sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Eu Caminhava

Esta é uma letra interessnate que tem algo a ver comigo além do mais gosto muito da banda

Eu Caminhava-Nenhumde Nós
Composição: Thedy Corrêa , Carlos Stein e Sady Homrich



Eu caminhava
Minhas pernas se encontravam, se despediam
Vencendo cruzamentos, ganhando esquinas
Chegando a lugares que de longe eu enxergava
Um estranho, encostado na parede mostrou os braços
Longos brancos braços marcados, ofereceu a prisão
Longos dias contados, entre um tiro e um espelho eu o deixei

Eu caminhava e fingia que o tempo passava
Eu caminhava e fingia...
Eu caminhava e fingia que conhecia as pessoas
E fingia que gostava de alguém e fingia que o tempo passava
Eu caminhava e fingia que conhecia as pessoas
E fingia que gostava de alguém e fingia que o tempo passava,passava...

Eu caminhava e fingia que o tempo passava
Eu caminhava e fingia...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Mundo Árabe- Suas manifestações populares e suas ditaduras


Presenciamos nestes últimos dia um fenômeno mundial onde uma vontade popular prevalece
Sobre um poder ditatorial
O mundo árabe em seu clamor popular esta mostrando uma nova face para o mundo
Mas sabemos que isto vai muito mais além de um fator político tem haver também com uma questão religiosa e no centro de tudo o capitalismo
Este ditadores a décadas no poder se auto intitulam representantes de “Deus” mas suas autoridades estão em xeque neste momento pois tais movimentos populares liderados por estudantes e trabalhadores influenciados por um mundo virtual através de páginas relacionamentos como twitter e Facebook foram para as ruas exigindo a renúncia de tais ditadores e condições melhores de trabalho e incentivo aos jovens pois como vimos o Egito a maioria esmagadora de sua população vivem na pobreza e sem incentivo algum para melhorias.
Mas isso também vai muito, além disso, pois nestes países existe muito petróleo onde muitos países sendo o principal os EUA sempre estiveram de olho neste produto.
No momento a Líbia é foco das atenções com seu ditador Khadafi resistindo aos clamores populares e até mundial e colocando a polícia e exército na rua e deixando um rastro de sangue e morte. A Líbia esta dividia em duas partes uma controlada pelo ditador e a outra parte controlada pela a oposição ao governo, isto é simplesmente um estopim para uma provável guerra civil onde não haverá vencedores e levando o país a uma crise econômica e restrições mundiais . Khdafi diz que não sai e morrerá como um “Mártir” acuando diretamente o ocidente de incentivar tais protestos em seu país e no mundo árabe
O que podemos presenciar é o fato de 233 mortos, muitos feridos e uma disputa acirrada entre movimentos prós e contra Khadafi.
O mundo ta de olho vários relatos de pessoas em especial no Brasil apoiando tais manifestações no mundo árabe mas porque só agora as pessoas voltaram seus ohos para este mundo durante anos tais viveram esquecidos. O que acontece neste meio é um reflexo de um controle ditatorial através de uma religião e de um suposto poder bélico e esquecido pelo mundo.

POR OHIAMA AIRES-HISTORIADOR

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Khadafi promete não deixar o poder e diz que morrerá 'como mártir'

O ditador da Líbia, Muammar Khadafi, afirmou nesta terça-feira (22) que não deixará o país, atingido por uma onda de protestos violentos. Foi o primeiro pronunciamento do líder do país desde o início das manifestações, no dia 15. Usando o traje tradicional na cor cáqui, Khadafi sinalizou que vai resistir à pressão interna e externa, e garantiu que vai morrer como um "mártir".

"Eu não vou deixar essa terra. Eu vou morrer aqui como um mártir", disse Khadafi, há mais de quatro décadas no poder, em pronunciamento em rede de TV. O pronunciamento foi transmitido pela rede estatal de televisão – a Libyan TV. O local escolhido foi um palácio aparentemente destruído – com paredes e teto descascando.

Ele minimizou os protestos, atribuindo-os a pequenos grupos de jovens sem maturidade influenciados pelos Estados Unidos e pela Tunísia.

“O governo dispõe de arquivos e investigações sobre os líderes (das manifestações de protestos contra o governo)”, afirmou o presidente líbio. De acordo com ele, o “Ocidente mercenário” incita os jovens líbios a movimentos contra o governo. No entanto, Khadafi disse dispor de dados que comprovam o desenvolvimento da Líbia na agricultura e no comércio.

O pronunciamento de Khadafi foi intercalado com imagens de manifestantes favoráveis ao governo, nas ruas de Trípoli, segurando bandeiras da Líbia e mais a estátua de uma mão em tamanho gigante destruindo uma aeronave com o emblema dos Estados Unidos.

Organizações não governamentais informam que a repressão às manifestações tem sido violenta, provocando pelo menos 233 mortes. Testemunhas disseram nesta terça que as forças pró-Khadafi usaram tanques, helicópteros e aviões de guerra para combater a revolta crescente.

O líder veterano zombou de relatos segundo os quais estaria fugindo, depois de quatro décadas no poder. Na noite de segunda-feira (21), Khadafi apareceu, por cerca de um minuto, em imagem reproduzida pela rede de televisão estatal.

Ele vestia uma roupa e um chapéu pretos, usava um guarda-chuva e estava com a porta do carro aberta. A aparição tinha como objetivo desmentir rumores de que uma fuga havia sido organizada da Líbia para a Venezuela. Ele disse que estava em território líbio e que vai permanecer por lá.

Leste
O leste da Líbia não estaria mais sob controle do governo central, segundo disseram soldados que opositores ao governo à agência Reuters. Uma revolta na região espalhou-se rapidamente nas proximidades da fronteira com o Egito. Rebeldes armados com cassetetes e fuzis Kalashnikov saudavam visitantes vindos do Egito, segundo a agência.

Moradores afirmaram que a cidade está agora em mãos do povo e vem sendo assim há três dias. "Todas as regiões do leste estão agora fora do controle de Gaddafi... O povo e o Exército estão lado a lado aqui", disse o agora ex-major do Exército Hany Saad Marjaa.

O Exército do Egito disse que os guardas líbios da fronteira partiram e que o lado líbio da fronteira estava sob o controle de "comitês populares", sem dar detalhes sobre a fidelidade dos comitês.

Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 22/02/2011, 13:45
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/internacional/2011/02/kadhafi-promete-nao-deixar-o-poder-e-diz-que-morrera-como-martir?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Teólogo: um ser quase impossível

Fazer teologia não é uma tarefa como qualquer outra como ver um filme ou ir ao teatro


22/02/2011




Leonardo Boff



Muitos estranham o fato de que, sendo teólogo e filósofo de formação, me meta em assuntos alheios a estas disciplinas como a ecologia, a política, o aquecimento global e outros.

Eu sempre respondo: faço, sim, teologia pura, mas me ocupo também de outros temas exatamente porque sou teólogo. A tarefa do teólogo, já ensinava o maior deles, Tomás de Aquino, na primeira questão da Suma Teológica é: estudar Deus e sua revelação e, em seguida, todas as demais coisas "à luz de Deus” (sub ratione Dei), pois Ele é o princípio e o fim de tudo.

Portanto, cabe à teologia ocupar-se também de outras coisas que não Deus, desde que se faça "à luz de Deus”. Falar de Deus e ainda das coisas é uma tarefa quase irrealizável. A primeira: como falar de Deus se Ele não cabe em nenhum dicionário? A segunda, como refletir sobre todas as demais coisas, se os saberes sobre elas são tantos que ninguém individualmente pode dominá-los? Logicamente, não se trata de falar de economia com um economista ou de política como um político. Mas falar de tais matérias na perspectiva de Deus, o que pressupõe conhecer previamente estas realidades de forma critica e não ingênua, respeitando sua autonomia e acolhendo seus resultados mais seguros. Somente depois deste árduo labor, pode o teólogo se perguntar como elas ficam quando confrontadas com Deus? Como se encaixam numa visão mais transcendente da vida e da história?

Fazer teologia não é uma tarefa como qualquer outra como ver um filme ou ir ao teatro. É coisa seríssima, pois se trabalha com a categoria”Deus” que não é um objeto tangível como todos os demais. Por isso, é destituída de qualquer sentido, a busca da partícula "Deus” nos confins da matéria e no interior do "Campo Higgs”. Isso suporia que Deus seria parte do mundo. Desse Deus eu sou ateu. Ele seria um pedaço do mundo e não Deus. Faço minhas as palavras de um sutil teólogo franciscano, Duns Scotus (+1308) que escreveu: "Se Deus existe como as coisas existem, então Deus não existe”. Quer dizer, Deus não é da ordem das coisas que podem ser encontradas e descritas. É a Precondição e o Suporte para que estas coisas existam. Sem Ele as coisas teriam ficado no nada ou voltariam ao nada. Esta é a natureza de Deus: não ser coisa, mas a Origem das coisas.

Aplico a Deus como Origem aquilo que os orientais aplicam à força que permite pensar: "a força pela qual o pensamento pensa, não pode ser pensada”. A Origem das coisas não pode ser coisa.

Como se depreende, é muito complicado fazer teologia. Henri Lacordaire (+1861), o grande orador francês, disse com razão: "O doutor católico é um homem quase impossível: pois tem de conhecer todo o depósito da fé e os atos do Papado e ainda o que São Paulo chama de os ‘elementos do mundo’, isto é tudo e tudo”. Lembremos o que asseverou René Descartes (+1650) no Discurso do Método, base do saber moderno: "se eu quisesse fazer teologia, era preciso ser mais que um homem”. E Erasmo de Roterdam (+1536), o grande sábio dos tempos da Reforma, observava: "existe algo de sobrehumano na profissão do teólogo”. Não nos admira que Martin Heidegger tenha dito que uma filosofia que não se confrontou com as questões da teologia, não chegou plenamente ainda a si mesma. Refiro isso não como automagnificacão da teologia, mas como confissão de que sua tarefa é quase impraticável, coisa que sinto dia a dia.

Logicamente, há uma teologia que não merece este nome porque é preguiçosa e renuncia a pensar Deus. Apenas pensa o que os outros pensaram ou o que o que disseram os Papas.

Meu sentimento do mundo me diz que hoje a teologia enquanto teologia tem que proclamar aos gritos: temos que preservar a natureza e harmonizarmo-nos com o universo, porque eles são o grande livro que Deus nos entregou. Lá se encontra o que Ele nos quer dizer. Porque desaprendemos a ler este livro, nos deu outro, as Escrituras, cristãs e de outros povos, para que reaprendêssemos a ler o livro da natureza. Hoje ela está sendo devastada. E com isso destruímos nosso acesso à revelação de Deus. Temos, pois, que falar da natureza e do mundo à luz de Deus e da razão. Sem a natureza e o mundo preservados, os livros sagrados perderiam seu significado que é reensinarmos a ler a natureza e o mundo. O discurso teológico tem, pois, o seu lugar junto com os demais discursos.


Leonardo e Clodovis Boff escreveram Como fazer teologia da libertação Vozes 2010.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

PCdoB responde a reportagem do Estadão

A direção nacional do PCdoB acaba de divulgar uma nota oficial chamando de 'arremedo de reportagem' a série publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo com supostas denúncias ao ministro dos Esportes Orlando Silva e ao programa Segundo Tempo. Leia abaixo:

“Estadão ataca PCdoB para golpear o governo Dilma

Na suas edições de 20 e 21 de fevereiro, o jornal O Estado de S. Paulo publicou um arremedo de reportagem tão extenso quanto falso no qual ataca com calúnias a honorabilidade do Partido Comunista do Brasil e de um dos seus dirigentes, Orlando Silva, ministro do Esporte. Visivelmente esse movimento pretende atingir o Ministério do Esporte para golpear por extensão o nascente governo da presidente Dilma Rousseff.

Apoiado tão somente na manipulação grosseira de um amontoado de 'estórias', o referido texto afirma de modo criminoso que o Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, “além de dividendos eleitorais, transformou-se num instrumento financeiro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)”. Para sustentar esta mentirosa afirmação diz que entidades apartidárias e ONGs com as quais o Partido não tem vínculo algum seriam “subordinadas” a ele e mero biombo para supostas ações ilícitas. Mas não se apresenta nenhuma prova, nenhum fato que comprove denúncia tão grave.

E mais. Não se atendeu ao procedimento básico do jornalismo que mereça esse nome: ouvir 'o outro lado'. No texto não há a palavra do PCdoB, não foi ouvida a defesa da direção nacional do PCdoB, apenas de passagem a do ex-presidente do Partido da seção do Distrito Federal. Utilizaram de forma parcial e distorcida a nota esclarecedora dos fatos emitida pelo Ministério do Esporte.

Vamos ao mérito. O Programa Segundo Tempo tem a finalidade de oferecer a crianças e adolescentes, sobretudo, de famílias de baixa renda, atividades esportivas e recreativas como meio de inclusão social. Conforme afirmou o Ministério do Esporte, desde 2003 os governos do ex-presidente Lula e, agora, o governo Dilma já aplicaram mais de 1 bilhão de reais para torná-lo realidade. Esse programa já atendeu 1 milhão de jovens. Ainda segundo o Ministério o programa se realiza por meio de convênios com mais de duas centenas de instituições de governos estaduais e de prefeituras e, também, de entidades populares e ONGs. E rigorosamente nenhuma triagem ou distinção de referência partidária é feita para que sejam estabelecidos esses convênios.

O que fez a pretensa reportagem? Ela 'pinçou' neste amplo universo determinadas entidades servindo-se de um critério muito usado à época das ditaduras, ou seja, o da “caça aos comunistas”. Então o dito texto informa, ou melhor, denuncia, que em tal entidade há nove comunistas filiados, naquela outros tantos e por aí segue. E sem apresentar nenhuma evidência, nenhuma prova, estampa a calúnia que vincula as finanças do Partido com a atividade dessas entidades.

Desse modo, o pretenso 'furo' jornalístico se revela um arranjo, um enredo mentiroso.

O PCdoB na atualidade, decorrente de seu programa partidário e do convite advindo de méritos na sua atuação política, tem quadros e lideranças no exercício de responsabilidades públicas nas distintas esferas de governo.

Nessa atividade se orienta pela política de que seus membros no exercício de funções públicas, seja em postos legislativos, sejam em cargos nos executivos, devem se pautar pelo rigoroso cumprimento da legislação e orientações administrativas inerentes às funções exercidas e não confundir, sob qualquer justificativa, o exercício de sua função de governo com sua atividade partidária. Neste trabalho, tem como princípio e como prática o rigoroso zelo pelo patrimônio público. Demonstração disso é que não há nada que os desabone. O trabalho por eles realizado é fiscalizado e aprovado nos termos da lei. Já o Partido como instituição tem toda sua movimentação contábil e financeira aprovada pelos órgãos competentes da República.

O que levaria o Estadão a publicar em duas edições seguidas um ataque tão artificial quanto sórdido ao PCdoB?

Primeiro - O conservadorismo reacionário não admite que forças progressistas, de esquerda, como o Partido Comunista, ganhem força crescente na democracia brasileira.

Segundo - Por um preceito elementar da 'guerra'. Pelos flancos se atinge o objetivo principal. O Ministério do Esporte sequer existia como tal em 2003. De lá para cá pela importância de sua atividade e pelos méritos dos titulares de sua gestão – entre os quais destaca-se o trabalho do ministro Orlando Silva – a pasta adquire progressivamente a relevância que a sociedade atribui ao tema. A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 serão marcas destacadas da agenda nacional e do governo federal. Portanto, o objetivo desta pseudo reportagem é atingir o governo da presidente Dilma Rousseff numa área das mais simbólicas para seu mandato.

Terceiro - Certa linha editorial da mídia nacional não admite programas do governo federal direcionados aos mais pobres. Sabemos a oposição, por exemplo, que o Bolsa Família sofreu e ainda sofre por parte de vários veículos de comunicação. O Programa Segundo Tempo pretende levar o esporte às crianças e aos jovens da periferia, das favelas, do interior pobre e distante. Por isso recebe ataques como este.

O Partido Comunista do Brasil tem quase 90 anos de atuação ininterrupta na história brasileira. Possui um legado de construção da nação e de defesa resoluta da democracia. É uma legenda respeitada pelos aliados e mesmo pelos adversários. A reação já utilizou as mais diferentes armas para tentar excluí-lo da vida política nacional, inclusive a tortura e o assassinato dos quais foram vítimas centenas de dirigentes e militantes, sobretudo, na luta para que a nação viesse a desfrutar da democracia que hoje o país respira. Desta feita, a mídia é usada para enfraquecê-lo, mas o resultado será nulo, dado o caráter falso, inverídico deste amontoado de mentiras a que o Estadão denomina de reportagem.

Direção Nacional do PCdoB
São Paulo, 21 de fevereiro, 2011”

SALÁRIO MÍNIMO

21/02/2011 -- 10h20
Aumento real do salário mínimo, em 5 anos, foi de 42%
Em 2004, o salário mínimo era de R$ 260; em 2009, de R$ 465, o que representa aumento de 42%, descontada a inflação


A interrupção do aumento real (descontada a inflação) do salário mínimo em 2011, com a fácil aprovação pelo governo do novo valor de R$ 545 na Câmara dos Deputados, pode afetar também os salários mais baixos pagos na economia informal brasileira, para trabalhadores no limite da extrema pobreza.

Pesquisa recente do economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que, desde 2004, a alta do salário mínimo tem puxado, com a mesma intensidade, o verdadeiro piso do mercado de trabalho, que são as menores remunerações do setor informal.

O salário mínimo saltou de R$ 260 em 2004 para R$ 465 em 2009. Em termos reais, já descontada a inflação, o aumento foi de 42%. Os dados de Barbosa Filho mostram que o "salário base", o ganho médio sem carteira assinada de um jovem trabalhador negro com primário incompleto e sem experiência profissional, subiu de R$ 79 para R$ 161 no mesmo período. Em termos reais, o ganho foi de 61%.

Mas se a comparação for feita com 2003 (em 2004 houve queda real do salário base), a alta é de 47%, próxima da registrada pelo mínimo. O economista usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), cujos últimos resultados são de 2009. "Os pobres pedem aumento quando o mínimo sobe e acaba funcionando como uma espécie de indexador", diz Barbosa Filho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

WIKILEAKS DIZ QUE LULA QUERIA ALIANÇA ANTI-AMERICANA NA AMÉRICA LATINA

O ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe (2002-2010) mantinha "relações complicadas" com seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), que em sua visão queria fazer uma aliança anti-americana na América Latina, segundo despachos diplomáticos confidenciais divulgados pelo Wikileaks.

Em uma reunião de 15 de dezembro de 2004 com o então embaixador em Bogotá, William Wood, e outros diplomatas, Uribe disse que sua relação com Lula tinha se complicado "devido a seus esforços para construir uma aliança anti-americana na América Latina", segundo um despacho do Departamento de Estado vazado ontem.

"Lula é mais pragmático e inteligente que (o presidente venezuelano, Hugo) Chávez, mas seu passado esquerdista e o espírito imperialista do Brasil o empurram a se opor aos Estados Unidos", afirma o texto.

As discordâncias com o Brasil foram comentadas também em outro despacho diplomático de 5 de setembro de 2008, no qual é detalhada uma reunião entre o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, e da Colômbia, Juan Manuel Santos (hoje presidente), sobre a proposta de criar um Conselho de Segurança da América do Sul.

"Santos explicou a Jobim que seu governo temia que essa iniciativa soasse como uma ideia da Venezuela", afirmou o despacho do ex-embaixador William Brownfield.

"O governo da Colômbia não quer que suas forças armadas estejam submetidas a uma instituição cujos detalhes não compreendem, e também resistem em acompanhar um projeto que pode ser visto como uma tentativa de distanciar a região dos Estados Unidos", completou.

Jobim respondeu a Santos que a Colômbia corria o risco de ficar isolada, e que seu governo continuaria "com ou sem o apoio" da Colômbia. Diante disso, Brownfield recomendou contatar outros países da região que pudessem ter reticências para compor com eles uma causa comum.

O Brasil propôs em 2008 o Conselho de Segurança Sul-Americano como uma instância para centralizar a produção, capacitação e consumo da defesa, e para tratar dos temas de defesa e evitar conflitos na região.

Em dezembro daquele ano, os países da União Sul-Americana das Nações (Unasul) criaram o Conselho de Defesa Sul-Americano.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Deus nos livre de um Brasil evangélico

Em meu post de estréia do blog vou deixar um texto q recebi esta semana 
onde Ricardo Gondim escreve

Deus nos livre de um Brasil evangélico

Ricardo Gondim
Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles, em avenidas, com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.
Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação, mas hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. A mensagem subliminar da grande placa, para quem conhece a cultura do movimento, era de que os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.
Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).
Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.
Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadú? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?
Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?
Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português.
Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.
Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. O futebol morreria. Todos seriam proibidos de ir ao estádio ou de ligar a televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada, de várzea aconteceria quando?
Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.
Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos.
Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro a perguntar: Como seria uma emissora liderada por eles? Adianto a resposta: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.
Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.
Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista.
O projeto cristão visa preparar para a vida. Cristo não pretendeu anular os costumes dos povos não-judeus. Daí ele dizer que a fé de um centurião adorador de ídolos era singular; e entre seus criteriosos pares ninguém tinha uma espiritualidade digna de elogio como aquele soldado que cuidou do escravo.
Levar a boa notícia não significa exportar uma cultura, criar um dialeto, forçar uma ética. Evangelizar é anunciar que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, praticar a justiça e criar meios de solidariedade; Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.
Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.