terça-feira, 26 de junho de 2012

Entre a intolerância e a apatia: o movimento grevista como espaço de construção de uma consciência livre



A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta
indiferença, deste absentismo. (...) Os destinos de uma época são manipulados de acordo
com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais
de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os
fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e
então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do
que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos
vítimas (...). Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas
nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se
tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que
sucedeu?
(GRAMSCI, 1917/2005)

1. Introdução

A greve instalou-se nas instituições federais de ensino superior do Brasil. A grande maioria dos
institutos federais e universidades estão parados. O movimento grevista é fruto da indignação
perante o descaso do governo federal para com a educação. Descaso esse que gera situações
insustentáveis de precarização do trabalho e educação e que se torna mais escrachado diante dos
incomensuráveis investimentos governamentais nos grandes eventos esportivos que ocorrerão no
país, vide copa do mundo e olimpíadas. O movimento uniu professores, estudantes, e técnicos na
luta por melhorias no quadro da educação brasileira: condições dignas de trabalho necessárias a
uma educação de qualidade.
A Universidade Federal de Alfenas aderiu ao movimento nacional e vêm, desde então, realizando
atividades junto a população alfenense de conscientização acerca da legitimidade da greve e da
situação da educação no país. O objetivo deste texto é propor a discussão: pensar de uma maneira
crítica tais atividades mantendo sempre em vista compreendê-las para que se desenvolvam e
exerçam eficácia satisfatória. Realizam-se manifestações e passeatas pacíficas, exibições de vídeos,
palestras e aulas públicas nas praças da cidade, juntamente a debates, reuniões, exibições de filmes,
oficinas, eventos musicais, entre outras atividades que ocorrem na universidade. De tais atividades
as que atingem um maior número de pessoas que não possuem vínculo com a universidade são as
que ocorrem fora de seus muros. Essas atividades são o nosso foco.


2.Por quem? Para quem?

Partindo do pressuposto de que as ideias dominantes de uma época são as ideias da classe
dominante, fato reforçado pela mídia corporativista, o movimento grevista educacional é visto pelo
senso comum como desnecessário e ilegítimo. Quando não ignora o tema, a mídia aborda-o de
maneira parcial e tendenciosa ressaltando os prejuízos causados pela greve (queda do consumo no
comércio regional, aulas perdidas, paralisações de trânsito causadas por manifestações, etc...) e em
momento algum esclarece de maneira adequada os questionamentos acerca da gênese do
movimento, suas bandeiras e seu desenrolar. As atividades que acontecem nas praças aproximam
cidadãos alfenenses, professores, alunos e técnicos, desta maneira sendo um instrumento de
conscientização a respeito da realidade social brasileira para todos aqueles que dele participam de
algum modo.
Estamos longe da ilusão de que o movimento funcione como uma mera conscientização acerca
do atual cenário educacional brasileiro posta a uma entidade abstrata denominada “povo”, a qual
supostamente não possui senso crítico suficiente nem para perceber a situação deplorável dos
serviços prestados pelo Estado. Esse movimento é, antes de tudo, a construção em cada um de seus
participantes de uma concepção do ser humano enquanto ser prático que interfere, cria e participa
de uma realidade historicamente constituída. Se essa postura é perdida o movimento torna-se infértil
e até mesmo degenera no seu oposto: manipulação da força das massas tendo em vista determinados
objetivos particulares. Não é digno desiludir iludindo, desmascarar um aspecto mascarando outro.
Distante de perverter as bandeiras do movimento essa afirmação é condição de sua plena validade.
Marx afirmou que ser radical é agarrar as coisas pela raiz, e que a raiz do homem é o próprio
homem[1]. Nesse sentido as aspirações do movimento necessitam ser radicais. É ineficaz “tampar o
sol com a peneira”.

3.O absurdo cotidiano

Uma das palavras de ordem do movimento grevista educacional diz o seguinte: “é ou não é
piada de salão, tem dinheiro para banqueiro mas não tem para a educação”. Qual o absurdo contido
nessa frase que fundamenta a piada? Em outras palavras, de onde vem a sua “graça”? Obviamente
na relação invertida do Estado: ao invés de cumprir a função de sua existência que é garantir a
liberdade, autonomia e bem comum dos cidadãos acaba por ser, como uma vez já foi dito, um
comitê para gerir os negócios da burguesia. Mas se essa relação invertida do Estado é tão absurda,
por que as pessoas em geral parecem percebê-la mas não fazer nada a respeito?
No sistema em que vivemos somos submetidos ao imediatismo do consumo, à mercantilização
do tempo e à alienação do trabalho, fatos esses que em sua relação criam e mantém uma ideologia.
Essa ideologia da classe dominante tem como característica naturalizar o que é historicamente
construído, ou seja, fazer com que pareçam totalmente naturais todas essas relações perversas de
opressão vividas nesse sistema, como se tais relações sempre houvessem existido e estão portanto
fadadas a eternidade. A ideologia dominante propaga uma falsa consciência e procura mascarar as
relações de desigualdade e opressão sob o aspecto da normalidade. É justamente essa relação
estranhada do ser humano consigo mesmo que cria esse paradoxo: eu sinto a realidade como
absurda, mas ao mesmo tempo materialmente e ideologicamente, sou impelido a reproduzir essa
mesma realidade. [2]
Quando as pessoas param de se mover instintivamente em seu cotidiano e refletem sobre o
sentido desse seu agir, surge a consciência do absurdo. Quando paramos por um momento de agir
mecanicamente, reproduzindo a mesma rotina dia após dia e refletimos sobre o sentido de tudo isso,
nasce um sentimento de indignação: percebemos as condições absurdas a que os seres humanos são
submetidos em nossa sociedade. Acordar, escovar os dentes, amarrar os cadarços, trabalhar e
receber um salário para sobreviver: é para isso que existimos? O questionamento sobre um
cotidiano absurdo na verdade é um questionamento sobre uma realidade que se mostra absurda.
Estamos em uma situação em que o ser humano é forçado a vender sua força de trabalho para
garantir sua sobrevivência, assim se submetendo a atividades mecânicas e tediosas nas quais não se
reconhece. Ao longo da história construíram-se condições que trouxeram-nos até este momento.
Essa situação se desenvolveu ao longo dos últimos séculos.
Se os professores, alunos e técnicos estão nas ruas lutando por uma educação e condições de
trabalho mais dignas, foi consequência de uma atitude do governo de não valorizar a educação e o
trabalho. O governo não prioriza a educação e o trabalho porque no sistema capitalista o que é
priorizado é a acumulação de renda e o individualismo.
O corte efetuado pela presidenta Dilma na verba educacional é fruto da instabilidade gerada pela
crise internacional do capital ocorrida em 2008. Como podemos perceber, os fatos estão
relacionados. Não devemos compreender o movimento grevista alfenense como um fenômeno
isolado, mas sim como um fenômeno mediato, ou seja, que possui relações com inúmeros outros
fenômenos. A luta por melhorias na educação traz em seu seio a luta pela libertação do ser humano
e mostra que a questão central continua sendo a propriedade privada.

4.“Nós somos aqueles por quem estávamos esperando” [3]

Desse modo a luta do movimento representa uma aspiração legítima, necessária e que não se
pode sufocar: a luta pelo fim de relações de opressão social. Se essa é a raiz do movimento, as
manifestações realizadas nas praças devem refleti-la. As palavras de ordem e as demais ações
devem tocar no ponto principal: a tomada de consciência da população de que a prática é mais que
possível, é imanente. A possibilidade de uma educação de qualidade não é nada menos que real. Ela
depende das ações de cada membro da sociedade, ações que de modo organizado ganham força.
Portanto, devemos ser inexoráveis ao eliminar os elementos da ideologia dominante dos nossos
discursos: não será utilizando dos artifícios de dominação da burguesia que conseguiremos nossos
objetivos. Não será reproduzindo as mesmas ideias vazias que mudaremos a situação. A inteligência
da população não deve ser subestimada. Se sob o pretexto de aproximar ou identificar o movimento
à população fazemos uso da ideologia dominante que está fortemente disseminada no seu meio,
acabamos por reproduzir e fortalecer essa mesma ideologia, assim distanciando do verdadeiro
objetivo.
Disse Hegel que a verdade é o todo. Se não enxergamos o todo, damos valor demais uma verdade
limitada, parcial, e assim ela se transforma em mentira. Se ignorarmos que a greve educacional é
fruto da indignação perante um complexo sistema de relações sociais de opressão e, portanto não
apenas uma mera questão de orçamento governamental, perdemos a oportunidade de vislumbrar a
totalidade da situação e caímos de volta no ciclo vicioso de um cotidiano absurdo, de uma realidade
sem sentido. Esse é o momento de percebemos que “nós somos aqueles por quem estávamos
esperando”. Bertold Brecht, em sua poesia, Elogio da Dialética, abre nossos olhos:

A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser
como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a
exploração;
isto é apenas o meu começo
Mas entre os oprimidos muitos há que agora
dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o
alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga?
De nós
De quem depende que ela acabe? Também de
nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o
retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores
de amanhã


[ 1 - MARX, Karl – 1844/2005
2 – (As ideologias dominantes) Devem ser “reais” o bastante para propiciar a base sobre a qual os indivíduos possam
moldar uma identidade coerente, devem fornecer motivações sólidas para a ação efetiva, e devem empenhar-se, o
mínimo que seja, para explicar suas contradições e incoerências mais flagrantes. Em resumo, para terem êxito, as
ideologias devem ser mais que ilusões impostas e, a despeito de todas as suas inconsistências, devem comunicar a seus
sujeitos uma versão da realidade social que seja real e reconhecível o bastante para não ser peremptoriamente rejeitada. (EAGLETON, 2009, p.27)3 - ZIZEK, Slavoj, 2011, p.128.
3 - ZIZEK, Slavoj, 2011, p.128.]

POR: Malu Marzagão- estudante de Ciências Sociais UNIFAL MG









sexta-feira, 22 de junho de 2012

Pátria Amada



Pátria Amada, é pra você esta canção
Desesperada, canção de desilusão
Não há mais nada entre eu e você
Eu fui traído e não fiz por merecer

Pátria Amada, cantei hinos em seu louvor
Mas tudo o que fiz de nada adiantou
Na boca amarga ainda resta esse refrão
Que diz pra morrer por ti e não importa a razão

Pátria Amada, como pude acreditar
Em palavras vazias e promessas soltas no ar
Pátria Amada, você me decepcionou
Quando eu lhe pedi justiça você me negou

Pátria amada!

Pátria Amada, de quem você é afinal
É do povo nas ruas ? Ou do Congresso Nacional
Pátria Amada, idolatrada, salve,salve-se quem puder!

LETRA:Inocentes

quinta-feira, 21 de junho de 2012

La Juventud Argentina de Córdoba a los hombres libres de Sudamérica



REFORMA UNIVERSITARIA DE 1918

Manifiesto de Córdoba


21 de junio de 1918
Tomado de Federación Universitaria de Buenos Aires

Hombres de una República libre, acabamos de romper la última cadena que, en pleno siglo XX, nos ataba a la antigua dominación monárquica y monástica. Hemos resuelto llamar a todas las cosas por el nombre que tienen. Córdoba se redime. Desde hoy contamos para el país una vergüenza menos y una libertad más. Los dolores que quedan son las libertades que faltan. Creemos no equivocarnos, las resonancias del corazón nos lo advierten: estamos pisando sobre una revolución, estamos viviendo una hora americana.
La rebeldía estalla ahora en Córdoba y es violenta porque aquí los tiranos se habían ensoberbecido y era necesario borrar para siempre el recuerdo de los contrarrevolucionarios de Mayo. Las universidades han sido hasta aquí el refugio secular de los mediocres, la renta de los ignorantes, la hospitalización segura de los inválidos y —lo que es peor aún— el lugar donde todas las formas de tiranizar y de insensibilizar hallaron la cátedra que las dictara. Las universidades han llegado a ser así fiel reflejo de estas sociedades decadentes que se empeñan en ofrecer el triste espectáculo de una inmovilidad senil. Por eso es que la ciencia frente a estas casas mudas y cerradas, pasa silenciosa o entra mutilada y grotesca al servicio burocrático. Cuando en un rapto fugaz abre sus puertas a los altos espíritus es para arrepentirse luego y hacerles imposible la vida en su recinto. Por eso es que, dentro de semejante régimen, las fuerzas naturales llevan a mediocrizar la enseñanza, y el ensanchamiento vital de organismos universitarios no es el fruto del desarrollo orgánico, sino el aliento de la periodicidad revolucionaria.
Nuestro régimen universitario —aún el más reciente— es anacrónico. Está fundado sobre una especie de derecho divino; el derecho divino del profesorado universitario. Se crea a sí mismo. En él nace y en él muere. Mantiene un alejamiento olímpico. La federación universitaria de Córdoba se alza para luchar contra este régimen y entiende que en ello le va la vida. Reclama un gobierno estrictamente democrático y sostiene que el demos universitario, la soberanía, el derecho a darse el gobierno propio radica principalmente en los estudiantes. El concepto de autoridad que corresponde y acompaña a un director o a un maestro en un hogar de estudiantes universitarios no puede apoyarse en la fuerza de disciplinas extrañas a la sustancia misma de los estudios. La autoridad, en un hogar de estudiantes, no se ejercita mandando, sino sugiriendo y amando: enseñando.
Si no existe una vinculación espiritual entre el que enseña y el que aprende, toda enseñanza es hostil y por consiguiente infecunda. Toda la educación es una larga obra de amor a los que aprenden. Fundar la garantía de una paz fecunda en el artículo conminatorio de un reglamento o de un estatuto es, en todo caso, amparar un régimen cuartelario, pero no una labor de ciencia. Mantener la actual relación de gobernantes a gobernados es agitar el fermento de futuros trastornos. Las almas de los jóvenes deben ser movidas por fuerzas espirituales. Los gastados resortes de la autoridad que emana de la fuerza no se avienen con lo que reclaman el sentimiento y el concepto moderno de las universidades. El chasquido del látigo sólo puede rubricar el silencio de los inconscientes o de los cobardes. La única actitud silenciosa, que cabe en un instituto de ciencia es la del que escucha una verdad o la del que experimenta para crearla o comprobarla.
Por eso queremos arrancar de raíz en el organismo universitario el arcaico y bárbaro concepto de autoridad que en estas casas de estudio es un baluarte de absurda tiranía y sólo sirve para proteger criminalmente la falsa dignidad y la falsa competencia. Ahora advertimos que la reciente reforma, sinceramente liberal, aportada a la Universidad de Córdoba por el doctor José Nicolás Matienzo no ha inaugurado una democracia universitaria; ha sancionado el predominio de una casta de profesores. Los intereses creados en torno de los mediocres han encontrado en ella un inesperado apoyo. Se nos acusa ahora de insurrectos en nombre de un orden que no discutimos, pero que nada tiene que hacer con nosotros. Si ello es así, si en nombre del orden se nos quiere seguir burlando y embruteciendo, proclamamos bien alto el derecho a la insurrección. Entonces la única puerta que nos queda abierta a la esperanza es el destino heroico de la juventud. El sacrificio es nuestro mejor estímulo; la redención espiritual de las juventudes americanas nuestra única recompensa, pues sabemos que nuestras verdades lo son —y dolorosas— de todo el continente. ¿Que en nuestro país una ley —se dice—, la ley de Avellaneda, se opone a nuestros anhelos? Pues a reformar la ley, que nuestra salud moral lo está exigiendo.
La juventud vive siempre en trance de heroísmo. Es desinteresada, es pura. No ha tenido tiempo aún de contaminarse. No se equivoca nunca en la elección de sus propios maestros. Ante los jóvenes no se hace mérito adulando o comprando. Hay que dejar que ellos mismos elijan sus maestros y directores, seguros de que el acierto ha de coronar sus determinaciones. En adelante, sólo podrán ser maestros en la república universitaria los verdaderos constructores de almas, los creadores de verdad, de belleza y de bien.
Los sucesos acaecidos recientemente en la Universidad de Córdoba, con motivo de la elección rectoral, aclaran singularmente nuestra razón en la manera de apreciar el conflicto universitario. La federación universitaria de Córdoba cree que debe hacer conocer al país y a América las circunstancias de orden moral y jurídico que invalidan el acto electoral verificado el 15 de junio. Al confesar los ideales y principios que mueven a la juventud en esta hora única de su vida, quiere referir los aspectos locales del conflicto y levantar bien alta la llama que está quemando el viejo reducto de la opresión clerical. En la Universidad Nacional de Córdoba y en esta ciudad no se han presenciado desórdenes; se ha contemplado y se contempla el nacimiento de una verdadera revolución que ha de agrupar bien pronto bajo su bandera a todos los hombres libres del continente. Referiremos los sucesos para que se vea cuánta razón nos asistía y cuánta vergüenza nos sacó a la cara la cobardía y la perfidia de los reaccionarios. Los actos de violencia, de los cuales nos responsabilizamos íntegramente, se cumplían como en el ejercicio de puras ideas. Volteamos lo que representaba un alzamiento anacrónico y lo hicimos para poder levantar siquiera el corazón sobre esas ruinas. Aquellos representan también la medida de nuestra indignación en presencia de la miseria moral, de la simulación y del engaño artero que pretendía filtrarse con las apariencias de la legalidad. El sentido moral estaba obscurecido en las clases dirigentes por un fariseísmo tradicional y por una pavorosa indigencia de ideales.
El espectáculo que ofrecía la asamblea universitaria era repugnante. Grupos de amorales deseosos de captarse la buena voluntad del futuro rector exploraban los contornos en el primer escrutinio, para inclinarse luego al bando que parecía asegurar el triunfo, sin recordar la adhesión públicamente empeñada, el compromiso de honor contraído por los intereses de la universidad. Otros —los más— en nombre del sentimiento religioso y bajo la advocación de la Compañía de Jesús, exhortaban a la traición y al pronunciamiento subalterno. (¡Curiosa religión que enseña a menospreciar el honor y deprimir la personalidad! ¡Religión para vencidos o para esclavos!). Se había obtenido una reforma liberal mediante el sacrificio heroico de una juventud. Se creía haber conquistado una garantía y de la garantía se apoderaban los únicos enemigos de la reforma. En la sombra los jesuitas habían preparado el triunfo de una profunda inmoralidad. Consentirla habría comportado otra traición. A la burla respondimos con la revolución. La mayoría representaba la suma de la represión, de la ignorancia y del vicio. Entonces dimos la única lección que cumplía y, espantamos para siempre la amenaza del dominio clerical.
La sanción moral es nuestra. El derecho también. Aquellos pudieron obtener la sanción jurídica, empotrarse en la ley. No se lo permitimos. Antes de que la iniquidad fuera un acto jurídico, irrevocable y completo, nos apoderamos del salón de actos y arrojamos a la canalla, sólo entonces amedrentada, a la vera de los claustros. Que esto es cierto, lo patentiza el hecho de haber, a continuación, sesionado en el propio salón de actos la federación universitaria y de haber firmado mil estudiantes sobre el mismo pupitre rectoral, la declaración de huelga indefinida.
En efecto, los estatutos reformados disponen que la elección de rector terminará en una sola sesión, proclamándose inmediatamente el resultado, previa lectura de cada una de las boletas y aprobación del acta respectiva. Afirmamos, sin temor de ser rectificados, que las boletas no fueron leídas, que el acta no fue aprobada, que el rector no fue proclamado, y que, por consiguiente, para la ley, aún no existe rector de esta universidad.
La juventud universitaria de Córdoba afirma que jamás hizo cuestión de nombres ni de empleos. Se levantó contra un régimen administrativo, contra un método docente, contra un concepto de autoridad. Las funciones públicas se ejercitaban en beneficio de determinadas camarillas. No se reformaban ni planes ni reglamentos por temor de que alguien en los cambios pudiera perder su empleo. La consigna de «hoy para ti, mañana para mí», corría de boca en boca y asumía la preeminencia de estatuto universitario. Los métodos docentes estaban viciados de un estrecho dogmatismo, contribuyendo a mantener a la universidad apartada de la ciencia y de las disciplinas modernas. Las elecciones, encerradas en la repetición interminable de viejos textos, amparaban el espíritu de rutina y de sumisión. Los cuerpos universitarios, celosos guardianes de los dogmas, trataban de mantener en clausura a la juventud, creyendo que la conspiración del silencio puede ser ejercitada en contra de la ciencia. Fue entonces cuando la oscura universidad mediterránea cerró sus puertas a Ferri, a Ferrero, a Palacios y a otros, ante el temor de que fuera perturbada su plácida ignorancia. Hicimos entonces una santa revolución y el régimen cayó a nuestros golpes.
Creímos honradamente que nuestro esfuerzo había creado algo nuevo, que por lo menos la elevación de nuestros ideales merecía algún respeto. Asombrados, contemplamos entonces cómo se coaligaban para arrebatar nuestra conquista los más crudos reaccionarios.
No podemos dejar librada nuestra suerte a la tiranía de una secta religiosa, ni al juego de intereses egoístas. A ellos se nos quiere sacrificar. El que se titula rector de la Universidad de San Carlos ha dicho su primera palabra: «Prefiero antes de renunciar que quede el tendal de cadáveres de los estudiantes». Palabras llenas de piedad y de amor, de respeto reverencioso a la disciplina; palabras dignas del jefe de una casa de altos estudios. No invoca ideales ni propósitos de acción cultural. Se siente custodiado por la fuerza y se alza soberbio y amenazador. ¡Armoniosa lección que acaba de dar a la juventud el primer ciudadano de una democracia universitaria! Recojamos la lección, compañeros de toda América; acaso tenga el sentido de un presagio glorioso, la virtud de un llamamiento a la lucha suprema por la libertad; ella nos muestra el verdadero carácter de la autoridad universitaria, tiránica y obcecada, que ve en cada petición un agravio y en cada pensamiento una semilla de rebelión.
La juventud ya no pide. Exige que se le reconozca el derecho a exteriorizar ese pensamiento propio en los cuerpos universitarios por medio de sus representantes. Está cansada de soportar a los tiranos. Si ha sido capaz de realizar una revolución en las conciencias, no puede desconocérsele la capacidad de intervenir en el gobierno de su propia casa.
La juventud universitaria de Córdoba, por intermedio de su federación, saluda a los compañeros de América toda y les incita a colaborar en la obra de libertad que inicia.
Enrique F. Barros, Horacio Valdés, Ismael C. Bordabehere, presidentes — Gumersindo Sayago — Alfredo Castellanos — Luis M. Méndez — Jorge L. Bazante — Ceferino Garzón Maceda — Julio Molina — Carlos Suárez Pinto — Emilio R. Biagosh — Angel J. Nigro — Natalio J. Saibene — Antonio Medina Allende — Ernesto Garzón.

FONTE: http://www.fmmeducacion.com.ar/Historia/Documentoshist/1918universidad.htm

terça-feira, 19 de junho de 2012

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E então veio 1985 e o sonho por liberdade voltou.
E por todas as ruas o povo gritava louco por Diretas já.
Já era hora se fez o tempo, aqueles tempos foram escuros demais.
Toda a esperança vinha das ruas e não havia como perder.
Mas desta vez fomos logrados
por um colégio eleitoral,
transição segura fria e lenta
para os que estavam no poder.
E nosso sonho por saúde e educação
se foi
largado pra depois.
E os militares que esperávamos que um dia iriam pagar
continuam no poder.
Então veio 88,
foi determinado agora sim poderíamos votar/escolher.
Mas um ano depois percebemos o quão estávamos enfraquecidos.
Corações e mentes agora guiados (ordenados) por uma tela de TV.
Nossa vontade já não existia pois agíamos como zumbis.
Pagamos caro pela ilusão,
o moderninho nos enganou.
E enquanto retia nossa poupança
roubava mais que os ladrões.
E nosso sonho por um dia sermos iguais
se foi,
foi deixado pra depois.
E os corruptos que esperávamos que um dia iriam pagar
acabavam de se eleger.
Quando vieram os anos 90
e o caos e o cinza tomou conta de tudo.
Salvadores de pátria agora não iriam mais ajudar.
Não há mais culpados nem inocentes, agora todos irão pagar.
Mas na guerra sublimada aleijados e analfabetos ainda tentam modificar.

Letra: Dead Fish