quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A renda dos 100 mais ricos poderia acabar com a pobreza no mundo


A renda líquida obtida em 2012 pelas 100 pessoas mais ricas do mundo, 240 bilhões de dólares, poderia acabar quatro vezes com a extrema pobreza no planeta. A conclusão está num relatório publicado (link em PDF, em inglês) no fim de semana pela ONG britânica Oxfam. A entidade não entra em detalhes a respeito das contas que fez para chegar ao dado, mas os números servem como alerta para a intensa e crescente desigualdade social no mundo. O documento serve para chamar a atenção para os debates do Fórum Econômico Mundial, que começa nesta terça-feira 22 em Davos, na Suíça. A desigualdade ganhou um painel próprio no encontro, marcado para sexta-feira 25, mas tanto suas conclusões quanto os avisos da Oxfam devem cair em ouvidos moucos. O mundo hoje está construído para ampliar a desigualdade e não há sinais de mudança.

O relatório da Oxfam ecoa estudos e análises econômicas recentes sobre a desigualdade. Hoje, as diferenças entre os países estão diminuindo, mas a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres dentro de cada nação está crescendo. Essa é a regra na maior parte das nações em desenvolvimento e também nas desenvolvidas.

Nos Estados Unidos, a desigualdade social é tão grande hoje em dia que, nas palavras da revista The Economist, supera a das últimas décadas do século XIX, a chamada “Era Dourada” do capitalismo norte-americano. A porcentagem da renda nacional que vai para o 1% mais rico da população dobrou desde 1980, de 10% para 20%. Para o 0,01% mais rico, a bonança foi maior: sua renda quadruplicou.

Na União Europeia, a situação também é ruim. No livro Inequality and Instability (Desigualdade e Instabilidade, em tradução livre), o economista James Galbraith mostrou que, se tomada como um conjunto, a UE supera os Estados Unidos em desigualdade. Isso se explica, em parte, pelas diferenças entre os diversos países do bloco. Ainda assim, se tomadas separadamente, as nações europeias também têm observado aumento da desigualdade. Um estudo sobre o tema publicado em 2012 pela OCDE, concluiu que “desde a metade dos anos 1980″, os 10% mais ricos de cada país “capturam uma crescente parte da renda gerada pela economia, enquanto os 10% mais pobres estão perdendo terreno”. No Japão, onde 100 milhões de pessoas se diziam de classe média, estudos mostram, desde o fim da década de 1990, o aumento da desigualdade a partir da metade dos anos 1980.

A política sequestrada

Não é uma coincidência o aumento da desigualdade no mundo desenvolvido desde os anos 1980. Foi nesta época que começaram a ter efeito as políticas lideradas pelos governos de Ronald Reagan nos Estados Unidos (1981-1989) e Margaret Thatcher (1979-1990) no Reino Unido, mas adotadas em boa parte do mundo por outros governantes, como Helmut Kohl (Alemanha), Ruud Lubbers (Holanda) e Bob Hawke (Austrália): impostos mais baixos, desregulamentação do sistema financeiro, redução do papel do governo e outras medidas integrantes do receituário neoliberal. Essa política, arrimo da globalização, teve alguns efeitos positivos, mas foi levada a extremos por quem se beneficia delas. Para manter as políticas desejadas, que aumentavam sua riqueza (e também a desigualdade) esses grupos de interesse se encrustaram nos círculos de poder. Eles sequestraram a política.


Este fenômeno é analisado no livro Winner-Take-All Politics (Política do vencedor leva tudo, em tradução livre), dos professores Jacob S. Hacker, de Yale, e Paul Pierson, da Universidade da Califórnia. Em artigo de capa da revista Foreign Affairs em dezembro de 2011, o jornalista George Packer resume o argumento do livro em duas palavras: dinheiro organizado. Foi no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980 que as grandes corporações de diversos setores da economia passaram a financiar as campanhas eleitorais, dando início a uma “maciça transferência de riqueza para os americanos mais ricos”.

Este modelo de política, e de fazer política, grassou no mundo desenvolvido e foi transplantado para os países em desenvolvimento, onde foi emulado com maestria pelas elites econômicas locais. Não é uma surpresa, então, que a desigualdade esteja aumentando também nesta região. A Índia acumula diversos bilionários, mas continua sendo o país com mais pobres no mundo. A África do Sul é mais desigual hoje do que era no fim do regime segregacionista do Apartheid. Na China, onde não é preciso sequestrar a política, apenas pertencer ou ter um bom relacionamento com o Partido Comunista, a desigualdade é semelhante à sul-africana: os 10% mais ricos ficam com 60% da renda.

A América Latina e o caso do Brasil

O único lugar do mundo onde a desigualdade está caindo de forma sistemática é a América Latina, justamente a região mais desigual do mundo. Isso ocorreu nos últimos anos por dois motivos. O modelo neoliberal, e a ascensão do “dinheiro organizado”, também chegaram aos países latino-americanos, mas em alguma medida entraram em choque com forças políticas contrárias a uma parte importante do receituário, a não-intervenção do Estado na economia. Assim, os governos da região, entre eles o de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, conseguiram estabelecer a redução da desigualdade social como uma prioridade. Em segundo lugar, os países da região, também incluindo o Brasil, foram muito beneficiados pelo rápido crescimento econômico provocado pela existência de um mundo faminto por commodities.
Há, entretanto, inúmeras dúvidas a respeito da sustentabilidade do modelo latino-americano de redução da desigualdade, especialmente quando a economia começar a desacelerar, situação em que o Brasil já se encontra. Como notou o colunista Vladimir Safatle em edição de dezembro de CartaCapital, o capitalismo de Estado do governo Lula promoveu um processo de oligopolização e cartelização da economia, o que favorece a concentração de renda nas mãos de pequenos grupos. Ao mesmo tempo, Lula não fez, e Dilma Rousseff não dá indícios de que promoverá, a universalização e qualificação dos sistemas públicos de educação de saúde. Sem essas reformas, a classe média seguirá gastando metade de sua renda com esses dois serviços básicos e os pobres continuarão com acesso a escolas e hospitais precários. Os ricos, por sua vez, não terão problemas. A desigualdade de renda poderá cair ainda mais, mas a desigualdade de oportunidades vai perseverar, e a imensa maioria dos pobres continuará pobre.

Para fazer essas reformas, e outras potencialmente capazes de reduzir a desigualdade, como a taxação de grandes fortunas e de heranças e reformas estruturais, o Brasil e outros países latino-americanos enfrentarão as mesmas questões do mundo desenvolvido. Em grande medida, a política latina foi sequestrada pelo “dinheiro organizado”. Levantamento do repórter Piero Locatelli mostra que, em 2010, 47,8% das doações eleitorais no Brasil foram feitas por empresas e que apenas 1% dos doadores foram responsáveis por 73,6% do financiamento da campanha.

O resultado disso, seja nos Estados Unidos, na Europa, na Índia ou no Brasil, é uma grave crise de representação. O cidadão não consegue participar da vida pública e ter seus anseios ouvidos pelo governantes. Os partidos, à esquerda e à direita, caminham cada vez mais para o centro e, como diz o filósofo esloveno Slavoj Zizek, fica cada vez mais difícil diferenciá-los. A esquerda, supostamente contrária aos absurdos do liberalismo econômico, ou aderiu a ele e também tem suas campanhas financiadas por grandes corporações ou não tem um modelo alternativo e crível a apresentar.

Em seu relatório, a Oxfam pede aos governos para tomar medidas que, ao menos, reduzam os níveis atuais de desigualdade social aos de 1990. É bastante improvável que os política e economicamente poderosos resolvam fazer isso do dia para a noite. Estão aí os brasileiros que chamam o Bolsa Família de bolsa-esmola e o ator francês Gerard Depardieu, que preferiu dar apoio a um ditador a correr o risco de pagar impostos de 75%, para provar isso. Talvez apenas o entendimento de que, como diz a ONG britânica, a desigualdade social é economicamente ineficiente, politicamente corrosiva e socialmente divisiva, provoque mudanças. Para isso, no entanto, é preciso que os poderosos entendam os riscos da desigualdade.

FONTE: http://www.cartacapital.com.br

Movimento de Mulheres Camponesas realiza I Encontro Nacional


‎"O Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) convida as mulheres organizadas no campo para participar do I Encontro Nacional do movimento, que irá acontecer de 18 a 21 de fevereiro deste ano.

O Encontro irá debater o papel que as mulheres ocu...pam no campo, além de defender a soberania alimentar, políticas mais justas no campo para as mulheres, preservação da biodiversidade e o fim da violência contra as mulheres no campo.

“O I Encontro Nacional será uma festa das mulheres trabalhadoras deste país. Queremos avançar na construção de mundo mais justo, com a erradicação da violência contra as mulheres, promovendo a participação política em todos os espaços da sociedade”, afirma Rosângela Piovizani, da coordenação nacional do MMC."

FONTE: http://www.mst.org.br/content/movimento-de-mulheres-camponesas-realiza-i-encontro-nacional

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

SINDIPA É CHAPA 2



















CARTA À COMUNIDADE
ESTAMOS EM LUTA PARA GARANTIR QUE O SINDICATO DOS METALÚRGICOS DE IPATINGA E REGIÃO SEJA O ESPAÇO DO TRABALHADOR


Nos últimos anos o Sindicato vem perdendo a credibilidade e a confiança construídas em diversos embates com o patronato. Nunca o Sindicato teve a sua reputação tão ameaçada quanto hoje por conta do comportamento dúbio e irresponsável da atual direção. Basta de omissão, desmando e traição. É com esse sentimento que os sindicalistas combativos e responsáveis da Chapa 2 desejam mudar para melhor o destino dos trabalhadores metalúrgicos de Ipatinga.
Um novo sindicato para lutar pelos metalúrgicos

A luta pela mudança da atual direção está em questão há bastante tempo. A insatisfação com o salário e a piora das condições de trabalho, resultado diminuição de direitos, são alguns motivos diante de uma extensa lista de reivindicações que vem encorajando a participação dos trabalhadores na urgente mudança da administração do sindicato que não está se colocando ao lado dos metalúrgicos. Há muitos anos o Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga e região tem na direção pessoas que como Luiz Carlos Miranda, viraram as costas para os trabalhadores e utilizaram o Sindicato para os seus interesses pessoais. Dilapidaram o patrimônio da categoria e fizeram acordos com os patrões onde salários e direitos foram reduzidos, milhares perderam seus empregos e quem continua no emprego está exposto às condições de trabalho cada vez piores.

De acordo com os candidatos da Chapa 2, esta eleição servirá para acabar com a inoperância do sindicato que não enfrenta os problemas e trata com descaso as possibilidades de avanços. A Chapa 2 é composta por trabalhadores conhecidos na categoria com um longo histórico de lutas e conquistas, e está compromissada em formar novamente um sindicato combativo.

Esperamos que desta vez, a eleição seja realizada de forma democrática e transparente porque não há explicação para a continuação desta direção atual que não defende mais os interesses de seus trabalhadores e sim dos empresários.

Conheça os nomes dos companheiros que compõe a Chapa de Oposição Chapa 2:

Cargo: Presidente - Hélio Madaleno Pinto (Mada)/USIMEC;
João Gabriel de Melo Silva/USIMINAS;
Domingos José Ferreira (Dominguinhos)/ USIMINAS;
Antônio Pereira Leão/Aposentado/ USIMINAS;
Alexandre Batista Ferreira/USIMEC;
Gláucio André Silveira Reis/ USIMINAS;
João Vitor Pereira Ribeiro/ USIMINAS;
Geraldo Magela Duarte/ USIMINAS;
Fabrício Silva Reis/ USIMINAS;
Nelson Messias Fernandes/ USIMINAS;
Edio Rodrigues Ferreira/CONVAÇO;
Josias Atil Lemos/ USIMINAS;
Carlos Fortunado dos Santos (Carlinhos)/ USIMINAS;
Fernando Silva de Castro (Fefeu)/USIMEC;
Arildo Ferreira (Jones)/ USIMINAS;
Marcelo Eugênio Pitombo/ USIMINAS;
Jeferson Garcia de Oliveira Silveira/ USIMINAS;
Mauro Lucio Martins/USIMEC;
José Geraldo Teles/ USIMINAS;
Sérgio Nazareno/USIMEC;
Eduardo Torres de Lima/ USIMINAS;
Robson Damião Gonçalves Ferreira/ USIMINAS;
Celso Anatólio Viana (Macapá);
Gilmar Almeida Lopes (Pato Roco)/ USIMINAS;
Gervani Rodrigues Barbosa/USIMEC;
Waldison Camilo Alves/Aposentado/ USIMINAS;
Geraldo Lourenço Moreira/ Aposentado/ USIMINAS;
Paulo César de Sousa (PC) / Aposentado/ USIMINAS;
Roberto Gomes Ferreira/ Aposentado/ USIMEC;
Sebastião Bento da Silva (Bento)/ Aposentado/ USIMINAS;
Cristian Rodrigues de Oliveira/ USIMINAS;
Carlos Antonio Laureano (Laureano) / USIMINAS

É compromisso da CHAPA 2 assim que assumirmos a direção do Sindicato, garantir a participação direta dos/as trabalhadores/as nas lutas que vamos realizar para:
- Enfrentar o turno imposto pela Usiminas que aumenta a jornada e faz com que as folgas sejam cada vez mais distantes uma da outra.
- Lutar por mais salários, para recuperar e ampliar direitos.
- Combater as péssimas condições de trabalho que provocam acidentes, doenças e mortes nos locais de trabalho.
- Garantir que a estrutura do Sindicato esteja integralmente voltada para as necessidades dos trabalhadores.
- Através de assembleias livres, sem a pressão das chefias, decidir coletivamente com a categoria nossas ações.
- Organizados e me luta para garantir nenhum direito a menos e avançarmos rumo a novas conquistas.

A COMUNIDADE PODE E MUITO NOS AJUDAR NESSA EMPREITADA

As eleições para renovação da diretoria do Sindicato acontecem nos dias 14, 15 e 16 de janeiro.
As urnas estarão nas portarias da Usiminas, Usimec, empresas metalúrgicas das 06:00 às 18:00 horas, também serão instaladas urnas na sede do Sindicato para os aposentados, trabalhadores em férias e afastados poderem votar.
Pela ação da CHAPA 2 garantimos no Ministério Publico nosso direito de fiscalizar todo o processo eleitoral, para que de fato a decisão da categoria seja respeitada.
Agora é a reta final, o momento de lembrarmos cada metalúrgico/a sócio/a do Sindicato há pelo menos 6 meses, que chegou ao momento tão esperado pelos metalúrgicos. O momento de votar na CHAPA 2.
Converse com seus amigos, parentes e os membros da comunidade sobre a importância desse momento não só para os metalúrgicos mas para o conjunto dos trabalhadores.
São muitos os/as companheiros/as da comunidade que já estão comprometidos/as nesse importante trabalho, desde já agradecemos e seguimos firmes e juntos para retomar o Sindicato como instrumentos do trabalhador.

A CHAPA DA INTERSINDICAL E CUT

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Da Glória ao Inferno


O protesto feito pelos norte-americanos Tommie Smith e John Carlos nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, contra a segregação racial.

Thomas "Tommie" Smith é um ex-velocista e jogador de futebol americano da American Football League norte-americano. Tornou-se famoso por sua vitória nos 200 metros rasos nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968 quando pela primeira vez um atleta derrubou a barreira dos 20 segundos, cravando 19s83. Durante a cerimônia do pódio Smith, assim como seu compatriota John Carlos, ergueram os punhos direitos fechados, uma saudação do movimento Black Power. Esse fato causou controvérsias pelo uso político dos Jogos Olímpicos, mas tornou-se um marco na história das lutas dos afro-americanos pelos direitos civis

Entretanto, este gesto foi uma condenação para o resto de sua vida:
“Tudo mudou para sempre. Recebemos ameaças de morte, cartas, telefonemas... Depois dos Jogos Olímpicos, todos os meus amigos desapareceram. Tinham medo de perder suas amizades brancas e seus empregos. Eu tinha 11 recordes mundiais, mais do que qualquer pessoa no mundo, e o único trabalho que encontrei foi lavando carros num estacionamento. E me mandaram embora porque meu chefe disse que não queria que ninguém trabalhasse comigo. Não queria que alguém que defendesse a igualdade de direitos estivesse em sua equipe.Todo mundo tinha muito medo. Meus irmãos foram expulsos do colégio.”

Ao chegarem em casa, suas medalhas foram retiradas pelo governo.

Fonte: Livro Silent Gesture: The Autobiography of Tommie Smith.