sábado, 26 de novembro de 2011

A QUESTÃO NÃO É A MACONHA


-A universidade e a polícia que não queremos
Em meio a ocupações de prédios públicos, protestos, violência policial e distorções midiáticas, os debates sobre o convênio entre a USP e a Polícia Militar acabam esvaziados e deixam de lado aspectos estruturais essenciais
No dia 8 de novembro a Polícia Militar entrou no campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP) com o objetivo de cumprir o mandado de reintegração de posse do prédio da reitoria que havia sido invadido por um grupo de estudantes, os quais protestavam contra a presença da PM no campus. A abordagem policial a três estudantes com um cigarro de maconha alguns dias antes foi mero estopim para os protestos e, infelizmente, acabou por ocasionar julgamentos rasos que tomaram como representativa de todo o movimento estudantil a ação de alguns grupos; ou que consideraram que os questionamentos à PM seriam fruto de um anseio pelo livre consumo de drogas dentro do campus.
No entanto, muito antes da onda de protestos que tem sido noticiada, estudantes, funcionários e professores já questionavam se o convênio entre USP e PM, firmado em setembro após a morte de um estudante dentro do campus, seria a real e mais efetiva solução para os problemas de segurança da USP. E mais, muito antes de tudo isso ser notícia e da triste morte do aluno, já se queixavam sobre o tratamento dado à questão da segurança na USP e no Brasil. No caso da universidade, reivindicavam um aumento do efetivo da Guarda Universitária, melhor iluminação, maior circulação de ônibus noturnos e, dentre outras ações, maior utilização dos ermos espaços do campus pela comunidade.
Mas em meio a numerosas e distorcidas notícias, em uma sociedade permanentemente tensionada, os debates sobre o convênio entre a USP e a PM se esvaziaram; e questionamentos relativos a estrutura de ambas as instituições foram sobrepostos por insuficientes e estigmatizadas análises circunstanciais.

-ALÉM DOS “IDEOLÓGICOS”
Concomitantemente à ação de reintegração de posse do prédio da reitoria no começo de novembro, o efetivo da PM cercou todos os oito blocos do Conjunto Residencial da USP (Crusp), localizado próximo à reitoria, mas sem nenhuma ligação ao objetivo do mandado. A ação foi notícia em alguns meios de comunicação, mas não teve a mesma publicidade que outros eventos relativos ao tema.Além de impedir, com esse cerco, que moradores saíssem para suas atividades acadêmicas e profissionais, a polícia disparava balas de borracha em direção ao chão quando alguém se aproximava do perímetro estabelecido. Mais do que isso, bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas nos andares térreos – os quais são residência prioritária para moradores com filhos – em quantidade suficiente para que a fumaça ascendesse aos pisos superiores.
Atesta-se o quão problemáticos são o preparo e a prática dessa polícia que acabou por violar direitos fundamentais dos moradores do Crusp, cerceando sua liberdade de ir e vir e atentando contra a saúde dos mesmos ao lançar tantas bombas de gás lacrimogêneo. Optaram por se valer de balas de borracha quando dentro da universidade. Fora da USP, no entanto, num bairro pobre ou favela, não podemos estar certos que apenas ostentariam o pesado armamento que dispõem.
E não podemos mesmo. Relatórios da Ouvidoria da própria Polícia de São Paulo apontam que mais de uma pessoa foi morta por dia em São Paulo por um policial militar entre 2005 e 2009, o que corresponde a um número de mortes 6,3% superior às cometidas por todas as polícias dos Estados Unidos juntas. As estatísticas são inúmeras e só atestam que a estrutura e a cultura organizacional da PM – as quais remontam ao regime militar – sustentam e cultivam ações violentas por parte de seus agentes, que, mal remunerados, são treinados a desumanisarem a si mesmos e àqueles com quem interagem em suas missões.
O questionamento, dentro e fora da USP, à instituição e à atuação da Polícia Militar não se restringe e nem se restringirá, portanto, aos “ideológicos” – como tem afirmado o reitor da USP, João Grandino Rodas. O compromisso real com os direitos humanos é imperativo e, no caso dos agentes de Estado, é fundamental. Na imprensa e na universidade muito se discute e se estuda sobre o tema. Nos cursos de Direito e Relações Internacionais, especialmente, essa pauta é recorrente. Quando há alguma violação em um país distante, não há grandes dificuldades para fazer uma crítica a qualquer abuso de autoridade. Por que, então, é tão difícil fazer uma crítica semelhante quando essas violações ocorrem no quintal de nossas salas de aula? Por que os grandes meios de comunicação e dirigentes da universidade omitem ou relativizam os acontecimentos?
A despeito das reflexões até aqui desenvolvidas e tantas outras questões relevantes, pouco se fala sobre a atuação da PM. O argumento central na defesa do convênio entre esta e a USP é o de que não se pode tratar a Cidade Universitária como algo que está fora da cidade de São Paulo. Esse argumento é compartilhado pelo Governo do Estado de São Paulo e a própria reitoria; afinal, a USP faz parte do território paulistano, paulista e brasileiro. Mesmo sendo uma autarquia, a universidade e seus estudantes não estão “acima da lei” – como pontua o governador Geraldo Alckmin.

-AUTONOMIA SELETIVA
Se a Cidade Universitária está sujeita a todas as leis municipais, estaduais e nacionais e deve ser tratada como qualquer outra parte do território, por que ela se fecha – material e intelectualmente – ao resto da sociedade? A mesma reitoria que agora afirma a não soberania da USP teve o poder, há alguns anos, de vetar a construção de duas estações do metrô, que no projeto inicial da Linha 4-Amarela estariam em localidades de interesse público, como em proximidade ao Hospital Universitário localizado no interior do campus Butantã da USP.
A USP virou uma terra de autonomia seletiva. Na hora em que convém a determinados interesses, há sim bastante autonomia para afastar a “gente diferenciada” que viria de metrô para dentro dos muros da universidade. Mas na hora em que não interessa, a autonomia some e “o campus é parte da cidade”. O discurso da segurança serve ora para defender o segregacionismo, ora para defender a integração, mesmo em casos que evidentemente contrariam o interesse público e a função social da universidade.
Seria realmente desejável que os que defendem a integração da Cidade Universitária através do convênio com a PM fizessem-no em tudo mais. Isso porque o campus da USP não deixará de ser uma “ilha” por causa de um convênio com a polícia. Deixará de sê-lo no dia em que não for hostil aos que não possuem carteirinha de identificação de aluno, funcionário ou professor. Deixará de sê-lo quando o Jardim São Remo, comunidade pobre localizada ao lado da USP, deixar de ser visto como antro de criminalidade ou fonte de mão de obra para os serviços terceirizados da universidade; e seus moradores passarem a ter seu direito sobre aquele espaço reconhecido, assim como qualquer outro cidadão, e possam interagir com a universidade de maneira franca e ser, inclusive, parte da USP. Afinal, o sentido da autonomia é justamente possibilitar que a universidade se afirme enquanto bem público de maneira independente às intempéries estatais.
A USP deixará de ser uma “ilha”, acima de tudo, quando o conhecimento lá produzido não atender apenas às demandas do capital privado – o que é legítimo, mas de modo algum suficiente. O papel da universidade deve superar o ensino e a pesquisa, uma exigência estatutária da própria USP, que se sustentaria sobre o tripé ensino, pesquisa e extensão. Sendo esta última sustentáculo compreendido como o diálogo horizontal entre o conhecimento universitário e o restante da sociedade e seus saberes, é no mínimo contraditório impedir intercâmbios físicos e intelectuais, ainda mais com comunidades tão próximas como a já mencionada São Remo.
Mais do que uma questão de espaço e jurisdição, está em debate, portanto, o caráter público da USP. É preciso desvincular as discussões recentes de casos pontuais e associá-las a algo muito maior. No limite, as principais discussões não devem ser o convênio entre USP e PM em si, mas a maneira como este se deu e como são tomadas todas as decisões relevantes da política universitária, dentre as quais este convênio é só mais uma; e a maneira como a PM se estrutura e atua em todo país.

-“ESTRUTURAS NON GRATAS”
Recentemente, a Congregação da Faculdade de Direito da USP declarou o reitor João Grandino Rodas “persona non grata”, em face dos problemas incontestáveis de suas gestões enquanto diretor da Faculdade de Direito e agora como reitor. Este é, sem dúvida, um passo importante, mas é fundamental entendermos que o reitor que está sob investigação do Ministério Público encontrou na estrutura da própria universidade as possibilidades para assim atuar. Mais do que uma “persona non grata”, há na USP toda uma “estrutura non grata”.
Ao contrário do que afirma a reitoria, o convênio USP-PM não foi decidido por uma “ampla maioria”, simplesmente porque nenhuma decisão importante na USP é tomada de maneira democrática. Novamente reina a autonomia seletiva: a universidade não está acima da lei quando se trata de polícia, mas segue desrespeitando determinações de leis federais, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no que tange aos seus processos deliberativos. Não à toa, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital instaurou, neste ano, um processo para apurar irregularidades na eleição da reitoria e na disposição dos assentos dos docentes em órgãos colegiados constituintes do colégio eleitoral.
Para se ter uma idéia, a eleição para reitor na USP, em sua etapa mais ampla (ou menos restritiva), possui um colégio eleitoral que corresponde a menos de 2% da comunidade universitária, que elege uma lista com oito candidatos. Na etapa seguinte, dessa vez com cerca de apenas 0,3% da comunidade da USP, essa lista é reduzida a três nomes, que são encaminhados ao Governador do Estado de São Paulo, o qual escolhe entre eles o novo reitor. Fica a pergunta: onde está a autonomia e democracia nesse processo? As instituições USP e PM parecem precisar de “aulas de democracia”. É curioso que o Governador do Estado de São Paulo tenha recomendado tais aulas somente aos estudantes da universidade.
Não é à toa que juntamente ao questionamento à Polícia Militar, está entre as pautas do movimento estudantil a demanda por mais democracia na estrutura da própria universidade. Isso porque a estrutura decisória na qual o convênio de segurança foi firmado já é em si problemática. O acordo foi aprovado pelo Conselho Gestor do Campus da Capital, órgão ainda mais restrito do que o Conselho Universitário – principal órgão deliberativo da USP e pelo qual o convênio nunca passou – e cuja representatividade de alunos, funcionários e até mesmo dos professores que não ocupem cargos burocráticos de destaque é ínfima. Além disso, debater a estrutura decisória da USP se mostra fundamental em outras questões, como no caso dos processos administrativos contra os estudantes, que através de regimento disciplinar de 1972, são instituídos e usados como forma de repressão e controle político.
Advêm do mesmo problemático engenho institucional as iniciativas que ilham o ensino e a pesquisa desenvolvidos dentro da USP, na qual os cursos pagos e os convênios com grandes empresas são as únicas formas de diálogo com a sociedade. Será que nenhum dos tantos núcleos de pesquisa e extensão da USP ou mesmo estudantes, professores e funcionários – que direta ou indiretamente debatem a questão da segurança, criminalidade e organização do espaço, não produziram nenhum material útil à problemática do convênio? Ou será que sequer foram considerados na aprovação do mesmo? Não fosse seu aparato institucional-burocrático tão antidemocrático e arcaico, a USP talvez estivesse mais permeável à sociedade como um todo e a si mesma; e quem sabe se configuraria, inclusive, como espaço de proposição de novas práticas para o factual problema da segurança.
Enquanto a “maior universidade da América Latina” apresentar dispositivos regimentais do período da ditadura militar e estiver isolada da sociedade física e intelectualmente; e a Polícia Militar paulista ostentar em seu brasão uma estrela referente a “Revolução de Março de 1964”,[8]o debate não poderá se restringir a elementos conjunturais. Não se trata de três estudantes e um cigarro de maconha. Não se trata de um movimento de ideológicos. Tampouco essa é uma questão nova. Se agora o tema está em todos os jornais, caberia aproveitar a oportunidade para ampliar o debate, pois segurança, isso é consenso, todos queremos. É chegado o momento de reconhecer que ambas, USP e PM, apresentam “estruturas non gratas” que devem ser debatidas e, no mínimo, modificadas. Certamente, não é essa a universidade e nem essa a polícia que queremos.

POR: Leonardo Calderoni e Pedro Charbel-Estudantes de Relações Internacionais da USP.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A ditadura e seus fósseis vivos na USP de 2011


A Memória recobra sua história. A Ditadura e seus fósseis vivos. Uma análise dos acontecimentos na USP em 2011.
O contexto vivido atualmente na Universidade de São Paulo no qual estudantes reivindicam a saída da PM do campus é um flagrante desdobramento do período militar que recobra sua parcela por não ter sido resgatada sua Memória e nem sido escrita a História deste período. Tal lacuna possibilita a muitos a compreensão de posturas tomadas pelos estudantes contrários à presença da PM no campus como anacrônicas. Diante do esvaziamento crítico que se chegou devido à negação que é feita da memória deste período, tal anacronismo não se apresenta entre estes estudantes, mas sim presente na estrutura da Universidade que não mudou desde a ditatura e na memória esvaziada daqueles que observam pouco as raízes da história do país. Mas tal fenômeno não se restringiria apenas aos muros da Universidade.

Tido isto, o debatido papel da Polícia Militar emerge como um fóssil vivo do período militar, ao invés de um entulho, um objeto em desuso enferrujado, a corporação trabalha plenamente visando garantir o aparelho do Estado, no monopólio da violência, o qual continua torturando, matando, entre outras atividades que são de conhecimento comum da PM de São Paulo, Rio de Janeiro e outros Estados.

Ao resgatarmos a Memória da Ditadura encontramos em meio à História o atual Reitor da USP, João Grandino Rodas. Entre 1995 e 2002 Rodas integrou a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, estando diretamente ligado à comissão que apurou a morte de alguns militantes políticos dentre eles a estilista Zuzu Angel, morte na qual os militares foram inocentados. Enquanto Diretor da Faculdade de Direito, Rodas foi o primeiro administrador a utilizar o aparato policial, ao requisitar, ainda na madrugada do dia 22 de agosto de 2007, a entrada de 120 homens da Polícia Militar inclusive da tropa de choque para a expulsão de manifestantes que participavam da Jornada em Defesa da Educação, na qual estavam presentes representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de estudantes e membros de diretórios acadêmicos os quais foram fichados e levados à delegacia, com um tratamento ofensivo em especial
aos militantes dos movimentos populares.

Também foi Grandino Rodas que ainda na gestão do Governador José Serra lavrou o documento que viabilizava a entrada da PM no campus no ano em 2009. Durante sua administração na Faculdade de Direito tentou sem sucesso a implementação de catracas para impedir o acesso de gente “estranha” ao prédio da instituição. Em seu último dia na Direção da Faculdade de Direito, Rodas assinou atransferência do acervo da biblioteca para um prédio próximo a Faculdade, o qual não possuía perícia para tanto, apresentava problemas com a parte elétrica, hidráulica e inclusive com os elevadores. Tudo isso feito sem consultar se quer o corpo burocrático da Faculdade.

Ainda durante a gestão do então Governador José Serra, Grandino Rodas foi escolhido Reitor da USP através de decreto de 13/11/2009. Seu nome era a segunda opção de uma lista de três indicações. Remonta a história que a última vez que um Governador se utilizou de tal dispositivo criado no período militar–presente na legislação do Estado de São Paulo até hoje– foi durante o Governador Biônico, Paulo Maluf que indicou Miguel Reale para reitoria da Usp entre os anos de 1969 e 1973.

Alunos como Patrícia (nome fictício) têm sido processados administrativamente pela Universidade de São Paulo com base em dispositivos instituídos no período militar, no seu processo consta que a aluna agiu contra a moral e os bons costumes. Dispositivos como estes foram resgatados pela Universidade, esta sim anacrônica. Há 60 dias Grandino Rodas assinou um convênio com a Polícia Militar para que esta pudesse entrar na Universidade. Rodas também recebeu o título de persona non grata por unanimidade na Faculdade de Direito, a qual apresenta uma série de denúncias contra a gestão do então Diretor, acusando-o, entre outros, de improbidade administrativa.

Recentemente um novo ocorrido, a princípio um incidente, podia ser visto no campus ao ser lido na placa do monumento que está sendo construído na Praça do Relógio a referência a “Revolução” de 64, forma como os setores militares e dos que apoiaram o golpe militar se remetem ao período de Ditadura vivido no Brasil.

Rodas também é atualmente investigado pelo Ministério Público de São Paulo, dentre outros motivos, por contratação sem concurso público de dois funcionários ligados ao gabinete da reitoria, sendo um deles filho da ex-Reitora Suely Vilela, juntamente de denúncias de mau uso do dinheiro público. E last but not least, Grandino recebeu a medalha de Mérito Marechal Castello Branco da Associação Campineira de Oficinas da Reserva do Exército (R/2) do NPOR do 28º BIB; Marechal este, não custa lembrar, o primeiro presidente do Estado de Exceção vivido no país a partir de 1964.

Todas estas informações foram resgatadas. No entanto, muitas outras lotam o Estado em todas as suas instituições, todos os dias graças ao processo de abertura democrática do país que não cumpriu o seu papel de resgatar a Memória e produzir uma História que reconfigurasse e restabelecesse os acontecimentos do país, possibilitando a rearticulação das inúmeras ramificações do Estado, como foi feito no Chile, Argentina e também mais recentemente Uruguai.

A consciência dos cidadãos passa pelo tribunal da História que, ao abrir as cicatrizes não fechadas, limpa as feridas ao falar sobre as mesmas dando a cada um o que é lhe de direito. As diversas vozes que exclamam a apatia nacional frente às condutas políticas sofrem deste mesmo mal, ao não relembrarem que a História do país conduzida por “cima” não expulsou de si seus fósseis, e sim os transferiu de cargo, realocou em outras funções. Os resgates da imprensa são limitados as Diretas Já e ao Impeachment de 1992. Se a memória que a mídia repõe é a mesma que se debate no cotidiano então nosso país sofre de perda de memória e junto disso de uma profunda inaptidão crítica de suas experiências dando assim, todo o respaldo ao comumente infundado senso comum.

Ao levantarmos o passado constata-se que o anacronismo não está só nas inúmeras manifestações tidas no meio Universitário, no caso a USP, mas em todas as vezes em que NÃO são cobertas pelo noticiário as inúmeras reintegrações de posse feitas em comunidades carentes, nas manifestações que exigem a reforma agrária, nas reivindicações que exigem moradia aos sem teto. O anacronismo está presente nas inúmeras invasões sem mandado judicial que ocorrem em todos os lugares onde a classe média não está, no uso comum de tortura pelas Polícias Militares em um Estado que se reivindica Democrático, nos
criminalizados por serem pobres e negros, naqueles que são executados como Auto de Resistência pelas Polícias Militares, e a lista segue. Vive-se a modernização do atraso nas mais diversas formas e matizes.

O Tempo se abre novamente e aguarda o resgate da Memória e a reconstrução da História. O país tem uma dívida a ser paga com seu passado, e eis que finalmente, a Comissão da Verdade vazia de sentido ao ser apresentada pelos inábeis veículos de informação ressurge agora preenchida e repleta de sentido. Afinal, a História dos vencedores nega o passado dos vencidos, assim como seu presente e consequentemente seu futuro.

POR: Ana Paula Salviatti. Ela historiadora formada pela USP, onde faz atualmente mestrado em história econômica.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

GOVERNO DE MINAS TERÁ QUE EXPLICAR OFENSAS FEITAS CONTRA SIND-UTE/MG



Em pleno feriado que marca a comemoração da Proclamação da República, o Governo de Minas deu uma aula de incivilidade: utilizou-se de recursos públicos para entidade legalmente constituída, o que configura improbidade administrativa.
É que o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) foi alvo de calúnia durante exibição de propaganda paga na TV. Sem o menor pudor, o governo acusou publicamente milhares de professores da rede estadual de ensino de serem mentirosos.
Indignados com essa situação, os deputados estaduais Rogério Correia (PT) e Antônio Júlio (PMDB) protocolaram nesta quarta-feira, 16/11, requerimento na Assembleia Legislativa exigindo do governo informações do custo total das OFENSAS feitas aos professores, bem como o pedido de depoimento de Andreia Neves na ALMG sobre o assunto.
Na próxima sexta-feira, 18/11, os deputados da oposição se reúnem com o secretário de Governo Danilo de Castro para uma nova rodada de negociação sobre as reivindicações apresentadas pelos servidores estaduais da Educação. Na ocasião, Rogério pretende apresentar o requerimento, expressando o repúdio de toda uma categoria contra o desrespeito com que é tratada pelo governo do Estado.
Abaixo, o requerimento na íntegra.
REQUERIMENTO

Exmo Sr. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais.

Os Deputados que este subscrevem, regimentalmente apoiados, requerem seja encaminhado ao Governador do Estado pedido de informações sobre os gastos com a publicidade veiculada nas rádios, televisões e jornais, a partir do dia 11 de novembro, onde contesta afirmações do SINDUTE – Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais e aborda as negociações em andamento, com a participação de membros desta Casa, com o propósito de discutir o reposicionamento e o aprimoramento das tabelas das carreiras da educação. Solicitamos ainda que seja explicitado pelo governo a justificativa política de tal publicidade, uma vez que ainda estão em andamento os trabalhos da comissão de negociação, da qual somos integrantes.
Sala das Reuniões, 16 de novembro de 2011


Deputado Rogério Correia
Líder da Bancada do PT
Deputado Antônio Júlio
Líder da Bancada do PMDB

FONTE: http://www.rogeriocorreia.com.br/noticia/governo-de-minas-tera-que-explicar-ofensas-feitas-contra-sind-utemg/

sábado, 12 de novembro de 2011

EDUCAÇÃO X GOVERNO - Entenda a questão

Os trabalhadores em educação realizaram, este
ano, uma greve de 112 dias. O movimento foi
suspenso em função do compromisso firmado
com o governo do Estado em atendimento à
reivindicação da categoria, do pagamento do
Piso Salarial Profissional Nacional na carreira,
previsto na lei federal 11.738/08. A categoria
retornou à escola e, passados 44 dias,
o Governo ainda não cumpriu o Acordo.
GOVERNO SÉRIO CUMPRE O QUE ASSINA! JA O DE MG ESTÁ MOSTRANDO O CONTRÁRIO

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!


Se É jovem, não tem experiência. Se É velho, está superado. Se Não tem automóvel, é um pobre coitado. Se Tem automóvel, chora de "barriga cheia'. Se Fala em voz alta, vive gritando. Se Fala em tom normal, ninguém escuta. Se Não falta ao colégio, é um 'caxias'. Se Precisa faltar, é um 'turista'. Se Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos. Se Não conversa, é um desligado. Se Dá muita matéria, não tem dó do aluno. Se Dá pouca matéria, não prepara os alunos. Se Brinca com a turma, é metido a engraçado. Se Não brinca com a turma, é um chato. Se Chama a atenção, é um grosso. Se Não chama a atenção, não sabe se impor. Se A prova é longa, não dá tempo. Se A prova é curta, tira as chances do aluno. Se Escreve muito, não explica. Se Explica muito, o caderno não tem nada. Se Fala corretamente, ninguém entende. Se Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário. Se Exige, é rude. Se Elogia, é debochado. Se O aluno é reprovado, é perseguição. Se O aluno é aprovado, deu 'mole'.

É, o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

EM 2011 A SITUAÇÃO CONTINUA A MESMA