quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Como surgiu o Ano-Novo ?
Contagem regressiva do dia 31 de dezembro: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1. Feliz Ano Novo!!!! A passagem de Ano Novo é o fim de um ciclo, início de outro. É um momento sempre cheio de promessas. E os rituais alimentam os sonhos e dão vida às celebrações. No mundo inteiro o Ano Novo começa entre fogos de artifício, buzinadas, apitos e gritos de alegria. A tradição é muito antiga e, dizem, serve para espantar os maus espíritos. As pessoas reúnem-se para celebrar a festa com muitos abraços.
Vestir uma peça de roupa que nunca tenha sido usada combina com o espírito de renovação do Ano Novo. O costume é universal e aparece em várias versões, como trocar os lençóis da cama e usar uma roupa de baixo nova.
O ano novo só se consolidou na maioria dos países há 500 anos. O tradicional Réveillon comemorado na maioria dos países na passagem do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro é relativamente recente. As comemorações de Ano
Novo variam de cultura a cultura, mas universalmente a entrada do ano é festejada mesmo em diferentes datas. O nosso calendário é originário dos romanos com a contagem dos dias, meses e anos. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado em 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de Abril.
O Papa Gregório XIII instituiu o 1º de Janeiro como o primeiro dia do ano, mas alguns franceses resistiram à mudança e quiseram manter a tradição. Só que as pessoas passaram a pregar partidas e ridicularizar os conservadores, enviando presentes estranhos e convites para festas que não existiam. Assim, nasceu o Dia da Mentira, que é a falsa comemoração do Ano Novo.
A primeira comemoração conhecida, ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a. C. Na Babilônia, a festa começava na lua nova indicando o equinócio da primavera, ou seja, um dos momentos em que o Sol se aproxima da linha do Equador período em que os dias e noites tem a mesma duração. No calendário atual, isto ocorre em meados de março (mais precisamente em 19 de março, data que os espiritualistas comemoram o ano-novo esotérico).
Os assírios, persas, fenícios e egípcios comemoravam o ano novo no mês de setembro (dia 23). Já os gregos, celebravam o início de um novo ciclo entre os dias 21 ou 22 do mês de dezembro. Os romanos foram os primeiros a estabelecerem um dia no calendário para a comemoração desta grande festa (753 a.C. – 476 d.C.). O ano começava em 1º de março, mas foi trocado em 153 a. C. para 1º de janeiro e mantido no calendário juliano, adotado em 46 a.C. Em 1582 a Igreja consolidou a comemoração, quando adotou o calendário gregoriano.
Alguns povos e países comemoram em datas diferentes. Ainda hoje, na China, a festa da passagem do ano começa em fins de janeiro ou princípio de fevereiro. Durante os festejos, os chineses realizam desfiles e shows pirotécnicos. No Japão, o ano-novo é comemorado do dia 1º de janeiro ao dia 3 de janeiro.
A comunidade judaica tem um calendário próprio e sua festa de ano novo ou Rosh Hashaná, – “A festa das trombetas” -, dura dois dias do mês Tishrê, que ocorre em meados de setembro ao início de outubro do calendário gregoriano.
Para os islâmicos, o ano-novo é celebrado em meados de maio, marcando um novo início. A contagem corresponde ao aniversário da Hégira (em árabe, emigração), cujo Ano Zero corresponde ao nosso ano de 622, pois nesta ocasião, o profeta Maomé, deixou a cidade de Meca estabelecendo-se em Medina.
Tradições de Ano Novo no mundo: Itália: O ano novo é a mais pagã das festas, sendo recebido com Fogos de artifícios, que deixam todas as pessoas acordadas. Dizem que os que dormem na virada do ano dormirão todo o ano e na noite de São Silvestre, santo cuja festa coincide com o último dia do ano. Em várias partes do país, dois pratos são considerados essenciais. O pé de porco e as lentilhas. Os italianos se reúnem na Piazza Navona, Fontana di Trevi, Trinitá dei Monit e Piazza del Popolo.
Estados Unidos: A mais famosa passagem de Ano Novo nos EUA é em Nova Iorque, na Time Square, onde o povo se encontra para beber, dançar, correr e gritar. Há pessoas de todas as idades e níveis sociais. Durante a contagem regressiva, uma grande maçã vai descendo no meio da praça e explode exatamente à meia-noite, jogando balas e bombons para todos os lados.
Austrália: Em Sydney, uma das mais importantes cidades australianas, três horas antes da meia-noite, há uma queima de fogos na frente da Opera House e da Golden Bridge, o principal cartão postal da cidade. Para assistir ao espectáculo, os australianos se juntam no porto. Depois, recolhem-se a suas casas para passar a virada do ano com a família e só retornam às ruas na madrugada, quando os principais destinos são os “pubs” e as praias.
França: O principal ponto é a avenida Champs-Elysées, em Paris, próximo ao Arco do Triunfo. Os franceses assistem à queima de fogos, cada um com sua garrafa de champanhe (para as crianças sumos e refrigerantes). Outros vão ver a saída do Paris-Dacar, no Trocadéro, que é marcada para a meia-noite. Outros costumam ir às festas em hotéis.
Brasil: No Rio de Janeiro, precisamente na praia de Copacabana, onde a passagem do Ano Novo reúne milhares de pessoas para verem os fogos de artifício. As tradições consistem em usar branco e jogar flores para “Yemanjá”, rainha do mar para os brasileiros.
Inglaterra: Grande parte dos londrinos passa a meia-noite em suas casas, com a família e amigos. Outros vão à Trafalgar Square, umas das praças mais belas da cidade, à frente do National Gallery. Lá, assistem à queima de fogos. Depois, há festas em várias sítios da cidade.
Alemanha: As pessoas reúnem-se no Portal de Brandemburgo, no centro, perto de onde ficava o Muro de Berlim. Tradicionalmente, não há fogos de artificio.
Curiosidade: Em Macau, e para todos os chineses do mundo, o maior festival do ano é o Novo Ano Chinês. Ele é comemorado entre 15 de Janeiro e 15 de Fevereiro de acordo com a primeira lua nova depois do início do Inverno. Lá é habitual limparem as casas e fazerem muita comida (Bolinhos Chineses de Ano Novo – Yau Gwok, símbolo de prosperidade). Há muitos fogos de artifício e as ruas ficam cobertas de pequenos pedaços de papel vermelho.
Cada cultura comemora seu Ano Novo. Os muçulmanos têm seu próprio calendário que se chama “Hégira”, que começou no ano 632 d.C. do nosso calendário. A passagem do Ano Novo também tem data diferente – 6 de Junho, foi quando o mensageiro Mohammad fez a sua peregrinação de despedida a Meca.
As comemorações do Ano Novo judaico, chamado “Rosh Hashanah”. É uma festa móvel no mês de Setembro (este ano foi 6 de Setembro). As festividades são para a chegada do ano 5763 e são a oportunidade para se deliciar com as tradicionais receitas judaicas: o “Chalah”, uma espécie de pão e além do pão, é costume sempre se comer peixe porque ele nada sempre para frente.
O primeiro dia do ano é dedicado à confraternização. É o Dia da Fraternidade Universal. É hora de pagar as dívidas e devolver tudo que se pediu emprestado ao longo do ano. Esse gesto reflecte a nossa necessidade de fazer um balanço da vida e de começar o ano com as contas acertadas.
Tradições Portuguesas:
As pessoas valorizam muito a festa de Ano Novo, porque sentem o desejo de se renovar. Uma das nossas tradições é sair às janelas de casas batendo panelas para festejar a chegada do novo ano. Nos dias 25 de Dezembro e 1º de Janeiro, costumamos comer uma mistura feita com as sobras das ceias, que são levadas ao forno. O ingrediente principal da chamada “Roupa Velha” é o bacalhau cozido, com ovos, cebola e batatas, regados a azeite.
Para as superstições, comer 12 passas durante as 12 badaladas na virada do ano traz muita sorte, assim como subir numa cadeira com uma nota (dinheiro) em uma das mãos. Em várias zonas do litoral, há pessoas que mesmo no frio do Inverno conseguem entrar na água e saudar o Ano Novo.
FONTE: Monica Buonfiglio
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Natal ou culto ao deus sol ou puro consumismo?
(imagem simbolo do deus Sol pagão)
A palavra natal do português já foi nātālis no latim, derivada do verbo nāscor (nāsceris, nāscī, nātus sum) que tem sentido de nascer. De nātālis do latim, evoluíram também natale do italiano, noël do francês, nadal do catalão, natal do castelhano, sendo que a palavra natal do castelhano foi progressivamente substituída por navidad, como nome do dia religioso.
Já a palavra Christmas, do inglês, evoluiu de Christes maesse ('Christ's mass') que quer dizer missa de Cristo.
Como adjetivo, significa também o local onde ocorreu o nascimento de alguém ou de alguma coisa. Como festa religiosa, o Natal, comemorado no dia 25 de dezembro desde o Século IV pela Igreja ocidental e desde o século V pela Igreja oriental, celebra o nascimento de Jesus e assim é o seu significado nas línguas neolatinas. Muitos historiadores localizam a primeira celebração em Roma, no ano 336 d.C.
Os primeiros indícios da comemoração de uma festa cristã litúrgica do nascimento de Jesus em 25 de dezembro é a partir do Cronógrafo de 354. Essa comemoração começou em Roma, enquanto no cristianismo oriental o nascimento de Jesus já era celebrado em conexão com a Epifania, em 6 de janeiro. A comemoração em 25 de dezembro foi importada para o oriente mais tarde: em Antioquia por João Crisóstomo, no final do século IV, provavelmente, em 388, e em Alexandria somente no século seguinte. Mesmo no ocidente, a celebração da natividade de Jesus em 6 de janeiro parece ter continuado até depois de 380.
Muitos costumes populares associados ao Natal desenvolveram-se de forma independente da comemoração do nascimento de Jesus, com certos elementos de origens em festivais pré-cristãos que eram celebradas em torno do solstício de inverno pelas populações pagãs que foram mais tarde convertidas ao cristianismo. Estes elementos, incluindo o madeiros, do festival Yule, e a troca presentes, da Saturnalia,tornaram-se sincretizados ao Natal ao longo dos séculos. A atmosfera prevalecente do Natal também tem evoluído continuamente desde o início do feriado, o que foi desde um estado carnavalesca na Idade Média, a um feriado orientado para a família e centrado nas crianças, introduzido na Reforma do século XIX. Além disso, a celebração do Natal foi proibida em mais de uma ocasião, dentro da cristandade protestante, devido a preocupações de que a data é muito pagã ou anti-bíblica.
Pré-cristianismo
Dies Natalis Solis Invicti significa "aniversário do sol invicto".
Estudiosos modernos argumentam que esse festival foi colocado sobre a data do solstício, porque foi neste dia que o Sol voltou atrás em sua partida em direção ao o sul e provou ser "invencível".Alguns escritores cristãos primitivos ligaram o renascimento do sol com o nascimento de Jesus."Ó, quão maravilhosamente agiu Providência que naquele dia em que o sol nasceu...Cristo deveria nascer", Cipriano escreveu. João Crisóstomo também comentou sobre a conexão: "Eles chamam isso de 'aniversário do invicto'. Quem de fato é tão invencível como Nosso Senhor...?"
Embora o Dies Natalis Solis Invicti seja objeto de uma grande dose de especulação acadêmica,a única fonte antiga para isso é uma menção no Cronógrafo de 354 e o estudioso moderno do Sol Steven Hijmans argumenta que não há evidência que essa celebração anteceda a do Natal: "Enquanto o solstício de inverno em torno de 25 de dezembro foi bem estabelecido no calendário imperial romano, não há nenhuma evidência de que uma celebração religiosa do Sol naquele dia antecedia a celebração de Natal e nenhuma que indica que Aureliano teve parte na sua instituição."
Festivais de inverno
Os festivais de inverno eram os festivais mais populares do ano em muitas culturas. Entre as razões para isso, incluí-se o fato de que menos trabalho agrícola precisava ser feito durante o inverno, devido a expectativa de melhores condições meteorológicas com a primavera que se aproximava. As tradições de Natal modernas incluem: troca de presentes e folia do festival romano da Saturnalia; verde, luzes e caridade do Ano Novo Romano;. madeiros do Yule e diversos alimentos de festas germânicas.
A Escandinávia pagã comemorava um festival de inverno chamado Yule, realizado do final de dezembro ao período de início do janeiro. Como o Norte da Europa foi a última parte do continente a ser cristianizada, suas tradições pagãs tinham uma grande influência sobre o Natal. Os escandinavos continuam a chamar o Natal de Jul.
Cristianismo
O Natal não se encontrava entre as primitivas festividades cristãs. Irineu e Tertuliano não o mencionam nas suas listas de festas. De facto, a primeira evidência da festa procede do Egito. A primeira vez que existe referência direta à observância do Natal, entre os cristãos, acontece no pontificado de Libério (352-366).
A Bíblia diz que os pastores estavam nos campos cuidando das ovelhas na noite em que Jesus Cristo nasceu. O mês judaico de Kislev, correspondente aproximadamente à segunda metade de novembro e primeira metade de dezembro no calendário gregoriano era um mês frio e chuvoso. Sendo assim, não era um mês propício aos pastores ficarem nos campos passando frio e cuidando de ovelhas. Entretanto, o evangelista Lucas afirma que havia pastores vivendo ao ar livre e mantendo vigias sobre os rebanhos à noite perto do local onde Jesus nasceu. Eles foram avisados no evento chamado de Anunciação aos pastores.
O nascimento de Jesus se deu por volta de dois anos antes da morte do Rei Herodes, denominado "o Grande", ou seja, considerando que este morreu em 4 AEC, então Jesus só pode ter nascido em 6 AEC. Segundo a Bíblia, antes de morrer, Herodes mandou matar os meninos de Belém até aos 2 anos, de acordo com o tempo que apareceu a "estrela" aos magos. (Mateus 2:1, 16-19 - Era seu desejo se livrar de um possível novo "rei dos judeus").
Ainda, segundo a Bíblia, antes do nascimento de Jesus, o imperador Octávio César Augusto decretou que todos os habitantes do Império fossem se recensear, cada um à sua cidade natal. Isso obrigou José a viajar de Nazaré (na Galileia) até Belém (na Judeia), a fim de registar-se com Maria, sua esposa. Deste modo, fica claro que não seria um recenseamento para fins tributários.
"Este primeiro recenseamento" fora ordenado quando o cônsul Públio Sulplício Quirín' "era governador [em grego: hegemoneuo] da província romana da Síria." (Lucas 2,1-3 - O termo grego hegemoneuo vertido por "governador", significa apenas "estar liderando" ou "a cargo de". Pode referir-se a um "governador territorial", "governador de província" ou "governador militar". As evidências apontam que nessa ocasião, Quiríno fosse um comandante militar em operações na província da Síria, sob as ordens directas do Imperador.)
Sabe-se que os governadores da Província da Síria durante a parte final do governo do Rei Herodes foram: Sentio Saturnino (de 9 AEC a 6 AEC), e o seu sucessor, foi Quintilio Varo. Quirínio só foi Governador da Província da Síria, em 6 EC. O único recenseamento relacionado a Quirínio, documentado fora dos Evangelhos, é o referido pelo historiador judeu Flávio Josefo como tendo ocorrido no início do seu governo (Antiguidades Judaicas, Vol. 18, Cap. 26). Obviamente, este recenseamento não era o "primeiro recenseamento".
A viagem de Nazaré a Belém - distância de uns 150 km - deveria ter sido muito cansativa para Maria que estava em adiantado estado de gravidez. Enquanto estavam em Belém, Maria teve o seu filho primogénito. Envolveu-o em faixas de panos e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar disponível para eles no alojamento [isto é, não havia divisões disponíveis na casa que os hospedava; em gr. tô kataluma, em lat. in deversorio]. Maria necessitava de um local tranquilo e isolado para o parto (Lucas 2:4-8). Lucas diz que no dia do nascimento de Jesus, os pastores estavam no campo guardando seus rebanhos "durante as vigílias da noite". Os rebanhos saíam para os campos em Março e recolhiam nos princípios de Novembro.
A vaca e o jumento junto da manjedoura conforme representado nos presépios, resulta de uma simbologia inspirada em Isaías 1:3 que diz: "O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não têm conhecimento, o meu povo não entende". Não há nenhuma informação fidedigna que prove que havia animais junto do recém-nascido Jesus. A menção de "um boi e de um jumento na gruta" deve-se também a alguns Evangelhos Apócrifos.
Após o nascimento de Jesus em Belém, ainda governava a Judeia o Rei Herodes, chegaram "do Oriente a Jerusalém uns magos guiados por uma estrela ou um objecto controverso que, segundo a descrição do Evangelho segundo Mateus, anunciou o nascimento de Jesus e levou os Três Reis Magos ao local onde este se encontrava. A natureza real da Estrela de Belém é alvo de discussão entre os biblistas.
Os "magos", em gr. magoi, que vinham do Leste de Jerusalém, não eram reis. Julga-se que terá sido Tertuliano de Cartago, que no início do 3.º Século terá escrito que os Magos do Oriente eram reis. O motivo parece advir de algumas referências do Antigo Testamento, como é o caso do Salmo 68:29: "Por amor do Teu Templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes."
Em vez disso, os "magos" eram sacerdotes astrólogos, talvez seguidores do Zoroastrismo. Eram considerados "Sábios", e por isso, conselheiros de reis. Podiam ter vindo de Babilónia, mas não podemos descartar a Pérsia (Irão). São Justino, no 2.º Século, considera que os Magos vieram da Arábia. Quantos eram e os seus nomes, não foram revelados nos Evangelhos canónicos. Os nomes de Gaspar, Melchior e Baltazar constam dos Evangelhos Apócrifos. Deduz-se terem sido 3 magos, em vista dos 3 tipos de presentes. Tampouco se menciona em que animais os Magos vieram montados.
Outro factor muito importante tem a ver com a existência de uma grande comunidade de raiz judaica na antiga Babilónia, o que sem dúvida teria permitido o conhecimento das profecias messiânicas dos judeus, e a sua posterior associação de simbolismos aos fenómenos celestes que ocorriam.
Símbolos e tradições
Árvore de Natal
Uma outra tradição do Natal é a decoração de casas, edifícios, elementos estáticos, como postes, pontes e árvores, estabelecimentos comerciais, prédios públicos e cidades com elementos que representam o Natal, como, por exemplo, as luzes de natal e guirlandas. Em alguns lugares, existe até uma competição para ver qual casa, ou estabelecimento, teve a decoração mais bonita, com direito a receber um prêmio.
A árvore de Natal é considerado por alguns como uma "cristianização" da tradições e rituais pagãos em torno do Solstício de Inverno, que incluía o uso de ramos verdes, além de ser uma adaptação de adoração pagã das árvores. Outra versão sobre a procedência da árvore de Natal, a maioria delas indicando a Alemanha como país de origem, uma das mais populares atribui a novidade ao padre Martinho Lutero (1483-1546), autor da Reforma Protestante do século XVI. Olhando para o céu através de uns pinheiros que cercavam a trilha, viu-o intensamente estrelado parecendo-lhe um colar de diamantes encimando a copa das árvores. Tomado pela beleza daquilo, decidiu arrancar um galho para levar para casa. Lá chegando, entusiasmado, colocou o pequeno pinheiro num vaso com terra e, chamando a esposa e os filhos, decorou-o com pequenas velas acesas afincadas nas pontas dos ramos. Arrumou em seguida papéis coloridos para enfeitá-lo mais um tanto. Era o que ele vira lá fora. Afastando-se, todos ficaram pasmos ao verem aquela árvore iluminada a quem parecia terem dado vida. Nascia assim a árvore de Natal. Queria, assim, mostrar as crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo.
Na Roma Antiga, os Romanos penduravam máscaras de Baco em pinheiros para comemorar uma festa chamada de "Saturnália", que coincidia com o nosso Natal.
As esculturas e quadros que enfeitavam os templos para ensinar os fiéis, além das representações teatrais semilitúrgicas que aconteciam durante a Missa de Natal serviram de inspiração para que se criasse o presépio. A tradição católica diz que o presépio (do lat. praesepio) surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo o mais realista possível e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.
O sucesso dessa representação do Presépio foi tanta que rapidamente se estendeu por toda a Itália. Logo se introduziu nas casas nobres européias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. Na Espanha, a tradição chegou pela mão do Rei Carlos III, que a importou de Nápoles no século XVIII. Sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos se estendeu ao longo do século XIX, e na França, não o fez até inícios do século XX. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.
Músicas natalinas
As canções natalinas são símbolos do Natal e as letras retratam as tradições das comemorações, o nascimento de Jesus, a paz, a fraternidade, o amor, os valores cristãos. Os Estados Unidos têm antiga tradição de celebrar o Natal com músicas típicas.
No Brasil, esta tradição, além das familiares, só se tornou comercial popular nos anos 1990, com o Cd 25 de Dezembro lançado pela cantora Simone: Ao lançar, no ano passado, o disco natalino 25 de Dezembro, a cantora Simone quebrou um tabu. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa, os cantores brasileiros não têm o costume de lançar, no mês de dezembro, discos com músicas de Natal.As canções natalinas tradicionais, no Brasil, estão sendo paulatinamente esquecidas, com algumas exceções como "Noite Feliz", devido a falta de interesse popular.
Amigo secreto ou oculto
Acredita-se que a brincadeira venha dos povos nórdicos. Porém, é também uma brincadeira de costumes e tradições de povos pagãos. A brincadeira se popularizou no ano de 1929, em plena depressão onde não tinha dinheiro para comprar presentes para todos se fazia a brincadeira para que todos pudessem sair com presentes
Personagens lendários
Uma série de figuras de origem cristã e mítico têm sido associadas ao Natal e às doações sazonais de presentes. Entre estas estão o Papai Noel (Pai Natal em Portugal), também conhecido como Santa Claus (na anglofonia), Père Noël e o Weihnachtsmann; São Nicolau ou Sinterklaas, Christkind; Kris Kringle; Joulupukki; Babbo Natale, São Basílio e Ded Moroz.
A mais famosa e difundida destas figuras na comemoração moderna do Natal em todo o mundo é o Papai Noel, um mítico portador de presentes, vestido de vermelho, cujas origens têm diversas fontes. A origem do nome em inglês Santa Claus pode ser rastreada até o Sinterklaas holandês, que significa simplesmente São Nicolau. Nicolau foi bispo de Mira, na atual Turquia, durante o século IV. Entre outros atributos dado ao santo, ele foi associado ao cuidado das crianças, a generosidade e a doação de presentes. Sua festa em 6 de dezembro passou a ser comemorada em muitos países com a troca de presentes.
São Nicolau tradicionalmente aparecia em trajes de bispo, acompanhado por ajudantes, indagando as crianças sobre o seu comportamento durante o ano passado antes de decidir se elas mereciam um presente ou não. Por volta do século XIII, São Nicolau era bem conhecido nos Países Baixos e a prática de dar presentes em seu nome se espalhou para outras partes da Europa central e do sul. Na Reforma Protestante nos séculos XVI e XVII na Europa, muitos protestantes mudaram o personagem portador de presente para o Menino Jesus ou Christkindl e a data de dar presentes passou de 6 de dezembro para a véspera de Natal.
No entanto, a imagem popular moderna do Papai Noel foi criada nos Estados Unidos e, em particular, em Nova York. A transformação foi realizada com o auxílio de colaboradores notáveis, incluindo Washington Irving e o cartunista germano-americano Thomas Nast (1840-1902). Após a Guerra Revolucionária Americana, alguns dos habitantes da cidade de Nova York procuraram símbolos do passado não-inglês da cidade. Nova York tinha sido originalmente estabelecida como a cidade colonial holandesa de Nova Amsterdã e a tradição holandesa do Sinterklaas foi reinventada como São Nicolau.
Impacto econômico
O natal é normalmente o maior estímulo econômico anual para muitas nações ao redor do mundo. As vendas aumentam dramaticamente em quase todas as áreas de varejo e lojas introduzem novos produtos para as pessoas comprarem, como brindes, decoração e suprimentos. Nos Estados Unidos, a "temporada de compras de Natal" começa já em outubro.No Canadá, os comerciantes começam campanhas publicitárias, pouco antes do Dia das Bruxas (31 de outubro), e intensificam a sua comercialização em novembro. No Reino Unido e na Irlanda, a temporada de compras de Natal começa a partir de meados de novembro, no momento em que a comemoração de natal das ruas é montada.Nos Estados Unidos, foi calculado que um quarto de todos os gastos pessoais acontece durante a temporada de compras de Natal. Dados do United States Census Bureau revela que as despesas em lojas de departamento em todo o país subiu de US$ 20,8 bilhões em novembro de 2004 para US$ 31,9 bilhões em dezembro de 2004, um aumento de 54%. Em outros setores, o aumento dos gastos pré-natal foi ainda maior, havendo um aumento de compras de 100% nas livrarias e 170% em lojas de jóias no período entre novembro e dezembro. No mesmo ano, o emprego em lojas de varejo americanas aumentou de 1.6 a 1.8 milhões nos dois meses que antecederam o Natal. Indústrias completamente dependentes do natal incluí os fabricantes de cartões de natal, os quais 1,9 bilhões são enviados nos Estados Unidos a cada ano, e árvores de natal vivas, das quais 20,8 milhões foram cortadas nos Estados Unidos em 2002.No Reino Unido, em 2010, até £ 8 bilhões era esperado para serem gastos on-line no natal, aproximadamente um quarto do total das vendas de varejo.
Na maioria das nações ocidentais, o dia de Natal é o dia menos ativo do ano para os negócios e o comércio, quase todas as empresas de varejo, comerciais e institucionais estão fechadas, e quase todas as atividades industriais cessam (mais do que em qualquer outro dia do ano). Na Inglaterra e País de Gales, o Christmas Day (Trading) Act 2004 impede que todas as grandes lojas façam comércio no dia de natal. Estúdios de cinema realizam muitos filmes de alto orçamento durante a temporada de férias, incluindo filmes de natal, fantasia ou dramas com elevados valores de produção.
Uma análise de um economista calcula que, apesar do aumento de despesa global, o natal é um peso-morto na teoria microeconômica ortodoxa, devido ao efeito de dar presentes. Esta perda é calculada como a diferença entre o que o doador do presente gasta com o item e o que o receptor teria pago para o item. Estima-se que em 2001, o natal resultou em peso-morto de US$ 4 bilhões em só nos EUA. Por causa de fatores complicadores, esta análise é por vezes utilizada para discutir possíveis falhas na teoria microeconômica atual. Outras perdas de peso-morto incluem os efeitos de natal sobre o meio-ambiente e o fato de que presentes materiais são muitas vezes percebidas como elefantes brancos, impondo custos para a manutenção e armazenamento e contribuindo para a desordem.
Controvérsias e críticas
Ao longo da história do feriado, o natal tem sido objeto de controvérsia e críticas de uma ampla variedade de fontes distintas. A primeira controvérsia documentada em relação ao natal foi liderada por cristãos e começou durante o Interregno Inglês, quando a Inglaterra era governada por um Parlamento Puritano. Os puritanos (incluindo aqueles que fugiram para a América) procuraram remover os elementos pagãos restantes do natal. Durante este breve período, o Parlamento Inglês proibiu por completo a celebração do natal, considerando-o "um festival papista sem justificação bíblica" e uma época de comportamento perdulário e imoral.
As controvérsias e críticas continuam nos dias de hoje, onde alguns cristãos e não-cristãos têm afirmado que uma afronta ao natal (apelidada de "guerra contra o Natal" por alguns) está em curso.Nos Estados Unidos, tem havido uma tendência para substituir a saudação Feliz Natal para Boas Festas. Grupos como a União Americana pelas Liberdades Civis iniciaram processos judiciais para impedir a exibição de imagens e outros materiais referentes ao natal em bens públicos, incluindo escolas. Esses grupos argumentam que o financiamento do governo para exibir imagens e tradições do natal viola a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que proíbe a criação, pelo Congresso, de uma religião nacional. Em 1984, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu no processo Lynch vs Donnelly que uma exposição de Natal (que incluía um presépio) de propriedade e exibida pela cidade de Pawtucket, em Rhode Island, não violava a Primeira Emenda.Em novembro de 2009, o tribunal federal de apelações na Filadélfia endossou uma proibição ao distrito escolar sobre o canto de canções de natal.
Na esfera privada também tem sido alegado que qualquer menção específica do termo "natal" ou dos seus aspectos religiosos está sendo cada vez mais censurada, evitada ou desestimulada por vários anunciantes e varejistas. Em resposta, a Associação da Família Americana e outros grupos organizados boicotaram varejistas.
A palavra natal do português já foi nātālis no latim, derivada do verbo nāscor (nāsceris, nāscī, nātus sum) que tem sentido de nascer. De nātālis do latim, evoluíram também natale do italiano, noël do francês, nadal do catalão, natal do castelhano, sendo que a palavra natal do castelhano foi progressivamente substituída por navidad, como nome do dia religioso.
Já a palavra Christmas, do inglês, evoluiu de Christes maesse ('Christ's mass') que quer dizer missa de Cristo.
Como adjetivo, significa também o local onde ocorreu o nascimento de alguém ou de alguma coisa. Como festa religiosa, o Natal, comemorado no dia 25 de dezembro desde o Século IV pela Igreja ocidental e desde o século V pela Igreja oriental, celebra o nascimento de Jesus e assim é o seu significado nas línguas neolatinas. Muitos historiadores localizam a primeira celebração em Roma, no ano 336 d.C.
Os primeiros indícios da comemoração de uma festa cristã litúrgica do nascimento de Jesus em 25 de dezembro é a partir do Cronógrafo de 354. Essa comemoração começou em Roma, enquanto no cristianismo oriental o nascimento de Jesus já era celebrado em conexão com a Epifania, em 6 de janeiro. A comemoração em 25 de dezembro foi importada para o oriente mais tarde: em Antioquia por João Crisóstomo, no final do século IV, provavelmente, em 388, e em Alexandria somente no século seguinte. Mesmo no ocidente, a celebração da natividade de Jesus em 6 de janeiro parece ter continuado até depois de 380.
Muitos costumes populares associados ao Natal desenvolveram-se de forma independente da comemoração do nascimento de Jesus, com certos elementos de origens em festivais pré-cristãos que eram celebradas em torno do solstício de inverno pelas populações pagãs que foram mais tarde convertidas ao cristianismo. Estes elementos, incluindo o madeiros, do festival Yule, e a troca presentes, da Saturnalia,tornaram-se sincretizados ao Natal ao longo dos séculos. A atmosfera prevalecente do Natal também tem evoluído continuamente desde o início do feriado, o que foi desde um estado carnavalesca na Idade Média, a um feriado orientado para a família e centrado nas crianças, introduzido na Reforma do século XIX. Além disso, a celebração do Natal foi proibida em mais de uma ocasião, dentro da cristandade protestante, devido a preocupações de que a data é muito pagã ou anti-bíblica.
Pré-cristianismo
Dies Natalis Solis Invicti significa "aniversário do sol invicto".
Estudiosos modernos argumentam que esse festival foi colocado sobre a data do solstício, porque foi neste dia que o Sol voltou atrás em sua partida em direção ao o sul e provou ser "invencível".Alguns escritores cristãos primitivos ligaram o renascimento do sol com o nascimento de Jesus."Ó, quão maravilhosamente agiu Providência que naquele dia em que o sol nasceu...Cristo deveria nascer", Cipriano escreveu. João Crisóstomo também comentou sobre a conexão: "Eles chamam isso de 'aniversário do invicto'. Quem de fato é tão invencível como Nosso Senhor...?"
Embora o Dies Natalis Solis Invicti seja objeto de uma grande dose de especulação acadêmica,a única fonte antiga para isso é uma menção no Cronógrafo de 354 e o estudioso moderno do Sol Steven Hijmans argumenta que não há evidência que essa celebração anteceda a do Natal: "Enquanto o solstício de inverno em torno de 25 de dezembro foi bem estabelecido no calendário imperial romano, não há nenhuma evidência de que uma celebração religiosa do Sol naquele dia antecedia a celebração de Natal e nenhuma que indica que Aureliano teve parte na sua instituição."
Festivais de inverno
Os festivais de inverno eram os festivais mais populares do ano em muitas culturas. Entre as razões para isso, incluí-se o fato de que menos trabalho agrícola precisava ser feito durante o inverno, devido a expectativa de melhores condições meteorológicas com a primavera que se aproximava. As tradições de Natal modernas incluem: troca de presentes e folia do festival romano da Saturnalia; verde, luzes e caridade do Ano Novo Romano;. madeiros do Yule e diversos alimentos de festas germânicas.
A Escandinávia pagã comemorava um festival de inverno chamado Yule, realizado do final de dezembro ao período de início do janeiro. Como o Norte da Europa foi a última parte do continente a ser cristianizada, suas tradições pagãs tinham uma grande influência sobre o Natal. Os escandinavos continuam a chamar o Natal de Jul.
Cristianismo
O Natal não se encontrava entre as primitivas festividades cristãs. Irineu e Tertuliano não o mencionam nas suas listas de festas. De facto, a primeira evidência da festa procede do Egito. A primeira vez que existe referência direta à observância do Natal, entre os cristãos, acontece no pontificado de Libério (352-366).
A Bíblia diz que os pastores estavam nos campos cuidando das ovelhas na noite em que Jesus Cristo nasceu. O mês judaico de Kislev, correspondente aproximadamente à segunda metade de novembro e primeira metade de dezembro no calendário gregoriano era um mês frio e chuvoso. Sendo assim, não era um mês propício aos pastores ficarem nos campos passando frio e cuidando de ovelhas. Entretanto, o evangelista Lucas afirma que havia pastores vivendo ao ar livre e mantendo vigias sobre os rebanhos à noite perto do local onde Jesus nasceu. Eles foram avisados no evento chamado de Anunciação aos pastores.
O nascimento de Jesus se deu por volta de dois anos antes da morte do Rei Herodes, denominado "o Grande", ou seja, considerando que este morreu em 4 AEC, então Jesus só pode ter nascido em 6 AEC. Segundo a Bíblia, antes de morrer, Herodes mandou matar os meninos de Belém até aos 2 anos, de acordo com o tempo que apareceu a "estrela" aos magos. (Mateus 2:1, 16-19 - Era seu desejo se livrar de um possível novo "rei dos judeus").
Ainda, segundo a Bíblia, antes do nascimento de Jesus, o imperador Octávio César Augusto decretou que todos os habitantes do Império fossem se recensear, cada um à sua cidade natal. Isso obrigou José a viajar de Nazaré (na Galileia) até Belém (na Judeia), a fim de registar-se com Maria, sua esposa. Deste modo, fica claro que não seria um recenseamento para fins tributários.
"Este primeiro recenseamento" fora ordenado quando o cônsul Públio Sulplício Quirín' "era governador [em grego: hegemoneuo] da província romana da Síria." (Lucas 2,1-3 - O termo grego hegemoneuo vertido por "governador", significa apenas "estar liderando" ou "a cargo de". Pode referir-se a um "governador territorial", "governador de província" ou "governador militar". As evidências apontam que nessa ocasião, Quiríno fosse um comandante militar em operações na província da Síria, sob as ordens directas do Imperador.)
Sabe-se que os governadores da Província da Síria durante a parte final do governo do Rei Herodes foram: Sentio Saturnino (de 9 AEC a 6 AEC), e o seu sucessor, foi Quintilio Varo. Quirínio só foi Governador da Província da Síria, em 6 EC. O único recenseamento relacionado a Quirínio, documentado fora dos Evangelhos, é o referido pelo historiador judeu Flávio Josefo como tendo ocorrido no início do seu governo (Antiguidades Judaicas, Vol. 18, Cap. 26). Obviamente, este recenseamento não era o "primeiro recenseamento".
A viagem de Nazaré a Belém - distância de uns 150 km - deveria ter sido muito cansativa para Maria que estava em adiantado estado de gravidez. Enquanto estavam em Belém, Maria teve o seu filho primogénito. Envolveu-o em faixas de panos e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar disponível para eles no alojamento [isto é, não havia divisões disponíveis na casa que os hospedava; em gr. tô kataluma, em lat. in deversorio]. Maria necessitava de um local tranquilo e isolado para o parto (Lucas 2:4-8). Lucas diz que no dia do nascimento de Jesus, os pastores estavam no campo guardando seus rebanhos "durante as vigílias da noite". Os rebanhos saíam para os campos em Março e recolhiam nos princípios de Novembro.
A vaca e o jumento junto da manjedoura conforme representado nos presépios, resulta de uma simbologia inspirada em Isaías 1:3 que diz: "O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não têm conhecimento, o meu povo não entende". Não há nenhuma informação fidedigna que prove que havia animais junto do recém-nascido Jesus. A menção de "um boi e de um jumento na gruta" deve-se também a alguns Evangelhos Apócrifos.
Após o nascimento de Jesus em Belém, ainda governava a Judeia o Rei Herodes, chegaram "do Oriente a Jerusalém uns magos guiados por uma estrela ou um objecto controverso que, segundo a descrição do Evangelho segundo Mateus, anunciou o nascimento de Jesus e levou os Três Reis Magos ao local onde este se encontrava. A natureza real da Estrela de Belém é alvo de discussão entre os biblistas.
Os "magos", em gr. magoi, que vinham do Leste de Jerusalém, não eram reis. Julga-se que terá sido Tertuliano de Cartago, que no início do 3.º Século terá escrito que os Magos do Oriente eram reis. O motivo parece advir de algumas referências do Antigo Testamento, como é o caso do Salmo 68:29: "Por amor do Teu Templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes."
Em vez disso, os "magos" eram sacerdotes astrólogos, talvez seguidores do Zoroastrismo. Eram considerados "Sábios", e por isso, conselheiros de reis. Podiam ter vindo de Babilónia, mas não podemos descartar a Pérsia (Irão). São Justino, no 2.º Século, considera que os Magos vieram da Arábia. Quantos eram e os seus nomes, não foram revelados nos Evangelhos canónicos. Os nomes de Gaspar, Melchior e Baltazar constam dos Evangelhos Apócrifos. Deduz-se terem sido 3 magos, em vista dos 3 tipos de presentes. Tampouco se menciona em que animais os Magos vieram montados.
Outro factor muito importante tem a ver com a existência de uma grande comunidade de raiz judaica na antiga Babilónia, o que sem dúvida teria permitido o conhecimento das profecias messiânicas dos judeus, e a sua posterior associação de simbolismos aos fenómenos celestes que ocorriam.
Símbolos e tradições
Árvore de Natal
Uma outra tradição do Natal é a decoração de casas, edifícios, elementos estáticos, como postes, pontes e árvores, estabelecimentos comerciais, prédios públicos e cidades com elementos que representam o Natal, como, por exemplo, as luzes de natal e guirlandas. Em alguns lugares, existe até uma competição para ver qual casa, ou estabelecimento, teve a decoração mais bonita, com direito a receber um prêmio.
A árvore de Natal é considerado por alguns como uma "cristianização" da tradições e rituais pagãos em torno do Solstício de Inverno, que incluía o uso de ramos verdes, além de ser uma adaptação de adoração pagã das árvores. Outra versão sobre a procedência da árvore de Natal, a maioria delas indicando a Alemanha como país de origem, uma das mais populares atribui a novidade ao padre Martinho Lutero (1483-1546), autor da Reforma Protestante do século XVI. Olhando para o céu através de uns pinheiros que cercavam a trilha, viu-o intensamente estrelado parecendo-lhe um colar de diamantes encimando a copa das árvores. Tomado pela beleza daquilo, decidiu arrancar um galho para levar para casa. Lá chegando, entusiasmado, colocou o pequeno pinheiro num vaso com terra e, chamando a esposa e os filhos, decorou-o com pequenas velas acesas afincadas nas pontas dos ramos. Arrumou em seguida papéis coloridos para enfeitá-lo mais um tanto. Era o que ele vira lá fora. Afastando-se, todos ficaram pasmos ao verem aquela árvore iluminada a quem parecia terem dado vida. Nascia assim a árvore de Natal. Queria, assim, mostrar as crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo.
Na Roma Antiga, os Romanos penduravam máscaras de Baco em pinheiros para comemorar uma festa chamada de "Saturnália", que coincidia com o nosso Natal.
As esculturas e quadros que enfeitavam os templos para ensinar os fiéis, além das representações teatrais semilitúrgicas que aconteciam durante a Missa de Natal serviram de inspiração para que se criasse o presépio. A tradição católica diz que o presépio (do lat. praesepio) surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo o mais realista possível e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.
O sucesso dessa representação do Presépio foi tanta que rapidamente se estendeu por toda a Itália. Logo se introduziu nas casas nobres européias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. Na Espanha, a tradição chegou pela mão do Rei Carlos III, que a importou de Nápoles no século XVIII. Sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos se estendeu ao longo do século XIX, e na França, não o fez até inícios do século XX. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.
Músicas natalinas
As canções natalinas são símbolos do Natal e as letras retratam as tradições das comemorações, o nascimento de Jesus, a paz, a fraternidade, o amor, os valores cristãos. Os Estados Unidos têm antiga tradição de celebrar o Natal com músicas típicas.
No Brasil, esta tradição, além das familiares, só se tornou comercial popular nos anos 1990, com o Cd 25 de Dezembro lançado pela cantora Simone: Ao lançar, no ano passado, o disco natalino 25 de Dezembro, a cantora Simone quebrou um tabu. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa, os cantores brasileiros não têm o costume de lançar, no mês de dezembro, discos com músicas de Natal.As canções natalinas tradicionais, no Brasil, estão sendo paulatinamente esquecidas, com algumas exceções como "Noite Feliz", devido a falta de interesse popular.
Amigo secreto ou oculto
Acredita-se que a brincadeira venha dos povos nórdicos. Porém, é também uma brincadeira de costumes e tradições de povos pagãos. A brincadeira se popularizou no ano de 1929, em plena depressão onde não tinha dinheiro para comprar presentes para todos se fazia a brincadeira para que todos pudessem sair com presentes
Personagens lendários
Uma série de figuras de origem cristã e mítico têm sido associadas ao Natal e às doações sazonais de presentes. Entre estas estão o Papai Noel (Pai Natal em Portugal), também conhecido como Santa Claus (na anglofonia), Père Noël e o Weihnachtsmann; São Nicolau ou Sinterklaas, Christkind; Kris Kringle; Joulupukki; Babbo Natale, São Basílio e Ded Moroz.
A mais famosa e difundida destas figuras na comemoração moderna do Natal em todo o mundo é o Papai Noel, um mítico portador de presentes, vestido de vermelho, cujas origens têm diversas fontes. A origem do nome em inglês Santa Claus pode ser rastreada até o Sinterklaas holandês, que significa simplesmente São Nicolau. Nicolau foi bispo de Mira, na atual Turquia, durante o século IV. Entre outros atributos dado ao santo, ele foi associado ao cuidado das crianças, a generosidade e a doação de presentes. Sua festa em 6 de dezembro passou a ser comemorada em muitos países com a troca de presentes.
São Nicolau tradicionalmente aparecia em trajes de bispo, acompanhado por ajudantes, indagando as crianças sobre o seu comportamento durante o ano passado antes de decidir se elas mereciam um presente ou não. Por volta do século XIII, São Nicolau era bem conhecido nos Países Baixos e a prática de dar presentes em seu nome se espalhou para outras partes da Europa central e do sul. Na Reforma Protestante nos séculos XVI e XVII na Europa, muitos protestantes mudaram o personagem portador de presente para o Menino Jesus ou Christkindl e a data de dar presentes passou de 6 de dezembro para a véspera de Natal.
No entanto, a imagem popular moderna do Papai Noel foi criada nos Estados Unidos e, em particular, em Nova York. A transformação foi realizada com o auxílio de colaboradores notáveis, incluindo Washington Irving e o cartunista germano-americano Thomas Nast (1840-1902). Após a Guerra Revolucionária Americana, alguns dos habitantes da cidade de Nova York procuraram símbolos do passado não-inglês da cidade. Nova York tinha sido originalmente estabelecida como a cidade colonial holandesa de Nova Amsterdã e a tradição holandesa do Sinterklaas foi reinventada como São Nicolau.
Impacto econômico
O natal é normalmente o maior estímulo econômico anual para muitas nações ao redor do mundo. As vendas aumentam dramaticamente em quase todas as áreas de varejo e lojas introduzem novos produtos para as pessoas comprarem, como brindes, decoração e suprimentos. Nos Estados Unidos, a "temporada de compras de Natal" começa já em outubro.No Canadá, os comerciantes começam campanhas publicitárias, pouco antes do Dia das Bruxas (31 de outubro), e intensificam a sua comercialização em novembro. No Reino Unido e na Irlanda, a temporada de compras de Natal começa a partir de meados de novembro, no momento em que a comemoração de natal das ruas é montada.Nos Estados Unidos, foi calculado que um quarto de todos os gastos pessoais acontece durante a temporada de compras de Natal. Dados do United States Census Bureau revela que as despesas em lojas de departamento em todo o país subiu de US$ 20,8 bilhões em novembro de 2004 para US$ 31,9 bilhões em dezembro de 2004, um aumento de 54%. Em outros setores, o aumento dos gastos pré-natal foi ainda maior, havendo um aumento de compras de 100% nas livrarias e 170% em lojas de jóias no período entre novembro e dezembro. No mesmo ano, o emprego em lojas de varejo americanas aumentou de 1.6 a 1.8 milhões nos dois meses que antecederam o Natal. Indústrias completamente dependentes do natal incluí os fabricantes de cartões de natal, os quais 1,9 bilhões são enviados nos Estados Unidos a cada ano, e árvores de natal vivas, das quais 20,8 milhões foram cortadas nos Estados Unidos em 2002.No Reino Unido, em 2010, até £ 8 bilhões era esperado para serem gastos on-line no natal, aproximadamente um quarto do total das vendas de varejo.
Na maioria das nações ocidentais, o dia de Natal é o dia menos ativo do ano para os negócios e o comércio, quase todas as empresas de varejo, comerciais e institucionais estão fechadas, e quase todas as atividades industriais cessam (mais do que em qualquer outro dia do ano). Na Inglaterra e País de Gales, o Christmas Day (Trading) Act 2004 impede que todas as grandes lojas façam comércio no dia de natal. Estúdios de cinema realizam muitos filmes de alto orçamento durante a temporada de férias, incluindo filmes de natal, fantasia ou dramas com elevados valores de produção.
Uma análise de um economista calcula que, apesar do aumento de despesa global, o natal é um peso-morto na teoria microeconômica ortodoxa, devido ao efeito de dar presentes. Esta perda é calculada como a diferença entre o que o doador do presente gasta com o item e o que o receptor teria pago para o item. Estima-se que em 2001, o natal resultou em peso-morto de US$ 4 bilhões em só nos EUA. Por causa de fatores complicadores, esta análise é por vezes utilizada para discutir possíveis falhas na teoria microeconômica atual. Outras perdas de peso-morto incluem os efeitos de natal sobre o meio-ambiente e o fato de que presentes materiais são muitas vezes percebidas como elefantes brancos, impondo custos para a manutenção e armazenamento e contribuindo para a desordem.
Controvérsias e críticas
Ao longo da história do feriado, o natal tem sido objeto de controvérsia e críticas de uma ampla variedade de fontes distintas. A primeira controvérsia documentada em relação ao natal foi liderada por cristãos e começou durante o Interregno Inglês, quando a Inglaterra era governada por um Parlamento Puritano. Os puritanos (incluindo aqueles que fugiram para a América) procuraram remover os elementos pagãos restantes do natal. Durante este breve período, o Parlamento Inglês proibiu por completo a celebração do natal, considerando-o "um festival papista sem justificação bíblica" e uma época de comportamento perdulário e imoral.
As controvérsias e críticas continuam nos dias de hoje, onde alguns cristãos e não-cristãos têm afirmado que uma afronta ao natal (apelidada de "guerra contra o Natal" por alguns) está em curso.Nos Estados Unidos, tem havido uma tendência para substituir a saudação Feliz Natal para Boas Festas. Grupos como a União Americana pelas Liberdades Civis iniciaram processos judiciais para impedir a exibição de imagens e outros materiais referentes ao natal em bens públicos, incluindo escolas. Esses grupos argumentam que o financiamento do governo para exibir imagens e tradições do natal viola a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que proíbe a criação, pelo Congresso, de uma religião nacional. Em 1984, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu no processo Lynch vs Donnelly que uma exposição de Natal (que incluía um presépio) de propriedade e exibida pela cidade de Pawtucket, em Rhode Island, não violava a Primeira Emenda.Em novembro de 2009, o tribunal federal de apelações na Filadélfia endossou uma proibição ao distrito escolar sobre o canto de canções de natal.
Na esfera privada também tem sido alegado que qualquer menção específica do termo "natal" ou dos seus aspectos religiosos está sendo cada vez mais censurada, evitada ou desestimulada por vários anunciantes e varejistas. Em resposta, a Associação da Família Americana e outros grupos organizados boicotaram varejistas.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
“Só protestar simbolicamente não é suficiente”, afirma Tariq Ali
Com uma fala tranquila, tão simples quanto ampla, o paquistanês Tariq Ali domina como poucos os processos políticos, em escala planetária, que colocam a ordem contra a parede. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, seu olhar analítico percorreu a Primavera Árabe, dividiu as mobilizações nos países desenvolvidos – EUA e Europa – entre simbólicas e massivas, valorou a América do Sul como o processo mais radical até agora – dentro do capitalismo – e ponderou as possibilidades de transição sistêmica no continente, além de buscar conexões da luta global contra o capitalismo. Confira a entrevista.
Brasil de Fato – Em uma entrevista recente, o senhor disse que, diferentemente da resistência na América do Sul durante o final do século 20 e começo do 21, os países da chamada “Primavera Árabe” não produziram organizações políticas. Então, quais são as forças políticas que devem emergir nesses países com a queda dos governos? Há semelhanças entre elas?
Tariq Ali – Aqui na América do Sul tivemos movimentos sociais conectando-se, criando novos movimentos políticos, organizações políticas, disputando eleições e chegando ao poder – isso é o importante e completamente novo: tomar o poder a partir do sistema democrático eleitoral. No mundo árabe tivemos grandes levantamentos, mas não produziram uma nova formação política. Na Tunísia e no Egito ocorreu que as organizações políticas que haviam sido reprimidas voltaram a aparecer, principalmente, as islamistas. Então, os novos personagens, os jovens que criaram os movimentos agora, ficaram sem voz política. A escala dos movimentos foi imensa, mas não produziram nada e, por isso, o exército no Egito pode tomar o poder novamente.
Na Tunísia os islamistas ganharam as eleições. Agora, existe um grande equívoco sobre esses partidos. As pessoas automaticamente pensam em terroristas, extremistas, fundamentalistas, mas esses partidos islamistas são religiosos, socialmente conservadores, como os democratas cristãos da Europa e os partidos dominados pela Igreja Católica em outros lugares do mundo. É muito importante pôr isso em perspectiva. Os partidos apoiados por luteranos e católicos existem em diferentes lugares do mundo ocidental e são aceitos, mas quando os islamistas são eleitos, todo o mundo fica nervoso. Eu não concordo com esses partidos, mas há que se aceitar seu direito a ganhar eleições e que as pessoas aprendam através de suas próprias experiências.
No Egito, se são feitas eleições livres, é provável que a Irmandade [Muçulmana] ganhe. Calculo que tenham aproximadamente 40% do eleitorado, ou seja, podem formar um governo se o exército e os EUA permitirem. Se houver mudanças na Síria, algo similar acontecerá.
É importante entender a razão disso. De 1976 a 1989/90, a esquerda e os nacionalistas foram erradicados do mundo árabe pelos estadunidenses, em aliança com os islamistas – estes sim, islamistas duros. Então, existe um vazio e novos tipos de grupos islamistas estão surgindo. No Egito e na Tunísia, a esquerda está tentando organizar novos movimentos, partidos e esperemos que tenham êxito, mas até agora não tem forças, são pequenos, assim como em todo o mundo árabe.
O que há de comum entre esses levantamentos e as mobilizações recentes da Europa e EUA, além de serem contemporâneos?
Há dois movimentos diferentes. Um são os movimentos nos EUA e Reino Unido, que são essencialmente movimentos de protesto simbólico, ocupando espaços públicos e se mantêm só nisso. Mas são muito importantes porque, ao menos, algo está acontecendo, são movimentos em uma etapa muito embrionária, pequenos, principalmente de jovens, às vezes alguns sindicalistas, e esse é seu alcance, simbólico. Não sabemos o que acontecerá com eles. Os EUA são imensos como o Brasil, não é tão fácil organizar- se, e, na minha opinião – e isso eu disse à ocupação em Oakland –, é extremadamente importante convocar uma assembleia popular de todos os movimentos para discutir como avançar. Do contrário, se diluirão, esse é meu temor.
Outro tipo de movimento está na Espanha e Grécia, que foram movimentos imensos, não somente protestos simbólicos. Na Espanha houve imensas ocupações em Madri, Barcelona e outras cidades, mas que não formularam uma carta ou programa ainda que de limitadas exigências. É evidente que o pensam, mas não o codificaram, não o puseram num plano que pudesse unir as pessoas por um longo tempo. Por isso, apesar dos imensos movimentos, tivemos na Espanha a vitória da direita nas eleições, os movimentos não participaram da política porque dizem que “a política é suja, asquerosa, manchada”. Isso é um problema porque ou se faz uma revolução – que não é possível neste momento – ou se intervém no sistema político, tal como está, como na América do Sul, e tenta-se mudá-lo com novas constituições ou seja lá o que for. Não fizeram, e a Espanha é um grande fracasso.
Na Grécia houve seis greves gerais, movimentos massivos, mas nada de resultados, e o país está entregue aos banqueiros, literalmente. Um banqueiro foi nomeado para dirigir o país, de Papandreou a Papademos. Esse é um acontecimento interessante na Europa: os partidos políticos tradicionais já não podem dirigir o sistema. Então, agora são uma colônia da União Europeia e os alemães e estadunidenses são quem decide: “Tudo bem, tomem o governo porque não confiamos neles”. Isso é o que chamo de ditadura do capital que, de distintas formas, é o “extremo centro”, composto pela centro-esquerda e centro-direita, onde não importa quem está no poder, fazem exatamente as mesmas coisas. Contra eles é preciso uma resposta política, caso contrário, os movimentos poderão ser esmagados. Na minha opinião, era possível que os movimentos na Grécia tomassem uma cidade. Eu disse a eles: “Tomem Tessalônica! Simplesmente tomem! Capturem! Se a presença das massas é imensa, os militares não vão intervir. Convoquem uma assembleia popular, tenham delegados de todas as áreas e elaborem um programa para toda a Grécia e isso inspirará o mundo”.
Mas eles têm suficiente organização para isso?
Esse é o problema, poderiam ter feito. Creio que se houvesse 500 ou 600 pessoas pensando com clareza… Na Grécia há a combinação de mobilizações massivas e grupos escleróticos, atrofiados na esquerda. O Partido Comunista do Exterior, o Partido Comunista do Interior, cinco dezenas de grupos trotskistas que sequer podem se unir entre si, muito menos oferecer liderança às massas.
E o que há de comum entre os movimentos dos EUA e da Europa e os da Primavera Árabe?
A crise de 2008, do sistema Wall Street, ou seja, do neoliberalismo, contra o qual os políticos não são capazes de lidar por causa do “extremo centro”. Temos uma crise imensa e eles não fazem nada para desafiar a vigência do neoliberalismo e capitalismo; seguem implementando as mesmas políticas. Até economistas burgueses tradicionais os advertem que assim não se resolverão os problemas, mas eles temem fazer mudanças e abrir espaço para mais disputas.
Mas não é essa nossa esperança?
Sim, e sou otimista. Agora temos que dizer: só protestar simbolicamente não é sufi ciente. Eles [neoliberais] estão plenamente confiantes de que não existe uma alternativa a eles. Não importam os movimentos de massas. Virão e passarão e, caso se tornem muito perigosos, podem ser esmagados. A menos que haja uma crise terminal do capitalismo, os neoliberais sempre se recuperarão. Por isso que muita gente no mundo tem esperanças verdadeiras de que algo diferente possa sair da América do Sul.
O rompimento com o capitalismo não se dá porque não há vontade popular ou porque não temos uma alternativa?
Acho que temos uma alternativa, mas as pessoas ainda continuam um pouco traumatizadas pela queda da União Soviética e pela vitória do capitalismo na China. Isso fez com que muita, muita gente, tenha medo de propor alternativas. Acho que isso acabará, mas necessitamos um ou dois grandes êxitos em algum lugar para mostrar que é possível construir um mundo e uma economia que se desfaça completamente do capitalismo. Isso não aconteceu ainda. Independentemente da solidariedade com os processos da Bolívia, Venezuela e Equador, o capital permanece. E esse é o perigo para esses processos. A situação na América do Sul é de transição, podendo ir além, num bom caminho, ou retroceder, temos que estar conscientes disso.
Se olhamos objetivamente, o mundo está pedindo a gritos um sistema diferente. Essa é a imensa tragédia e a contradição em todos os níveis: na economia, nas condições de vida durante os últimos 20 anos, o tamanho da classe trabalhadora mundial, que dizem que desapareceu, na verdade passou de 1,6 bilhão nos anos de 1980 para mais de 3 bilhões agora, com a entrada do capitalismo na China, na Rússia, a expansão na Índia e até no Brasil. A classe trabalhadora mundial é imensa, mas está muito reprimida na China, na Rússia, mas está aí.
Em segundo lugar, agora está claro que a maneira como funciona o capitalismo degrada a ecologia do mundo e o clima. Qual é a solução? A economia planejada, global ou regional, onde exista grande colaboração e planejamento para salvar o planeta da devastação do capitalismo: temos que fazer isso, isso e isso. Não produziremos mais automóveis, tentaremos tirá-los de uso – não completamente: deixaremos que sejam usados para longas viagens, não dentro das cidades (nelas, teremos um sistema de transporte público). Mas os políticos não estão pensando assim, não podem nem começar a fazê-lo. Então, a necessidade objetiva do socialismo é muito forte, mas não acontece. Esses políticos e a elite capitalista que se une contra a classe trabalhadora global e os movimentos sociais não são capazes de salvar o planeta porque necessitam maximizar os vultuosos lucros, usar o dinheiro para fazer mais dinheiro. Isso é o que os determina e o que os explodirá em algum momento.
Após mais de uma década das mudanças na América Latina, quais são os resultados?
Varia de país a país, mas há um padrão que provavelmente é o mesmo. Foi extremamente importante esses movimentos tomarem o poder em eleições democráticas, derrubando um dos pilares do Ocidente, que dizia que todos esses grupos que querem mudanças são antidemocráticos. Isso foi um impacto tremendo que não se deve subestimar. As vitórias eleitorais sucessivas de Chávez na Venezuela são extremamente importantes. Primeiro, é um líder muito valente, sem medo de dizer o que pensa diante dos EUA, o que é raro. Segundo, o fato de o maior produtor de petróleo da América se mover à esquerda é um grande atraso para os EUA e é um erro pensar que eles se renderam. Andaram e ainda estão ocupados com o Oriente Médio, mas começaram a atuar novamente aqui. Em Honduras, o Esquadrão da Morte voltou ao poder; usaram colombianos com regularidade para desestabilizar a Venezuela, puseram cada vez mais pressão sobre o Brasil para que intervenha a favor de seus interesses no continente.
Hoje, pela primeira vez na história da América, não há embaixadores dos EUA na Venezuela, Bolívia e Equador. Isso reflete algo.
O PT chegou ao poder depois de uma decisão muito consciente – não foi por acidente – de não desafiar o sistema neoliberal. Não o fizeram e é por isso que por muitos anos a imprensa financeira, como o Financial Times, The Economist, dizia que existia na América do Sul o modelo bom, o Brasil, e o mau, os bolivarianos. O Brasil é o ornitorrinco descrito por Francisco de Oliveira: manteve, em nível econômico, o modelo neoliberal – Palocci era um grande –, mas em assuntos externos mudou. Disseram aos EUA: “já não faremos o que querem”, e as tentativas muito fortes de dividir Lula e Chávez foram neutralizadas. Talvez seja somente simbólico, mas foi muito importante.
Então, qual é o balanço?
É misto. Isso é um problema, mas é o mundo em que vivemos. Vemos reformas sociais, tentativas de mobilizar desde baixo, envolver esses setores, fazê- los participar no funcionamento do sistema e isso é muito positivo. Vimos imensas quantidades de dinheiro postas a disposição. Mas o fato de que o capitalismo exista com todas suas contradições também significa que não se pode lidar com o país como um todo. Qual é a causa do nível de inseguridade na Venezuela? Se houve uma verdadeira melhora das condições de vida dos pobres, por que ela acontece? É puramente interno ou parte é promovida pela intervenção colombiana para criar instabilidade? Provavelmente um pouco dos dois. Na Bolívia também houve avanços e problemas, que recentemente explodiram num confronto entre o povo e o governo, resultado da intervenção econômica de uma empresa brasileira. Portanto, são problemas que permanecem conosco e acho que a única solução em médio prazo é os governos fortalecerem e institucionalizarem estruturas desde baixo. Assim, ainda que derrotados, a estrutura se mantém alternativa ao parlamento existente e o progresso conquistado não poderá ser totalmente revertido, porque, se tentar reverter as reformas, a direita sofrerá um tremendo levante.
Então, penso que é uma situação mista. Para o resto do mundo, o que aconteceu na América do Sul é o experimento mais radical até agora – dentro do capitalismo, de acordo –, mas muito radical, porque o mundo nos disse que o Estado não deve fazer nada, o que é muito irônico agora, quando há uma tremenda crise e é preciso recorrer ao Estado.
O senhor acredita que o Brasil está promovendo um novo tipo de imperialismo?
Nos anos de 1970, tivemos este grande debate sobre se os poderes regionais poderiam chegar a ser subimpérios. Ironicamente, Cardoso [FHC] escreveu sobre isso, quando era de esquerda, na nossa revista New Left Review. Eu acho um problema, essas são as contradições do Brasil. Se fosse um governo de direita, não haveria contradições. O governo do PT permitiu que a indústria privada se metesse em sua indústria petroleira, fomentou investimentos de corporações ocidentais no Brasil e, logo, essa é sua própria lógica para operar em outros países do continente, sem ver que esses investimentos são vistos pelas pessoas desses outros países como um tipo de exploração.
É muito comparável com a Índia em partes da Ásia. Essa é a maneira como funciona o capitalismo, a menos que tenha um Estado que o controle. Todos esses projetos deveriam ser um corpo comum das repúblicas sul-americanas. O governo brasileiro provavelmente dirá: “Não depende de nós, é o capital”. Mas depende deles, sim. Eles podem controlar o capital se quiserem.
O senhor acha importante e possível um diálogo entre os processos sul-americanos e árabes?
É muito importante que ocorra. Mas os levantamentos árabes ainda não estabeleceram vínculos entre eles mesmos. Os Estados estão colaborando entre si, os movimentos estabelecem vínculos apenas episódicos, com alguns indivíduos. É extremamente importante mostrar alo que se fez na América do Sul. Quando estamos aqui, pensamos que não é suficiente, mas comparado ao que aconteceu no mundo árabe, é enorme. Quando Chávez visitou o mundo árabe há uns cinco ou seis anos e a Al-Jazeera o entrevistou por uma hora, foi a entrevista mais popular que haviam feito até então. Porque ele falou sobre o programa social da Venezuela, como estavam utilizando os recursos do petróleo e os árabes escutando- o se diziam: “Meu Deus, por que não aqui?”. O diretor da Al-Jazeera me disse que receberam mais e-mails sobre essa entrevista do que sobre qualquer outra coisa que já transmitiram. Dezenas de milhares de e-mails que perguntavam, de diferentes maneiras: “quando o mundo árabe vai produzir um Chávez?”.
E qual é a imagem do Brasil no Oriente Médio?
Não creio que o Brasil tenha uma imagem. As pessoas pensam, desafortunadamente, em outros continentes neste momento. A Venezuela é uma exceção. Chávez, basicamente, pôs a Venezuela no cenário mundial. É o único país sulamericano que de verdade é bem conhecido, pelo programa bolivariano. Não creio que o Brasil tenha uma imagem, boa ou má.
O Fórum Social Mundial (FSM) estabeleceu um diálogo entre organizações políticas de todo o mundo e o senhor participou bastante disso. O FSM poderia ser um espaço de encontro desses levantamentos hoje?
Não estou tão convencido disso porque, quando o FSM começou, era extremamente importante, era a primeira vez, desde o grande triunfo do capitalismo, que as pessoas de todo mundo que pensavam que era preciso outra coisa começaram a se encontrar para dizer uns aos outros: “Oi! Você ainda está aqui! Que bom!”. Nesses anos existiam movimentos sociais grandíssimos, que podiam ser reconhecidos, que tinham representantes identificáveis. Tínhamos movimentos e ONGs, com contradições entre eles em alguns casos. As ONGs, por sua natureza, são obrigadas por seus patrocinadores a não serem políticas e se concentrarem em um tema, como una fábrica em particular em um país em particular. Como resposta aos problemas do mundo isso não é sufi ciente. Muitas ONGs na Ásia e no mundo árabe foram advertidas por seus patrocinadores para não se oporem à guerra no Iraque. Então, agora, com os movimentos sociais debilitados e com as ONGs dominado totalmente o FSM, acho que ele não é tão relevante. Deixei de ir aos FSMs nos últimos anos. Os de Porto Alegre foram muito importantes, mas os que se levaram a cabo agora... converteram- se em uma espécie de simbolismo. Nada é feito. Só te faz sentir bem por dois ou três dias. E agora tampouco te faz se sentir tão bem. Muita gente pobre não pôde chegar aos fóruns organizados na África porque eram muito caros. Seus organizadores têm que se perguntar: “Para que estamos organizando isso? Qual é o objetivo do FSM?” Porque o mundo mudou desde os primeiros fóruns, para melhor em alguns casos, e creio que o mais importante agora é o fortalecimento regional, unir as forças progressistas na América do Sul, unir as forças progressistas no mundo árabe, unir as forças progressistas na Europa contra os banqueiros e a burocracia que não foi eleita. Nisso que acho que devemos nos concentrar. E com as novas iniciativas estadunidenses, é muito importante criar um movimento de oposição na região do Pacífico.
QUEM É
Escritor e cineasta, Tariq Ali, 68, é paquistanês radicado na Inglaterra desde a juventude, onde cursou Ciências Políticas e Filosofia na Universidade de Oxford. Escreveu mais de duas dezenas de livros sobre história mundial e política e sete novelas. É editor da revista New Left Review, assessor da Telesul e articulista frequente em jornais como The Guardian e The Independent.
POR: Heloisa Gimenez, Marcio Rabat e Vinicius Mansur - Jornal Brasil de Fato
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Ditadura militar nos dias atuais
O que estamos presenciando neste ano de 2012 são resquícios de uma ditadura militar
que pensei que já havia acabado faz anos.
Mas o que a polícia esta fazendo em especial nas universidades seja pública ou particular mas mais voltado para as públicas são as mesmas atitudes repressora que a esta realizou na ditadura militar.
Estão reprimindo o estudante de ter voz e seus movimentos, o estudante tem que aceitar calado
uma imposição de uma reitoria que nada ajuda o estudante e nem o apoia(fato acontecido na USP).
chegamos a um ponto crítico de que até professores estão sendo presos perseguidos e também
não podem se quer fazer um movimento de greve, (fato acontecido na UNIR)a atitude policial foi ridícula, levar um professor preso sem um motivo plausível.
A ditadura acabou mas a atitude opressora da polícia não, eles ainda tem em sua maioria
heranças de policiais que participaram e isto está passando para novas gerações de policiais.
até quando temos que aguentar esta situação? Até quando vamos ficar sendo oprimidos de nosso direito de protestar?
De se organizar enquanto classe estudantil ou classe de professores para revindicar melhorias de condição de trabalho?
Lembro de como foi tratada a greve dos professores estaduais em Minas como foi a reação da polícia e do Governador Anastasia. O caso do professor preso no Ceará.
A ditadura militar acabou faz 26 anos mas o que estamos presenciando nos dias atuais são as mesmas atitudes de mais de 26 anos atras.
A polícia precisa urgentemente mudar suas atitudes porque professores e estudantes não são bandidos, mas estão sendo tratados como se fossem bandidos da pior espécie.
O atual governo brasileiro está investindo em educação desde a de base até a de nível superior, mas nada adianta se a polícia chegar e prender e bater e acusar toda hora que um movimento estudantil dentro de uma universidade ou escola.
A mídia ainda influencia esta situação isso quando a notícia vai para os canais de mídia e quando vão são destorcidos por uma mídia reacionária direitista colocando professores e alunos como os drogados os errados e que a polícia só estava fazendo seu trabalho de conter a desordem e o caos imposto por tais meliantes chamados estudantes e professores.
Temos que dar um basta já nesta situação porque a situação só tende a piorar cada vez mais uma atitude opressora da polícia e mais violenta atirando batendo e depois perguntando como acontecia na ditadura.
POR; Ohiama Aires(eu mesmo) estudante de História da UNIFAL MG
Cristianismo perdeu espaço nos últimos cem anos, diz pesquisa
Proporção de cristãos no mundo caiu de 35% para 32%; Europa e América registraram queda, ao contrário da África
A proporção de cristãos no mundo diminuiu nos últimos cem anos. A conclusão é de um estudo global realizado pelo instituto Pew Research Center divulgado nesta segunda-feira (19/12). Em números absolutos, segundo a pesquisa, os seguidores do cristianismo quase duplicaram de 600 milhões para mais de 2 bilhões de 1910 até o ano passado. Entretanto, esse crescimento segue a o crescimento da população mundial, de 1,8 bilhões para 6,9 bilhões no mesmo período. Como resultado, o percentual de cristãos no mundo caiu de 35% para 32%.
Outro dado relevante do estudo “Cristianismo Global: informe sobre o tamanho e distribuição da população cristã no mundo” é a diminuição da influência da religião nos dois continentes onde ela possui tradicionalmente sua maior base de seguidores. Na Europa a proporção caiu em 19 pontos percentuais, de 95% para 76%. Entre os europeus, a fé cristã responde a 76% (contra 95% no passado), contra 86% dos americanos (que eram representados por 96% em 2010). Juntos, os dois continentes representam 63% da população cristã no mundo, contra 93%em 2010.
O estudo não comparou o cristianismo com outras religiões. Entretanto, comparado com estudos anteriores do próprio instituto Pew, os muçulmanos representam 1,6 bilhões de pessoas (ou 23,4% d população mundial).
Por outro lado, a religião apresentou um crescimento altamente significativo na África sub-saariana, área relativamente pouco habitada por cristãos no início do século XX. Nessa porção do continente africano, que não corresponde aos países locais de origem árabe e sob forte influência do islã, a proporção cresceu de 9% em 1910 para 63% em 2010. Houve também registro significativo de crescimento na da Ásia e do Oceano Pacífico (sem contar o Oriente Médio). Lá, os cristãos subiram de 3% para 7%.
(Praça de São Pedro-Vaticano)
Segundo o Pew Research Center, conclui-se que o cristianismo está mais espalhado pelo mundo, tornado-se uma religião “mais global“ e menos concentrada no Ocidente.
O estudo é baseado em dados oficiais de todos os países, utilizando-se de mais de 2.400 fontes, incluindo censos e pesquises de abrangência nacional representativas. Em alguns países como a China, por exemplo, o Pew levou em conta estatísticas de grupos relacionados a igrejas.
Diversidade
Segundo o Pew, o catolicismo também permanece como a corrente majoritária, com 1,1 bilhão de seguidores. O Brasil é o país com mais católicos: 133,660 milhões, ou 68,6% de sua população. Esse número equivale a 12% dos católicos no mundo. É seguido em números absolutos pelo México (96 milhões), Filipinas (75 milhões), Estados Unidos (74 milhões) e Itália (50 milhões).
Os protestantes chegam a 801 milhões de fiéis. Apesar de suas origens europeias, eles estão mais representados em outros continentes. Os Estados Unidos são o país onde estão mais representados, com 159 milhões de seguidores (51% de sua população e 20% do total no mundo). São seguidos pela Nigéria (59 milhões), China (58 milhões, embora estes representem somente 4,3% de sua população), Brasil (40 milhões, ou 20,8% de sua população, equivalente a 5,1% no mundo) e África do Sul (36 milhões). Só depois aparece um país europeu: o Reino Unido, berço da Igreja Anglicana, com 33 milhões de pessoas.
Os ortodoxos somam 60 milhões e estão majoritariamente na Rússia (39%) e em outros países do leste europeu e da África. Correspondem a 12% da população cristã. Outras correntes não chegam a 1% da representatividade cristã, incluindo mórmons e Testemunhas de Jeová.No total, somam 28 milhões de pessoas ao redor do mundo.
No total de cristãos, os EUA são o país com maior população (246 milhões, ou 79,5%), com o Brasil em segundo lugar (175 milhões, com 90%).
Outros dados
Os cristãos são a religião majoritária em 158 países. Já a região com menor concentração de cristãos é Oriente Médio, com 4% - região predominantemente muçulmana. Já na Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo, abriga mais cristãos do que vinte países africanos de maioria cristã combinados. Cerca de 90% dos cristãos, ainda segundo o Pew, moram em países onde representam a religião majoritária.
O Primeiro dia da História
Reportagem publicada em 1999
Descobertas arqueológicas de textos no Egito e Paquistão põem em duvida na crença de que a escrita tenha surgido primeiro na Mesopotâmia
Tudo começou quando um homem empunhou um graveto para rabiscar sinais numa placa de argila ainda mole. Depois que a peça endureceu, ele leu os riscos que havia feito como letras de uma palavra – a primeira escritura produzida pela humanidade. Nesse instante, terminou a Pré-História, nome que se dá ao período anterior à invenção da escrita, e começou a História.
Até o ano passado, acreditava-se que esse momento de transição teria ocorrido há cerca de 5 000 anos, na Mesopotâmia, atual Iraque. A região era ocupada pelos sumérios, que já cavavam canais de irrigação para fazer agricultura em grande escala. “Depois que aprenderam a controlar a produção de alimentos, eles foram os primeiros a se agrupar em cidades com uma administração central. Isso os forçou a criar um modo de organizar a sociedade”, conta o maior especialista brasileiro em escrita mesopotâmica, Emanuel Bouzon, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. “Para tanto, aprenderam a escrever antes que os outros.”
Desde o ano passado, porém, a história da escrita está sendo reescrita. Novos achados arqueológicos, a milhares de quilômetros dos sumérios, sugerem que a idéia ocorreu a diversos povos ao mesmo tempo. Um deles foi anunciado no Egito, em dezembro de 1998, pelo arqueólogo Günter Dreyer, do Instituto Arqueológico Alemão. Escavando uma tumba real na margem do Nilo, em Abidos, ele desenterrou 180 placas de barro com formas rudimentares de hieroglifos, a escrita dos faraós. Elas podem ter sido gravadas há até 5 400 anos – três séculos antes das sumérias.
Em maio de 1999, os americanos Jonathan Kenoyer, da Universidade de Wisconsin, e Richard Meadow, da Universidade Harvard, jogaram ainda mais lascas na fogueira. Encontraram, no atual Paquistão, pedaços de vasos com garranchos modelados há 5 300 anos pelo povo dravda, os construtores de Harappa, umas das grandes cidades da Índia antiga.
Ainda não há consenso sobre as descobertas. “Mas a importância dos achados é incontestável”, afirma à SUPER o egiptólogo John Baines, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ele desconfia que os manuscritos egípcios não são mais antigos que os mesopotâmicos. Apesar disso, indicam que a arte de registrar palavras por sinais estava sendo desenvolvida em mais de um lugar na mesma época. Os grafites paquistaneses, embora também contestados, reforçam essa conclusão. O dia mais importante da História tanto pode ter acontecido às margens do Nilo quanto no deserto iraquiano ou, ainda mais longe, nos vales da Ásia.
Em busca do texto perdido
Nenhum dos sinais gráficos encontrados no final do ano passado no Egito ou na Índia pode ser lido ou interpretado ainda. Ninguém sabe exatamente o que querem dizer. Mas está claro que não são meros desenhos. Os cientistas não têm dúvida de que representam, realmente, palavras gravadas na argila. No caso dos símbolos egípcios, é possível imaginar até que teriam sido proto-hieroglifos, ou seja, precursores dos hieroglifos – a escrita que usa figuras estilizadas no lugar das letras, adotada pelos faraós. Desde 1822, graças à descoberta da Pedra da Rosetta , é possível traduzir as frases hieroglíficas, que, de fato, lembram as marcas recém-encontradas perto do Rio Nilo, inscritas em 180 retângulos de barro secos ao sol.
Cada placa retangular mede 3 centímetros de altura por 2 de largura e tem um furinho no canto, como se fosse uma etiqueta moderna. Assim, podiam ser penduradas num vaso por meio de um cordão. Foram achadas, junto a cacos de cerâmica, no túmulo de um soberano chamado Escorpião. Na sua época, o Egito ainda não era um império unificado. Escorpião era o mandachuva de um dos vários reinos independentes. O posto de faraó ainda não existia.
“As placas contêm uma grande variedade de sinais e, pela maneira como estão dispostas, deduzimos que formam palavras”, diz Dreyer. O egiptólogo brasileiro Antonio Brancaglion, da Universidade de São Paulo, que já foi a Abidos e sabe ler hieroglifos, concorda com o alemão. “Os sinais já se parecem com os que seriam usados séculos depois. Reconheci vários deles.” Brancaglion especula que as etiquetas serviriam para identificar a cidade de origem de mercadorias possivelmente guardadas nos vasos de cerâmica. Também poderiam ser uma espécie de recibo para indicar quais cidades já teriam pago tributo ao rei morto.
O problema com as descobertas feitas no Paquistão é mais complicado. Primeiro porque, ao contrário dos hieroglifos, a língua do povo dravda, que habitou a Índia e o Paquistão naquele período, não foi decifrada até hoje. Quase nada se sabe sobre a sua cultura, o que torna ainda mais difícil identificar e compreender os achados. Os restos arqueológicos recém-descobertos não ajudam muito. Na verdade, não passam de cacos de cerâmica que Richard Meadow e Jonathan Kenoyer tiraram das ruínas da cidade de Harappa, a mais importante daquela região, no passado. Dois dos fragmentos têm 5 300 anos. Os outros, cerca de 5 000 anos.
Por um galho
Os americanos se intrigaram com um símbolo gravado nos estilhaços. Trata-se de uma imagem semelhante a um galho, ou a um tridente, que já havia sido vista em peças que integram textos bem mais recentes da civilização harapana, de 2 500 a.C., que se supunham os mais antigos da Índia até então. É esse rabisco em forma de ramo que a dupla de arqueólogos acredita ser a mais antiga mensagem gravada pela civilização indiana-paquistanesa. Talvez a mais antiga do mundo se a datação das inscrições de Abidos não for comprovada.
Muita gente discorda. “Eu não acredito que a ‘escrita antiga’ deles sequer seja escrita”, demole Gregory Possehl, da Universidade da Pensilvânia. “São simples símbolos isolados, que não têm significado e não se combinam.” A crítica é pesada. Mas não desanima a equipe de Harappa. “Achamos que ainda vamos conseguir evidências mais firmes, talvez no próximo ano”, disse à SUPER o americano Kenoyer, por telefone. “Ainda temos 90% da cidade para escavar. Isso é só o começo”, afirma. Como ninguém jamais pesquisou períodos tão antigos de Harappa, a chance de êxito é boa.
Quem foi o primeiro?
As primeiras escritas do planeta surgiram quase ao mesmo tempo, mas apresentam características muito diferentes.
Mesopotâmia
Bem antes de escreverem com caracteres cuneiformes (feitos por cunhas ou estiletes), os sumérios contavam usando fichinhas desenhadas. Dez fichas com cabeça de carneiro significavam um rebanho de dez carneiros. Esse sistema precursor da escrita reforça a idéia de que foram eles os primeiros escribas.
Egito
Até o ano passado, todos os hieroglifos conhecidos eram tão complexos, e não havia sinal de uma grafia mais primitiva, que alguns historiadores achavam que eles não haviam sido inventados no Egito, mas importados prontos. Teriam sido apropriados dos mesopotâmicos e aperfeiçoados. Mas a descoberta dos textos de Abidos enfraquece essa tese.
Índia
A primeira língua da região é totalmente desconhecida, porque foi suprimida por invasores no terceiro milênio antes de Cristo. Restaram só os cacos encontrados nas duas principais cidades da região, Harappa e Mohenjo Daro. Por isso, é muito difícil estudar e traduzir a escrita dravda.
“Dá para ver claramente que há símbolos conectados nos vasos. Não tenho dúvidas de que é escrita e a mais antiga já encontrada. É um dos achados mais importantes dos 23 anos em que trabalho na região.”
Jonathan Kenoyer e Richard Meadow, arqueólogos americanos que encontraram as inscrições dravdas no Paquistão.
“Quando abrimos o túmulo achamos belas e muito interessantes etiquetas. Mas, só depois de meses no laboratório estudando seu significado e determinando a datação, percebi que era a descoberta mais emocionante desde que comecei a escavar no Egito, em 1973. Seus sinais são muito complexos e não tenho dúvidas sobre a idade.”
Günter Dreyer, do Instituto Arqueológico Alemão do Cairo, que achou textos arcaicos em Abidos, Egito.
Ninguém gosta de perder dinheiro
Escrever, para os egípcios antigos, era uma ação nobre. Eles acreditavam que a palavra falada era criadora e que as letras haviam sido inventadas pelos deuses com a função sagrada de perpetuar a construção do Universo, que nunca termina. Cada sentença registrada em pedra ou papiro, a cada novo dia, era um pouco do Cosmo nascendo.
Mas os arqueólogos contemporâneos estão descobrindo que as letras surgiram por um motivo bem mais mundano: grana. Até recentemente, as inscrições egípcias mais antigas conhecidas louvavam deuses e os faraós. Mas não as peças desenterradas em Abidos. “Tudo indica que a função das etiquetas nos vasos era a de administrar a circulação de produtos e o pagamento de tributos”, diz Dreyer.
Já se suspeitava que a economia estava por trás também dos primeiros textos da Mesopotâmia. “Desde o começo, eles ajudaram na administração do governo”, diz Emanuel Bouzon. As mais antigas tábuas de argila sumérias trazem anotações de quantidades de produtos (veja a foto à esquerda). Bouzon explica que elas apareceram justamente quando surgiram as primeiras cidades, como Uruk, no atual Iraque, que é do quarto milênio antes de Cristo. “Aí, tornou-se necessário um funcionário que registrasse tudo para contabilizar a produção e distribuí-la entre os cidadãos.” Com a agricultura, o homem abandonou o nomadismo e sedentarizou-se, criando aldeias permanentes que deram origem a cidades e novas relações comerciais e sociais.
Ou seja, a escrita foi inventada para organizar uma sociedade que se tornou complexa. O achado de Dreyer confirma isso – a unificação do grande império dos faraós se deu só dois ou três séculos depois do reinado de Escorpião, onde já havia proto-hieroglifos. “Quanto mais antigas as inscrições, torna-se mais claro que elas surgiram simultaneamente à civilização das cidades”, diz Brancaglion. No caso da Índia, fica difícil afirmar, porque ninguém ainda entende o significado das possíveis letras. Mas também lá as datas coincidem com o aparecimento dos primeiros centros urbanos.
Será coincidência?
Isso explica por que povos tão distantes acharam soluções tão parecidas. “Eles chegaram à mesma idéia ao mesmo tempo porque tinham as mesmas necessidades”, especula Bouzon. Só que nem todos os pesquisadores concordam. “A idéia de escrever pode ter sido transmitida”, diz o egiptólogo Baines. “Não que um povo tenha copiado a escrita do outro em detalhes. Afinal não há nenhum sinal em comum entre eles. Mas acho que há conexões entre os sistemas da Mesopotâmia, do Egito e da Índia.” Comerciantes que cruzavam os desertos da Ásia em caravanas podem ter visto a novidade, achado bacana e contado a alguém em casa.
Alguns séculos depois, no terceiro milênio antes de Cristo, os antigos perceberam que a nova ferramenta, além de facilitar as contas, era o melhor jeito de se dirigir aos deuses, guardar a História e fazer poesia. Daí para os livros sagrados, papiros, enciclopédias, CD-ROMs, jornais e revistas, como a SUPER, foi só um passo.
Para saber mais
Lendo o Passado, J.T. Hooker (org.), São Paulo, Edusp, 1996.
POR:Denis Russo Burgierman Revista SUPERINTERESSANTE julho de 1999
sábado, 17 de dezembro de 2011
Palestinos buscam reconciliação e trocam luta armada por resistência pacífica
No dia 28 de novembro, Mahmoud Abbas – presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina) e líder do Fatah – e Khaled Meshaal – líder do Hamas no exílio em Damasco – encontravam-se no Cairo para iniciar o processo de reconciliação entre as duas maiores facções da política palestina. Enquanto isso, no Brasil, representantes da esquerda e de movimentos sociais palestinos discutiam formas para sua reorganização enquanto estreitavam laços com setores da esquerda brasileira, durante o I Encontro de Solidariedade do Povo Palestino, ocorrido na Escola Florestan Fernandes).
Aqui, as dificuldades da reorganização política ficaram claras. O problema passa pelas últimas décadas do conflito, da sociedade onde viveram as gerações que hoje protestam dentro dos Territórios Ocupados. As agendas dos tradicionais movimentos de esquerda organizados agora convivem com iniciativas fragmentadas que partem de Comitês locais na tentativa de reestruturar a resistência, tirá-la dos escombros de dois acontecimentos que destruíram não apenas a política, mas toda a sociedade palestina: as consequências dos Acordos de Oslo – desde sua assinatura, em 1994, até 2000 – e a 2ª Intifada e a repressão do exército israelense, de 2000 até 2008.
Aqui esteve Leila Khaled, a notória membro da FPLP (Frente Popular pela Libertação da Palestina), uma terrorista de alta graduação aos olhos do governo israelense. Nos olhos palestinos, apenas admiração. Ela é um símbolo da resistência. Aos 24 anos, em 1969, foi a primeira mulher a realizar (ao lado de Salim Issawi) o sequestro um avião por motivos políticos. Ao assumir o controle do avião, disse no alto-falante: “Senhoras e senhores, sua atenção por favor, gentilmente apertem seus cintos. Esta é sua nova capitã falando. A unidade de comando Che Guevara da Frente Popular pela Libertação da Palestina...” (o relato está no site do filme de Lina Makhboul, “Leila Khaled Hijacker”). O avião foi desviado para Damasco. Lá, dois israelenses foram mantidos prisioneiros e depois libertados por 71 soldados sírios e egípcios.
Leila mora na Jordânia e ainda hoje milita pela FPLP. Seu discurso teve que se adaptar às novas realidades do conflito palestino-israelense, mas suas convicções são inflexíveis. “Nossa revolução explodiu em 1967, e então existiam apenas duas facções, o Fatah e a FPLP. Depois, outras organizações emergiram. Estamos todos sob a OLP (Organização pela Libertação da Palestina), esta é nossa Frente Nacional que representa todos os palestinos, aqueles dentro e aqueles fora da Palestina”. Leila poderia estar querendo reforçar o passado ou dar uma aula de história da resistência. Mas com certeza não faltou a alfinetada contra as atuais facções de poder da política palestina que se encontravam no Cairo. A prioridade é reconstruir a OLP, “construir uma unidade nacional entre todas as facções, seja entre islamitas, sectários, marxistas, entre as diferentes ideologias. E temos um documento, um programa iniciado pelos prisioneiros em 2008 e todos nós assinamos, inclusive islamitas, no Cairo. Agora temos que implementá-lo”.
Renovação pacifista
Longe dos círculos de partidos está uma nova geração de ativistas e militantes palestinos surgida das vilas que enxergam de perto os Muros e o aumento da construção de assentamentos nos Territórios Ocupados. A geração que teve que burlar os toques de recolher do exército israelense durante a 2ª Intifada.
A resistência armada foi deixada de lado. Hoje, os palestinos marcham semanalmente sob a bandeira da resistência pacífica. A vila de Bil´in, a 20 minutos de Ramallah, virou o símbolo dessa luta. Desde 2005, quando o trecho do Muro israelense na Cisjordânia começou a ser construído em parte de terras da vila, eles começaram os protestos. Eram marchas apenas paramentadas com bandeiras e gritos de libertação. Enquanto Abdallah Abu-Rahman estava no Brasil, seu companheiros de vila tentaram montar uma tenda de apoio a agricultores em uma parte da terra que foi devolvida a Bil´in em junho deste ano. Sim, depois de 6 anos de protestos, cerca de metade da terra tomada foi devolvida. “Foi uma pequena vitória reconquistar uma parte de nossa terra. Em 23 de junho, removeram a antiga rota do Muro, mas tomamos a decisão de continuar nossa resistência, pois ainda temos a nova rota do Muro em parte de nossas terras e o assentamento de Talpyot Leste”.
Outras vilas seguiram o modelo. Alma´sara é uma delas. Mahmoud Zuahre é um dos líderes do Comitê Popular da vila. A organização coordenada das vilas ganha corpo com o tempo. Hoje são 16 vilas no Comitê de Coordenação Popular das Vilas, e 21 que usam das manifestações de sexta-feira para protestar contra o Muro e assentamentos. “Com o Comitê de Coordenação, construímos a estrutura dos Comitês Populares , com um representante de cada Comitê de vila na Coordenação. Assim, construímos a capacidade dos ativistas com a mídia, com a lei internacional e fazemos treinamentos de diferentes atividades. Essa é uma forma para construir o movimento social na Palestina para continuar a resistir”.
A resistência mudou. E apesar de parecer descontente, Leila entende a atual situação nos Territórios Ocupados. “Nosso povo tentou todos os meios. A luta armada, a 1ª Intifada, popular, com pedras, e a 2ª Intifada, armada. O resultado, da 1ª, foram os Acordos de Oslo, que não trouxeram nenhum de nossos direitos e nem tocou nas questões centrais. A 2ª foi um levante militar violento, com armas. Claro, o balanço de forças é favorável aos israelenses, não a nós”.
Abdallah ao responder como a resistência mudou da armada para a pacífica, parecia tentar mais uma vez se justificar a Leila. “Enquanto a ocupação estiver na nossa terra, temos o direito de usar todo tipo de resistência. E eu respeito Leila Khaled. Mas eu disse a ela, sobre a minha estratégia... a 2ª Intifada não foi boa para nós. Os israelenses foram bem-sucedidos em usar esta forma de resistência contra nós. E por isso, nesse momento, especialmente depois do 9/11 e o retrato da mídia de que quem usa a resistência militar é um terrorista, a resistência pacífica agora é um meio melhor. Eu expliquei isso à Leila Khaled, ela me ouviu e respeitou minha luta e minha estratégia sobre o que acontece”.
Ainda que Leila Khaled enxergue o balanço de forças desfavorável à uma luta armada palestina, ainda acredita nela, diz que “com tal inimigo e com tal ocupação, quando esta força reacionária se volta contra nós, não podemos encará-la com flores, temos que encará-la com luta armada”.
O futuro mesmo para a resistência pacífica ainda é nebuloso. As facções palestinas se envolvem em negociações que muitos hesitam em esperar grandes resultados. A ocupação dos Territórios deve escalar, com os colonos e o aumento dos assentamentos. Uma escalada de conflitos pode ocorrer. “Quando a ANP foi à ONU, os colonos começaram uma campanha para que sionistas fossem até a Cisjordânia. Por outro lado, nós lançamos, como Comitês Populares, a campanha ‘Nos recusamos a morrer em silêncio’ para proteger os fazendeiros. Sabemos o quanto será perigoso, se ficarmos em silêncio. Pode ocorrer o mesmo que ocorreu em Deir Yassin. É a repetição da história”, diz Mahmoud. Ele admite que mesmo que haja uma coordenação “nacional” na Cisjordânia, a resistência dos protestos não pode atacar todos os problemas da ocupação. “Acho que o que estamos fazendo é aquecer a situação em direção à Terceira Intifada”.
Trailer do documentário Budrus, que narra a história da vila de Bil´in: http://www.youtube.com/watch?v=ff7rScVrbos&feature=player_embedded#!
FONTE: http://operamundi.uol.com.br
Tucano promete cumprir lei e depois recorre contra na Justiça
A mídia não registra coisa nenhuma, faz de contas que não teve conhecimento e não saem notas, nem sequer nos onlines. Mas, o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin está agindo, como se diz popularmente, com mão de gato.
Primeiro ele foi à mídia e com o foguetório e estardalhaço que lhe são habituais - nesta 3ª vez em que é governador do Estado - anunciou que não cumpriu até agora, realmente, mas que a partir de 2012 vai cumprir, na parte relativa à carga horária, a lei do piso salarial nacional de professor instituída pelo ex-presidente Lula.
Providências, medidas, algum ato, no sentido de cumprir a promessa? Nenhum. Antes disso, e menos de uma semana depois do "espetáculo midiático", na surdina, bem por baixo do pano, o governador entrou na Justiça no último dia 13 contra a lei exatamente na parte relativa à carga horária de professor. Questiona sua legalidade. Não quer mais cumprir.
A denúncia foi feita pela Maria Izabel Noronha, presidenta da Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), leia seu artigo, intitulado "Governo Estadual se contradiz e ingressa com recurso contra aplicação da lei do piso ". http://www.apeoesp.org.br
POR: José Dirceu
CNI/IBOPE mostra o quanto a população está cansada do denuncismo
Não adiantou, não colou, como se diz popularmente. Fracassou redondamente a estratégia da oposição e da mídia de ressuscitar o denuncismo da velha UDN (partido que existiu 1945-1965) para tentar atingir a administração Dilma Rousseff, desestabilizar o governo e rachar a base aliada.
Tem surtido efeito contrário. Quanto mais atacam e mais intensificam e esticam no tempo o bombardeio de denúncias - mesmo quando o assunto já se esgotou e fica superado - mais crescem o apoio e a aprovação populares à presidenta Dilma Rousseff e a seu governo, conforme atestam os levantamentos feitos junto à opinião pública.
Tem surtido efeito contrário. Quanto mais atacam e mais intensificam e esticam no tempo o bombardeio de denúncias - mesmo quando o assunto já se esgotou e fica superado - mais crescem o apoio e a aprovação populares à presidenta Dilma Rousseff e a seu governo, conforme atestam os levantamentos feitos junto à opinião pública.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Na USP, greve estudantil seguirá em 2012
Calourada 2012 receberá os bixos com debates, teatros e shows
Estudantes que ingressarão na Universidade de São Paulo (USP) em 2012 serão recebidos com debates, teatros, shows-protesto e manifestações para esclarecer e discutir a movimentação estudantil impulsionada desde o dia 27 de outubro, quando os universitários entraram em confronto com a Polícia Militar (PM) no campus Butantã.
Ao contrário do que ocorre tradicionalmente, a Calourada Unificada de 2012 será realizada pelo comando de greve da USP e não pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). Assim, em pelo menos um dia, os bixos de todos os cursos participarão das mesmas atividades da USP.
“Estamos preparando uma calourada política. Será bastante interativa e busca a unidade dos estudantes. Queremos que os ingressantes tenham todo o conteúdo político necessário para tomar uma posição e ingressar na luta o mais depressa possível”, afirma o delegado do comando de greve e estudante do curso de Ciências Sociais, Alcides Moreno.
Entre as atividades, está prevista uma caminhada por locais que marcaram a mobilização em 2011 como os prédios da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e da reitoria da Universidade, que foram ocupados para exigir do Reitor João Grandino Rodas um posicionamento a respeito de ter autorizado a PM a entrar no campus sem autorização da comunidade acadêmica e sobre os processos imputados contra os opositores da sua gestão.
Também serão organizados debates com a presença de professores, funcionários e intelectuais e a exibição da peça “Auto dos 99%” pela Companhia Antropofágica. Estudantes do Chile, Estados Unidos, Egito e Inglaterra também estão sendo contatados para participar da calourada e falar sobre suas manifestações políticas. O comando também está organizando ônibus para que alunos dos campi do interior também participem das atividades.
Para Joana Franco, estudante do curso de Letras e também delegada do comando de greve, os calouros devem aproveitar o momento para politizar o debate. “Gostaria de dizer aos bixos que conheçam o movimento estudantil, participem dos debates e reconheçam a importância da luta que estamos travando aqui. Sobre a [situação com a] PM, a falta de democracia na universidade, etc., espero que possam conhecer mais no decorrer das primeiras assembléias”, afirma.
Além de ser uma das recepções mais politizadas dos últimos anos, para Alcides, a calourada será uma oportunidade de conhecer e discutir as reivindicações estudantis de modo diferente ao que foi colocado pela cobertura da grande mídia. “Esse movimento não se trata da legalização da maconha, como a grande mídia tem vinculado, mas trata da estrutura de poder da universidade, dos abusos cometidos pela reitoria e pelos órgãos burocráticos”, destaca.
Os delegados
O comando de greve reúne estudantes de cursos que estão ou não em greve. Cada integrante deste fórum é eleito a partir de 20 votos de estudantes nas assembléias de cursos.
Em reunião para organização da calourada no dia 11 de dezembro, na sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE), mais de 100 delegados estavam presentes, incluindo representantes da USP de São Carlos.
Os cursos que têm estudantes delegados no comando de greve são: Arquitetura, Artes Cênicas, Artes Plásticas, Audiovisual, Biologia, Ciências Sociais, Design, Direito, Educação, Educação Física, Engenharia Ambiental, Filosofia, Física, Geografia, História, Instituto de Matemática e Estatística – IME, Jornalismo, Letras, Nutrição, Psicologia, Publicidade e Propaganda, Relações Internacionais, Relações Públicas e a Pós Graduação.
Já os cursos que permanecem em greve na USP são: Arquitetura, Artes Cênicas, Audiovisual, Biblioteconomia, Ciências Sociais, Educação, Geografia, História, Letras, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Turismo e a Pós Graduação.
Por que protestam os estudantes
Desde que se iniciaram as manifestações contra a presença da Polícia Militar no campus Butantã, as assembléias estudantis tem sido lotadas e percorrem as unidades escolares. A última assembleia do ano, ocorrida na Escola de Comunicações e Artes (ECA), reuniu 1500 estudantes, em período em que muitos tiveram que fazer provas e entregar trabalhos.
Os estudantes dizem que a Polícia Militar não traz segurança ao campus. Eles recordam a ação de junho de 2009, quando a Corporação destruiu piquetes feitos por funcionários em greve e agrediu com bombas e balas de borracha manifestantes que realizavam protesto. Atualmente denunciam que a PM faz revistas truculentas e está mais disposta a abordar negros e pobres.
“A atuação da PM nunca esteve de acordo com o tipo de atuação que se espera dentro de uma Universidade. Além disso, a maioria dos estudantes é contra a atuação dela em qualquer lugar, já que é uma polícia especializada historicamente em repressão a movimentos sociais. O problema da segurança é um discurso oportunista do reitor para colocar a polícia no campus”, explica Joana.
O policiamento militar na USP foi intensificado desde a morte do estudante de Ciências Atuariais, Felipe Ramos de Paiva, em 18 de maio deste ano, depois de reagir a um assalto. Na ocasião, a PM estava presente, mas não conseguiu evitar a tragédia. Baseado no argumento da segurança, um convênio foi assinado pelo Reitor João Grandino Rodas e a Corporação em 08 de setembro.
“Quando houve o assassinato do rapaz [no estacionamento] da FEA (Faculdade de Economia e Administração), os alunos não pediram polícia, pediram mais iluminação. Quem cantou a bola da PM foi o Rodas. Trazer a polícia pro campus tem consequências muito mais extensas que a mera segurança, e é para isso que atentamos”, destaca Joana.
“Eu acredito que a questão não é simplesmente a PM dentro ou fora da USP. A USP conta com praças, parques, bibliotecas e que são de uso exclusivo de uma parcela muito pequena da sociedade. Se a USP não é uma bolha, por que só a PM tem passe livre para dentro de seus muros? A universidade é segura? Não! Por quê? Porque é vazia, porque impede a circulação de pessoas”, acredita Alcides.
Segundo ele, a reitoria tenta transferir para o Estado a responsabilidade de promover segurança dentro do campus, que poderia ser feita, por exemplo, com uma guarda universitária treinada. “E essa transferência de responsabilidade fere a autonomia universitária. Acredito que existam outros meios para vivermos em uma universidade segura que não envolva o aparato repressor do estado. A PM não traz segurança porque não é esse seu objetivo. Ela existe para fazer a manutenção da ordem social”, destaca.
Além da presença da polícia, estudantes denunciam que o reitor João Grandino Rodas tem realizado repressão política contra quem é contrário à sua gestão. Somado os 73 alunos presos durante a desocupação da reitoria em 8 de novembro, outros 26 estudantes e sindicalistas do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) estão sendo processados em razão das suas posições políticas.
Os processos são baseados no regimento disciplinar da USP, feito para ser provisório, mas que vigora desde 27 de março de 1972 e pune atos políticos como a divulgação e a colagem de cartazes e ações que atentam à moral e aos bons costumes.
“Fora isso, há espionagem dentro do movimento estudantil. Há denúncias de que a guarda universitária ouve e registra as assembleias de estudantes e funcionários. Já a Polícia está sempre filmando e fotografando as manifestações, sem falar no helicóptero ‘olho de águia’ que sempre sobrevoa a USP”, pontua Joana.
“Realmente hoje na USP a liberdade de expressão política é restrita. Você não pode se articular fora do plano das idéias. Não pode realmente tentar mudar as coisas. Digo isso tendo como exemplo a ocupação da reitoria em 2011. Ali tinha dezenas de estudantes cobrindo seus rostos para não sofrerem processos administrativos. E o que isso significa? Significa que a reitoria pune sem pesar aqueles que se levantam contra os abusos que estão sendo cometidos na universidade”, complementa Alcides.
Rodas ainda é investigado pelo Ministério Público do Estado por aquisição de imóveis no centro de São Paulo e por nomear funcionários sem que tenham a experiência exigida para assumir os cargos dentro da Universidade.
Os manifestantes questionam também a legitimidade do Reitor Rodas, que foi nomeado pelo então governador José Serra para assumir o cargo em janeiro de 2010. Na época, Rodas foi o segundo mais votado pelo Conselho Universitário. A última vez que fato semelhante havia ocorrido foi em 1969, quando o governador Paulo Maluf indicou Miguel Reale para ocupar o cargo até 1973.
Conheça a reivindicação dos estudantes
A greve estudantil reivindica a aprovação de um plano alternativo de segurança condicionado a saída da Polícia Militar do campus e ao encerramento do convênio com a Corporação; o fim dos processos políticos e administrativos contra funcionários e estudantes; a renúncia do Reitor João Grandino Rodas e a aprovação de um novo estatuto para a USP.
POR:Aline Scarso-Jornal Brasil de Fato
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Quando o jornalista é a própria notícia
A troca de comando do Jornal Nacional, da Rede Globo, foi motivo de discussões não apenas nas redes sociais, mas de preciosos minutos melodramáticos no próprio programa jornalístico da emissora e com direito a espaço cativo nos sites ligados à empresa, desde aqueles com vocação jornalística a outros exclusivamente voltados para a fofoca, ou seja, para a cloaca do jornalismo do novo milênio. Umbiguismo é pouco para explicar as carícias ao ego de jornalistas transformadas em celebridades, como Fátima Bernardes e Patrícia Poeta (uma que sai do JN e a outra que deve assumir seu lugar), e as louvações mal disfarçadas à qualidade do jornalismo global.
É difícil levar o jornalismo da Rede Globo a sério quando uma troca de apresentador de telejornal vira notícia – pior, vira a grande notícia de toda a semana. Já foi o tempo em que bastavam algumas linhas bem escritas, análises contundentes ou mesmo uma boa presença em frente às câmeras, coroadas por uma dicção impecável e, por que não, por um faro jornalístico, que faziam o jornalista ir além do feijão com arroz da bancada para que fosse reconhecido.
Isto bastava.
Mediocridade midiática
Hoje é preciso torná-lo celebridade, vasculhar sua vida, postar fotos em sites de fofoca e procurar analisar o significado do signo do jornalista, agora celebridade. A qualidade em si do jornalista na profissão pouco importa; o importante mesmo é sua capacidade de sair bem em fotos em cenários cotidianos – fabricados ou não. Como a jornalista estava vestida no shopping, com quem namora, qual sua dieta favorita... Tudo isto se torna mais importante que os furos, as matérias de qualidade ou mesmo a mera qualidade da jornalista enquanto profissional.
O jornalismo foi substituído pelo show da vida (com trocadilho proposital), uma forma de entretenimento que busca criar uma identificação fictícia entre o apresentador/jornalista e o telespectador, mas que, ao mesmo tempo, serve como fator imbecilizador, substituindo a notícia pela diversão acrítica. É a era do showrnalismo, com direito à exaltação ou autoexaltação de jornalistas e da própria rede de TV, uma concessão pública cada vez mais privada e distante de seus propósitos iniciais.
A Rede Globo não é, obviamente, a única a abusar descaradamente de suas prerrogativas enquanto concessão pública, mas a troca de comando do Jornal Nacional, mobilizando toda uma gigantesca rede de apoio/suporte, desde a mídia escrita ao online, sem dúvida nos leva a um novo patamar de mediocridade midiática e de desrespeito até mesmo à profissão de jornalista.
POR:Observatório da Imprensa.
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