantizando muito o filme. As ruins lógico que falando mau( a classe rica) do contexto da empregada doméstica coisa e tal que já sabemos.

Minha leitura já foi para outro lado, por isso de ter ficado pesaroso e em determinados momentos angustiado. A luta e divisão de classes é nítida,
só não vê que não quer ou quem é mau intencionado. O filme também deixa bem claro os avanços sociais a partir de 2003 feitos pelos governos Lula e Dilma que aconteceram no Brasil . Com esses avanços, podemos ver na atual conjuntura o ódio de classes. A classe rica não aceita ver a classe pobre ocupando os mesmos espaços. Vemos isso na cena quando a patroa Barbara fala para Val que sua filha a partir daquele momento não poderia passar da cozinha. Outra cena que relata isso é o momento que Jessica passa na primeira fase do vestibular onde até então era um espaço seleto apenas para a elite. A expressão da patroa com a aprovação da Jessica no vestibular, deixa bem claro o comportamento da elite brasileira.

A cena mais espetacular em minha opinião foi quando Val entra na piscina, um local ate então proibido e que depois ocupado por Jessica e retaliado pela patroa. Val e Jessica se empoderaram e ocuparam espaços antes proibidos para pessoas como elas.
Val é uma nordestina, pobre e trabalhadora que deu duro para conseguir sustentar sua filha Jessica e esta estudou e conseguiu passar no vestibular.
A história de Val é uma história real. E só é possível graças aos avanços sociais dos governos Lula e Dilma. Não tem como negar isso.
A diretora do filme Anna Muylaert deixa bem claro os avanços sociais conquistados "Isso é um fato histórico e não se pode negar", vide vídeo https://www.facebook.com/enioverri/videos/738206536309425/?pnref=story

Em fim, podemos tirar muitos exemplos deste filme. E o legado dos avanços sociais no Brasil. A classe trabalhadora ocupando espaços antes nunca ocupados, seja em uma piscina na casa dos patrões ou em uma universidade, isso ninguém pode negar. Vamos avançar ainda mais.
te cuida elite, pois "se a classe operária tudo produz, a ela tudo pertence" - Karl Marx.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Frente Brasil Popular: balanço e desafios


por Valter Pomar, em seu blog

1. O ano de 2015 está perto de acabar. Que balanço fazemos deste ano? Qual foi o papel da Frente Brasil Popular? Quais desafios nos esperam no ano de 2016?

2. A principal característica de 2015 foi a ofensiva das elites contra os setores populares. Esta ofensiva teve diferentes protagonistas (os setores médios reacionários, o grande capital, os partidos de direita, o oligopólio da mídia, segmentos do aparato de Estado –com destaque para o judiciário, o MP, a PF e as forças armadas) e teve múltiplos alvos (os direitos trabalhistas, os direitos sociais, as liberdades democráticas, as mulheres, os negros, a juventude especialmente da periferia, os movimentos sociais, os partidos de esquerda, a política do governo, o mandato presidencial).

3. A ofensiva das elites não teve um único comando, nem adotou uma única tática. Pelo contrário, desde o início de 2015 as elites estiveram divididas em torno de duas táticas: os que consideravam prioritário o ajuste fiscal recessivo, que teria o efeito colateral de desgastar o governo Dilma e a esquerda, ajudando a criar o ambiente para vitórias das candidaturas da elite em 2016 e 2018; e os que consideravam prioritário criar as condições para interromper imediatamente o mandato da presidenta Dilma, interditar o PT e Lula, com o objetivo de assumir desde já o controle integral do governo federal.

4. Apesar das divergências táticas, a ofensiva das elites foi e segue animada por objetivos estratégicos comuns: realinhar o Brasil aos EUA (afastando-nos dos Brics e da integração latino-americana e caribenha); reduzir o salário e a renda dos setores populares (diminuir as verbas das políticas sociais, alterar a legislação trabalhista, reduzir direitos, não reajustar salários e pensões, provocar desemprego e arrocho); e diminuir o acesso do povo às liberdades democráticas (criminalizar a política, os movimentos sociais e os partidos de esquerda, partidarizar a justiça, ampliar o terrorismo policial-militar especialmente contra os pobres, moradores de periferia e negros, subordinar o Estado laico ao fundamentalismo religioso, agredir os direitos das mulheres, dos setores populares, dos indígenas).

5. Ao longo de 2015, as elites adotaram várias táticas, mas mantiveram sua unidade estratégia. O campo popular, por sua vez, esteve dividido tanto na estratégia quanto na tática, com diferentes leituras da situação política internacional, continental e nacional, diferentes posturas táticas frente a ofensiva das elites e diferentes alternativas estratégicas.

6. Apesar disto, o ano de 2015: a) começou com os “coxinhas” dominando as ruas e terminou com os setores populares dominando as ruas; b) iniciou com Levy na Fazenda e terminou com Levy fora da Fazenda. Ou seja: embora as elites continuem com a iniciativa política, embora os embates e os perigos continuem intensos, ainda assim em 2015 a véspera do Natal está sendo melhor do que o Dia de Reis. Ao que se deve isto?

7. Nada possui uma única explicação. Assim, o ano termina melhor do que começou por diversos motivos. Mas dentre estes motivos, há dois muito evidentes: no mês de dezembro de 2015, as elites viveram um momento de forte divisão, ao mesmo tempo que o campo popular unificou sua ação.

8. A divisão das elites ocorreu quando o (neste momento ainda) presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, para proteger seus interesses pessoais, deflagrou o processo de impeachment, recorrendo às já conhecidas “manobras” regimentais, tanto ao compor a comissão que analisaria o pedido de impedimento, quanto no Conselho de Ética da Câmara. Embora parte das elites tenha apoiado a iniciativa, o processo de impeachment nasceu sob o estigma do golpe animado por objetivos criminosos. Como disse editorial de um importante jornal das elites: Cunha tornou-se “disfuncional”. Como resultado, as manifestações de 13 de dezembro de 2015 foram um fracasso de público e de crítica.

9. O início do processo de impeachment, marcado pelas características criminosas já descritas, colocou os setores populares diante de uma disjuntiva: unidade na ação ou derrota sem pena. É verdade que alguns setores minoritários (não apenas na oposição de esquerda, mas também nos partidos, bancadas e governo) “torceram o nariz” para a construção da unidade. Mas a imensa maioria dos setores progressistas, democráticos e de esquerda iniciou um processo em grande medida espontâneo de unificação, que ficou visível no caráter plural e massivo das manifestações de 16 de dezembro de 2015.

10. As manifestações de 16 de dezembro foram convocadas unitariamente, em torno das consignas “Contra o golpe, em defesa da democracia!”, “Fora Cunha!” e “Por uma nova política econômica!”. Não em torno de uma única palavra de ordem, mas em torno das três, deixando a cada setor envolvido a liberdade de estabelecer as hierarquias e as vinculações entre cada um dos aspectos.

11. Logo após as manifestações, a presidenta Dilma recebeu a Frente Brasil Popular; o Supremo Tribunal Federal derrotou os aspectos mais aberrantes dos procedimentos adotados por Eduardo Cunha; e o ministro da Fazenda Joaquim Levy deixou o governo. Medidas que não resultam do sucesso da mobilização de 16 de dezembro, mas que vistas de conjunto resultam num saldo positivo para os setores populares, ao término de um ano marcado pela ofensiva das elites.

12. Qual foi o papel da Frente Brasil Popular neste processo? Sem prejuízo de um balanço mais detalhado, e ao mesmo tempo tomando cuidado para não estimular uma disputa de protagonismos que apenas prejudica a unidade, consideramos que a Frente Brasil Popular, assim como cada uma das organizações e militantes que a integram, contribuímos muito para o processo anteriormente descrito. Especialmente porque desde o início apostamos na unidade, apostamos na mobilização social, apostamos na combinação das palavras de ordem, e foi este o caminho que nos levou ao resultado atual.

13. Entretanto, a Frente Brasil Popular não quer ter um grande passado pela frente. Nossos desafios maiores estão no futuro: a defesa dos direitos, a defesa da democracia, a defesa da soberania nacional, a luta pelas reformas estruturais e a defesa da integração latino-americana. E o ano de 2016 será, como 2015, de grandes enfrentamentos entre as elites e os setores populares.

14. A luta contra o golpismo continua. Não basta retirar Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Por um lado, ele precisa sair de lá em direção à cadeia. Em segundo lugar, as elites vão tentar eleger para seu lugar alguém mais “funcional” e certamente um setor importante buscará dar prosseguimento ao processo de impeachment. Ademais, a importância assumida pelo STF e o papel que o Supremo atribuiu ao Senado constituem uma “faca de dois gumes”, até porque o centro da questão é que não se pode retirar do povo o direito de eleger a presidência da República.

15. A luta por outra política econômica continua. Não basta substituir o ministro da Fazenda. É preciso adotar medidas imediatas e de médio prazo, que interrompam o ajuste fiscal recessivo, que recomponham as políticas e os direitos sociais e trabalhistas, que estimulem o emprego e o desenvolvimento. Medidas que passam por libertar nossa economia e nossa sociedade da ditadura do capital financeiro. Se o governo insistir numa política econômica que provoca, direta ou indiretamente, desemprego, recessão e desassistência, tornar-se-á muito mais difícil derrotar a ofensiva das elites.

16. A luta por reformas estruturais continua. Sem reformas estruturais, as elites continuarão dispondo dos meios para sabotar, deter e tentar reverter os processos de mudança em nosso país. Sem reformas estruturais, a maioria do povo brasileiro continuará sem usufruir as riquezas que produz. Sem reformas estruturais, nosso desenvolvimento continuará conservador, dependente e aquém das potencialidades e necessidades do país.

17. A luta pela integração regional continua. O avanço das elites, em países como Argentina e Venezuela, amplia a importância do Brasil continuar firme na defesa dos processos de integração sul-latino-americanos e caribenhos, com destaque para o Mercosul, a Unasul e a Celac.

18. A luta pela construção da Frente Brasil Popular continua. É preciso lançar a FBP em todos os estados do Brasil, em todas as cidades brasileiras. Estimular as instâncias da FBP a terem um funcionamento regular, capaz de oferecer um espaço de debate político acolhedor principalmente para as centenas de milhares de militantes que ainda não fazem parte, nem pretendem necessariamente fazer, de nenhuma organização partidária, popular, sindical ou de juventude. Investir energias na constituição de espaços unitários de comunicação, construídos a partir da cooperação entre os instrumentos já existentes. E continuar apostando na unidade de ação junto com outros setores e frentes. E discutir como tratar, no âmbito da Frente, das eleições 2016.

19. Não devemos descartar que no período de festas de 2015, a direita promova ações espetaculares, por exemplo no âmbito da chamada Lava-Jato. Entretanto,sem baixar a guarda e sem deitar sobre os louros, podemos afirmar que travamos o bom combate e tivemos êxito porque ficamos do lado certo e adotamos a política correta. Buscaremos fazer o mesmo em 2016.

Boas festas e um ano novo de muitas lutas e vitórias para a classe trabalhadora!!!

FONTE: http://valterpomar.blogspot.com.br/2015/12/frente-brasil-popular-balanco-e-desafios.html?m=1=

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A política do ódio e o conflito de classes


Ontem o compositor e cantor Chico Buarque foi abordado por um grupo de jovens ao sair de um restaurante no RJ.
Estes jovens ricos e bem vestidos, claro. No grupo de jovens estavam o filho do empresário Alvaro Garnero, amigo de Aécio Neves e do ex jogador Ronaldo, lógico. Só camisa 10 ai hein.
Houve discussão entre todos “Petista, vá morar em Paris. O PT é bandido”, disse um desses jovens. Chico rebateu os jovens “Eu acho que o PSDB é bandido” e ainda falou que eles eram influenciados pela mídia.
Chico com toda sua elegância não mudou seu tom de voz e não deu muita trela para esses leitinhos com pêra e ovo-maltine.

Ta esse caso foi ontem, mas vale lembra aqui de outros casos que aconteceram só em 2015. Em São Paulo o Prefeito Fernando Haddad e o ex senador Eduardo Suplicy passaram por situações parecidas, em Belo Horizonte aconteceu com o Ministro do desenvolvimento agrário Patrus Ananias.
Instituto Lula em São Paulo e outras dezenas que sá centenas de fatos igualmente só em 2015.

Vira e meche podemos ver nas redes sociais "vai pra Cuba" (eu sempre falo quero e aproveita e paga minha passagem rsrsrs), "bandido bom é bandido morte", "ta com pena, leva pra sua casa", fora comunista, bla bla bla

Bem o que a direita golpista quer é isso, implantar o ódio pelo PT e as transformações sociais que aconteceram no Brasil desde o primeiro governo Lula.A pauta para essa galera é quanto pior pro Brasil melhor para essa direita golpista. Criando assim uma instabilidade política que afeta a economia.

A atual conjuntura deixa bem claro a luta de classes. A elite não suporta os ganhos que a classe trabalhadora teve nesses últimos 13 anos e através de um oligopólio midiático (Rede Globo, Veja, Folha, etc) instiga a classe trabalhadora se voltar contra ela mesma e contra um governo que deu condições de avanços sociais para essa mesma classe trabalhadora.

Mas nem tudo esta perdido, o que precisa ser feito é uma consciência critica da sociedade, não é fácil, muito pelo contrário é muito difícil, mas precisa ser feito e o papel dos movimentos sociais e partidos de esquerda vão ser fundamentais nesse processo. Mais fundamental ainda vai ser o papel do governo onde já passou da hora da regulamentação da mídia.

O caminho é árduo, mas precisamos caminha e avançar.

“Os olhos que só enxergam a mentira quando percebem a verdade, cegam.” ―Karl Marx

2015 vai acabar com Dilma fica e Cunha sai.


Depois das eleições presidenciais de 2014 onde Dilma vence Aécio Neves, até o momento aconteceu muita coisa. Não vou entrar nas explicações do que aconteceu pois todo mundo já sabe.

Esse ano de 2015 entrou para a História como um dos mais conturbados no Brasil (pelo menos que eu saiba). Vimos uma ofensiva de uma direita beirando o fascismo, um levante reacionário, racista, machista, homofóbico de uma grande parcela da sociedade que até então não se manifestavam de forma veementemente.

Esse fim de ano fica marcado por sucessivas derrotas dessa galera golpista, tendo como o maior exemplo o famigerado Eduardo Cunha e suas seguidas derrotas no conselho de ética da Câmara dos Deputados e a intervenção do STF na tentativa de golpe apelidado como Impeachment. Ainda por incrível que pareça um tucano e do alto escalão sendo condenado por corrupção, o Eduardo Azeredo no caso do mensalão tucano mineiro, quando o mesmo era governador de MG.
Dilma soube segurar a porrada em 2015 e agora chamou seus opositores para a briga. Quero ver se essa galera golpista vai aguentar a nossa Presidenta guerrilheira. Sua popularidade vem aumentando(devagar), finalmente ela está começando a governar. Parece que o jogo esta virando hein parça.

2016 vem com muita esperança e com a perspectiva de uma guinada para a esquerda do governo Dilma, sendo pautada pelos movimentos sociais.
Queremos a Dilma que elegemos, da campanha eleitoral de 2014, Cunha fora da presidência da Câmara dos deputados e preso.
E fica aqui um recadinho pro Aécio Neves fica ai na sua fera aceita a derrota, 2018 tenta de novo.
#NÃoVaiTerGolpe
#DilmaFica
#CunhaSai

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Greve histórica dos petroleiros em plena ditadura completa 30 anos


Movimento contrariou a repressão militar e colaborou para a criação da Central Única dos Trabalhadores

Neste mês de julho o movimento sindical brasileiro e os petroleiros, em especial, comemoram 30 anos de um importante movimento paredista, que ficou conhecido como a greve de 1983. Em plena ditadura militar, centenas de petroleiros cruzaram os braços para lutar contra o arrocho salarial, a manipulação do INPC, o Decreto-Lei 2.036 e contra o acordo com o FMI.
Apesar de toda a repressão policial, os petroleiros da REPLAN e da RLAM decidiram paralisar as atividades. O resultado foi a intervenção do governo no Sindicato dos Petroleiros da Bahia e demissões de centenas de trabalhadores. Em Paulínia, foram demitidos 153, em Mataripe, 205.
A greve dos Petroleiros, em 1983, tem uma grande importância histórica e contribuiu de forma decisiva para a realização da primeira greve geral durante a ditadura militar, com enfrentamento da famigerada Lei de Segurança Nacional. Neste mesmo ano, em 28 de agosto, nascia a Central Única dos Trabalhadores, a CUT, e com ela o chamado “novo sindicalismo”, a partir da retomada do processo de uma maior mobilização da classe trabalhadora.
Trinta anos depois, todos os petroleiros que foram perseguidos e perderam seus empregos no confronto político com os militares foram anistiados. Na Bahia, 150 obtiveram a anistia com reparação, mas outros 55 ainda lutam e aguardam decisão para que seja feita a justiça de forma completa, com a obtenção também da reparação.

Comemorações
Para relembrar e saudar esse fato fundamental para a organização sindical dos petroleiros, os Sindipetros Bahia e Unificado-SP realizarm diversas atividades ao longo desse mês de julho. Em Campinas, será realizado neste sábado, 06, um ato político, que contará com a participação de toda a direção da FUP e diversas representações sindicais. O ato começa às 09 horas, na Regional Campinas do Sindipetro Unificado-SP. Na Bahia, o Sindipetro está produzindo um vídeo, ouvindo em entrevistas os dirigentes demitidos, cassados e depois anistiados.

SPIS: “Nem podíamos ir para casa”
Por Alessandra Campos, do Sindipetro Unificado-SP
Garantir que não haveria demissões foi um dos principais motivos que desencadearam a greve dos petroleiros em 1983, segundo conta Antonio Carlos Spis, que começou a trabalhar na Replan em 1º de junho de 1973 como auxiliar de escritório no setor de Pessoal. Num momento em que os militares amordaçavam os sindicatos e tentavam reprimir as mobilizações, os petroleiros decidiram enfrentar a ditadura e, com coragem e determinação, partiram para a greve.
O estopim foi uma carta de intenção do governo para o FMI que indicava redução de custeio de empresas, bancos e serviços públicos. A ditadura brasileira, que começou em 64, assinava cartas de intenção com o Fundo Monetário para receber aporte financeiro e nesses documentos eram determinadas condicionantes. “Traduzimos a carta para a seguinte frase: vai ter demissão! E imediatamente começamos a mobilizar a base contra essa intenção do governo”, lembra Spis. Segundo o sindicalista, não havia diálogo com a Petrobrás e a greve era, naquele momento, a única forma encontrada pelos petroleiros para serem ouvidos. “O presidente da Petrobrás na época, que se chamava Shigeaki Ueki, nunca recebeu o sindicato e o governo nunca deu um passo sequer pra demonstrar que queria conversa com a gente. Ambos, simplesmente, ignoravam nossas reivindicações. Não nos restou alternativa”, comentou Spis. A insatisfação da categoria era tão grande que a primeira assembleia para discutir a greve reuniu cerca de 450 trabalhadores e todos foram favoráveis à mobilização. “Em um momento de tensão, de ditadura, em que as pessoas tinham medo de falar, os trabalhadores não se intimidaram e demonstraram que queriam greve”, recorda-se Spis.
A segunda assembleia, de acordo com ele, foi decisiva para a realização da greve. Cerca de 600 petroleiros votaram a favor da paralisação. “Decidimos iniciar a mobilização política em julho, fora da data base que é setembro, afinal de contas era uma greve de cunho político contra a ditadura”, afirma o petroleiro.
Foi nos dias de preparação da greve que Spis conheceu o ex-presidente do Brasil Lula, que na época era um grande líder sindical no país. “Eu estava pintando faixa no chão, chamando a greve, e o Lula chegou e me falou: ‘Isso aí dá três anos de cadeia’. Eu nem sabia quem era ele”, conta, rindo, o sindicalista.
Na época, os petroleiros receberam apoio de muitos sindicatos, inclusive do dos bancários e metalúrgicos do ABC, do qual Lula era líder. Segundo Spis, os petroleiros eram vistos como uma categoria elitizada e o fato de realizarem uma greve surpreendeu a todos. “Foi uma surpresa que uma categoria estruturada, com bons salários, pudesse se rebelar. Havia uma máxima de que funcionário da Petrobrás não podia entrar em greve, já que era uma indústria especializada e com altos salários. Desconstruímos toda essa história com nossa coragem de enfrentar a ditadura”, declarou.
A greve, lembra Spis, começou às 23h30 do dia 5 de junho. “Adiantamos o início da mobilização. Foi uma forma de surpreender. Articulamos esse golpe contra a polícia do Exército e os vigilantes da empresa, já que todos imaginavam que a greve começaria no turno da manhã seguinte”, conta.
Durante os dias da paralisação, os grevistas se concentraram em diferentes locais. “Não podíamos ir para casa por causa da pressão da polícia, dos vigilantes e da própria família. Então, concentrávamos todo mundo primeiro no sindicato, depois em um local no Centro da cidade (teatro de arena) e, por fim, no ginásio do Taquaral. Para dar mais proteção e estrutura ao grevista, dormíamos nesses lugares”, recorda Spis.
Cada dia da greve era uma aventura, de acordo com o sindicalista, principalmente por causa da pressão que existia na época. “Havia policiais no nosso encalço. Mandavam pessoas atrás da gente o tempo todo. Soltavam pela imprensa que estava todo mundo demitido. Era tudo muito difícil”.
Ele lembra de um fato curioso. “Nossas mobilizações eram animadas pelo companheiro Gilberto Coelho Marques de Abreu, que sempre cantava a música do Gonzaguinha ‘Desesperar Jamais’. Em uma das ocasiões apareceu um sujeito que tocava violão e começou a animar nossa festa todo final de tarde. Achávamos que ele era um trabalhador, mas, na verdade, era da polícia federal e se infiltrou no nosso grupo para nos delatar”.
Os grevistas resistiram sete dias à repressão, mas não conseguiram o que queriam. “Tentamos encontrar todos os caminhos para negociação, até que não teve mais jeito. Não tínhamos mais o que fazer. Não tínhamos mais alternativa de negociação, nem canais políticos. A ditadura se fechou em copas e nos mandou o recado ‘ninguém negocia’. Queríamos apenas que houvesse um posicionamento do governo ditador do Figueiredo de que não haveria demissão de pessoal, mas não conseguimos e voltamos ao trabalho”.

FONTE: http://www.cut.org.br/

segunda-feira, 24 de junho de 2013

“Transporte coletivo gratuito é tão viável quanto o SUS”



O engenheiro Lúcio Gregori, secretário de Transportes na cidade de São Paulo no governo Luíza Erundina (1989 a 1992), argumenta que a política tributária no Brasil impede a aplicação da gratuidade no transporte coletivo, tão viável quanto o SUS (Sistema Único de Saúde), escolas públicas e coleta de lixo.


A entrevista é de Angela de Paula e publicada pelo jornal ABCD Maior, 15-06-2013
Gregori avalia que uma das formas de se pressionar por um transporte mais barato é fazer justamente o que os jovens paulistanos estão fazendo: ocupar as ruas e cobrar a redução da tarifa. Em sua opinião, transporte não é uma questão técnica, mas um debate em que está colocada a disputa pelos recursos públicos.
Eis a entrevista.
Como o sr. avalia o modelo atual de transporte coletivo no Brasil, em especial da região metropolitana de São Paulo?
Avalio como sendo tradicional, e uma tradição ruim, que é a de transformar o transporte coletivo numa atividade econômica atraente para o setor privado e que acaba sendo prejudicial para as pessoas que usam o transporte e para a cidade como um todo. Três fatores contribuem para isso: o primeiro é o sistema de concessão de serviço público por tempo muito prolongado, podendo chegar a 25 anos, o que vai contra a dinâmica das cidades e causa contradições de interesses futuramente. O segundo é o modelo de vincular o transporte coletivo ao pagamento da tarifa e tratá-lo como um negócio qualquer, sendo que é um serviço de utilidade pública. O terceiro ponto é a priorização do transporte individual motorizado. O resultado é um transporte coletivo ruim e caro, e o grande sonho de todos é ter um carro para se libertar, levando a congestionamentos, estresse, poluição e mal funcionamento das cidades como um todo. O cidadão tem o direito de ir e vir, mas não tem como exercê-lo, sendo sonegado o acesso da população a vários serviços básicos, culturais, enfim.
Uma das principais queixas é o alto valor das tarifas. Uma decisão do governo federal reduziu a zero da alíquota do PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), mas as passagens no ABC paulista, por exemplo, só caíram R$ 0,10, o que é considerado ainda pouco pelos usuários. É possível fazer mais?
Em geral, a desoneração de impostos é uma “solução meia-boca”. Porque vai diminuir o dinheiro que seria destinado para previdência e seguridade. Esses valores terão de vir de algum lugar e haverá alguma dificuldade mais adiante. Outra questão é que não dá para eliminar grandes valores porque senão quebra as empresas de transporte, resultando em reduções pífias. Para quem usa o transporte todos os dias, R$ 0,10 é uma diferença mínima.
O modelo ideal seria de tarifa zero?
O que existe é uma crise financeira no Estado brasileiro, no sentido amplo (federal, estadual, municipal). O Brasil não tem dinheiro para o que precisa fazer e ao mesmo tempo tem impostos altíssimos. Tem algo errado aí. O que existe são impostos mal resolvidos, paga mais quem ganha menos e paga menos quem ganha mais, uma coisa muito extravagante. Como resultado, o governo não tem dinheiro para subsidiar as tarifas do transporte e, no limite, implementar a tarifa zero. É uma discussão que não se limita ao setor de transportes, mas inclui a política tributária no país como um todo.
Isso é agravado pela pressão das empresas de transporte, que não têm interesse na redução das tarifas?
Olhando de forma fria, para um empresário tanto faz quanto é cobrado do usuário, desde que o contrato separe o custo do serviço do preço da tarifa. Uma das coisas complicadas da maioria das concessões é que a tarifa responde pelo equilíbrio econômico e financeiro do contrato. Então, o empresário tem interesse que a tarifa seja a mais alta possível. Outra discussão é a planilha de custos que vai determinar o preço que será cobrado.
Como funcionaria a tarifa zero?
Em 1990, quando era secretário de Transportes da prefeita Luiza Erundina, nós transformamos a proposta em um projeto. Fazia-se uma reforma tributária do município de São Paulo para ter recursos para bancar a tarifa zero. Era, sobretudo, uma reforma sobre impostos municipais como ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis), IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) e assim por diante. No projeto de lei do orçamento da prefeitura constituía-se um Fundo Municipal de Transporte e o dinheiro arrecadado bancava inteiramente a tarifa de ônibus, que não seria mais cobrada do usuário, mas paga indiretamente pelo conjunto dos impostos, como é a coleta de lixo, a segurança, saúde e educação públicas. O projeto foi para a Câmara, que não votou.
Por que não foi votado?
Se a tarifa zero tivesse dado certo, a Luíza Erundina seria a rainha do Brasil… Não foi votado por uma disputa política e mexia com interesses de pessoas que pagavam impostos relativamente baixos e passariam a pagar o imposto realmente necessário. Ninguém queria mexer neste vespeiro. O projeto foi arquivado, mas houve consequências. Ao negar-se a votar, a Câmara foi corresponsável por um estado calamitoso do transporte em São Paulo na época. Como os contratos de concessão estavam todos vencidos, negociamos com os vereadores durante meses e transformamos concessões em sistema de contratação de frota, equivalente a fretar os ônibus dos empresários. A partir daí, eles não teriam relação com o valor da tarifa. A lógica foi de que, com a frota vinculada às tarifas, menos ônibus e mais lotação, era mais interessante aos empresários que poucos veículos circulassem. O que fizemos foi a inversão, já que quanto mais ônibus fretados, mais dinheiro o empresário teria. Com isso, aumentamos a frota de 7.600 ônibus em 1991 para 9.600 veículos no ano seguinte.
Como a sociedade pode pressionar por um transporte mais barato – ou mesmo gratuito – e de qualidade?
Aquilo que vários movimentos estão fazendo na Capital: indo para a rua e pressionando o governo. Uma das características da democracia é disputar o dinheiro do Estado. Como a população pode reivindicar? Tem que se manifestar, com muita legitimidade. Às vezes quebram-se vidros, mas é algo natural em protesto, mas é importante salientar que a violência não parte só dos manifestantes, mas também da polícia. É preciso transformar a questão do transporte, que frequentemente é tida como um problema técnico, e colocar a discussão onde ela está, na disputa pelos recursos. Para termos um transporte mais barato, de mais qualidade e, no limite, pago indiretamente pelos impostos recolhidos.