Sindicalistas no debate realizado no Palácio do Planalto,a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, apresentou, nesta quarta-feira (25), o plano "Brasil sem Miséria” a representantes das seis centrais sindicais e de sindicatos de aposentados. Ela deixou claro que o plano é uma obra que está sendo construída com contribuições do movimento sindical e social e que, mesmo após o lançamento, no dia 2 de junho, vai continuar recebendo sugestões e sendo aprimorado. “É muito importante receber contribuições do movimento sindical para que essa ação extraordinária, que é erradicar a extrema pobreza do país em quatro anos, possa ser alcançada”.
A ministra fez um breve resumo das políticas públicas e decisões de governo que, nos últimos oito anos contribuíram decisivamente para tirar brasileiros da linha da pobreza e afirmou que, mesmo assim, ainda temos 16,2 milhões de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza. “Crescimento econômico gerou mais emprego e renda e decisões políticas como a valorização do salário mínimo, a ampliação e a consolidação dos programas de transferência de renda e a expansão do crédito tiraram milhares de pessoas da linha de pobreza. Nossa meta agora é acabar com a extrema pobreza”.
Segundo a ministra, o governo decidiu que a renda mensal que define a linha da extrema miséria é de até R$ 70 por pessoa da família. Esse valor é superior a linha adotada nos Objetivos do Milênio/PNUD, que é de US$ 1,25. O público alvo do plano é formado por 16,2 milhões de pessoas. Deste total, 59% vivem no nordeste e 17% no norte do país. A maioria vive na área rural (52% e 56%, respectivamente).
Os sindicalistas elogiaram o plano, especialmente porque o programa foca a extrema pobreza, mas não deixa de lado questões relacionadas à emancipação futura e saúde, entre outras. “Combater a miséria não é só combater a fome, tem também outras questões importantes como saneamento básico e isto está muito bem colocado no plano”, disse Quintino Severo, secretário-geral da CUT.
Segundo Quintino, o movimento sindical deve se mobilizar e se organizar para dar suporte ao programa, como a CUT fez durante a implementação do Fome Zero. “Para a CUT, é preciso que o plano não fique apenas na assistência, mas contribua para a emancipação das pessoas. Além disso, é fundamental, para o sucesso do plano, que o movimento sindical ajude com fiscalização e controle para o programa chegar até as pessoas que realmente precisam”.
A secretária de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti levantou questões que a ministra Tereza Campello considerou muito importantes, como por exemplo, a articulação do plano com as demais políticas de governo e itens relacionados à agricultura familiar. “O direito e o acesso à terra são fundamentais para um programa como esse dar certo. Isso sem contar o acesso aos serviços públicos para quem vive no campo, nas regiões ribeirinhas”.
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, destacou o diálogo com o movimento sindical e afirmou que é muito importante para o governo ouvir os representantes dos trabalhadores.
FONTE DE PESQUISA:Site da CUT http://www.cut.org.br/destaques/20728/cut-centrais-e-aposentados-debatem-brasil-sem-miseria-com-o-governo
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Se Jesus fosse "vendido" hoje quanto Judas teria recebido em reais?
É quase impossível estabelecer um valor definitivo - o máximo que se pode fazer é comparar, naquele tempo e nos dias de hoje, o poder de compra da grana que Judas faturou. Primeiro, vamos ao que diz a Bíblia. Na Judéia do século 1, Judas, um dos 12 apóstolos de Jesus, teria ganho 30 moedas de prata para entregar a identidade de seu mestre aos sacerdotes judeus, lideranças religiosas de Jerusalém que queriam matá-lo. Ao que tudo indica, o dinheiro do suborno era um pé-de-meia bem razoável. "No Império Romano, do qual a Judéia fazia parte, as moedas de prata eram comuns no comércio de elite, como na troca de terras, por exemplo. Com as 30 moedas que Judas ganhou, dava para comprar uma pequena fazenda", diz o historiador e especialista em moedas Cláudio Umpierre Carlan, do Museu Histórico Nacional. Com os preços de sítios na atualidade, podemos tentar uma aproximação de valores - lembrando sempre que estamos fazendo um exercício de imaginação e não uma conta exata. Só para dar uma idéia, uma chácara de 1 000 m2 , com benfeitorias, próxima a Manaus, no Amazonas, sai por cerca de 20 mil reais. Em uma área mais valorizada, como a zona rural de São José dos Campos, no interior de São Paulo, uma chácara igual vale perto de 40 mil reais. Antes de bater o martelo, porém, vamos analisar uma outra pista da Bíblia. Em seus escritos, o evangelista Mateus afirma que Judas se arrependeu, devolveu o dinheiro aos sacerdotes e se enforcou depois de ter traído Jesus. Com a grana de volta, os religiosos teriam comprado um cemitério. No nosso paralelo com os dias de hoje, um cemitério não muito grande, com espaço para 2 mil sepulturas, ocupa uma área de 15 mil m2. Mas qual era o valor de uma área dessas no Oriente Médio do século 1? "Como Jerusalém era uma cidade muito povoada, existiam poucos terrenos vazios e eles não deviam ser muito baratos", afirma outro historiador, André Chevitarese, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Comparando a Jerusalém do século 1 com uma metrópole em expansão nos dias de hoje, como Ribeirão Preto (SP), chegaríamos a um outro valor hipotético: nessa cidade, um terreno de 15 mil m2 , sem benfeitorias, custa cerca de 50 mil reais. É o máximo que dá para especular sobre o "preço" de Jesus, já que a Bíblia não oferece muitos detalhes sobre o episódio.
POR:REVISTA MUNDO ESTRANHO http://mundoestranho.abril.com.br/materia/se-jesus-fosse-vendido-hoje-quanto-judas-teria-recebido-em-reais
Obs: o Prof citado Cláudio Umpierre Carlan é meu prof de História Antiga na UNIFAL MG
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Idade média nos dias atuais
Na última semana beatificamos um papa, casamos um príncipe, fizemos uma cruzada e matamos um mouro. Bem-vindos à Idade Média! -autor anônimo
Será que o caminho é ser politicamente correto???
O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA
Texto de Luiz Antônio Simas
Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.
Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".
Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha.
Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?
É Villa Lobos, cacete!
Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.
Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.
Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil.
Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.
Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias o u coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.
Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.
Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil - de deficiente vertical . O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.
Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.
O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa de 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.
Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".
Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não.
Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.
Abraços,
Luiz Antônio Simas
(Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio).
ESTE FOI UM E MAIL QUE RECEBI
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Brasil à venda. E há quem compre
Quem costuma ir à feira, ao mercado ou ao supermercado para comprar alimentos sabe muito bem que eles têm subido de preços. A inflação começa a ficar fora de controle. O governo Dilma está consciente de que este é o seu calcanhar de Aquiles.
Os juros tendem a subir e a União anunciou um corte de R$ 50 bilhões no orçamento federal. (Espero que programas sociais, Saúde e Educação escapem da tesoura). Tudo para impedir que o dragão desperte e abocanhe o pouco que o brasileiro ganhou a mais de renda nos oito anos de governo Lula.
Lá fora, há uma crise financeira, uma hemorragia especulativa difícil de estancar. Grécia, Irlanda e Portugal andam de pires nas mãos. Na Europa, apenas a Alemanha tem crescimento significativo. Nos EUA, o índice de crescimento é pífio, três vezes inferior ao do Brasil.
Por que a alta do preço dos alimentos? Devido à crise financeira, os especuladores preferem, agora, aplicar seu dinheiro em algo mais seguro que papéis voláteis. Assim, investem em compra de terras.
Outro fator de alta dos preços dos alimentos é a expansão do agrocombustível. Mais terras para plantar vegetais que resultam em etanol, menos áreas para cultivar o que necessitamos no prato.
Produzem-se alimentos para quem pode comprá-los, e não para quem tem fome (é a lógica perversa do capitalismo). Agora se planta também o que serve para abastecer carros. O petróleo já não é tão abundante como outrora.
Nas grandes extensões latifundiárias adota-se a monocultura. Plantam-se soja, trigo, milho... para exportar. O Brasil tem, hoje, o maior rebanho do mundo e, no entanto, a carne virou artigo de luxo.
Soma-se a isso o aumento dos preços dos fertilizantes e dos combustíveis, e a demanda por alimento na superpopulosa Ásia. Mais procura significa oferta mais cara. A China desbancou os EUA como principal parceiro comercial do Brasil. Soma-se a essa conjuntura a desnacionalização do território brasileiro. Já não se pode comprar um país, como no período colonial. Ou melhor, pode, desde que de baixo para cima, pedaço a pedaço de suas terras.
Há décadas o Congresso está para estabelecer limites à compra de terras por estrangeiros. Enquanto nossos deputados e senadores engavetam projetos, o Brasil vai sendo literalmente comido pelo solo.
Em 2010, a NAI Commercial Properties, transnacional do ramo imobiliário, presente em 55 países, adquiriu no Brasil, para estrangeiros, 30 fazendas nos estados de GO, MT, SP, PR, BA e TO. Ao todo, 96 mil hectares! Muitas compradas por fundos de investimentos sediados fora do nosso país, como duas fazendas de Pedro Afonso, no Tocantins, somando 40 mil hectares, adquiridas por R$ 240 milhões. Pagou-se R$ 6 por hectare. Hoje, um hectare no estado de São Paulo vale de R$ 30 mil a R$ 40 mil. É mais negócio aplicar em terras que em ações da Bolsa.
Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), ano passado cerca de US$ 14 bilhões foram destinados, no mundo, a compras de terras para a agricultura. As brasileiras constaram do pacote. Estima-se que a NAI detenha no Brasil mais de 20% das áreas de commodities para a exportação.
O escritório da NAI no Brasil conta com cerca de 200 fundos de investimentos cadastrados, todos na fila para comprar terras brasileiras e destiná-las à produção agrícola.
O alimento é, hoje, a mais sofisticada arma de guerra. A maioria dos países gasta de 60 a 70% de seu orçamento na compra de alimentos. Não é à toa que grandes empresas alimentícias investem pesado na formação de oligopólios, culminando com as sementes transgênicas que tornam a lavoura dependente de duas ou três grandes empresas transnacionais.
O governo Lula falou muito em soberania alimentar. O de Dilma adota como lema “Brasil: país rico é país sem pobreza”. Para tornar reais tais anseios é preciso tomar medidas mais drásticas do que apertar o cinto das contas públicas.
Sem evitar a desnacionalização de nosso território (e, portanto, de nossa agricultura), promover a reforma agrária, priorizar a agricultura familiar e combater com rigor o desmatamento e o trabalho escravo, o Brasil parecerá despensa de fazenda colonial: o povo faminto na senzala, enquanto, lá fora, a Casa Grande se farta à mesa às nossas custas.
FONTE:http://www.brasildefato.com.br/node/6266
terça-feira, 10 de maio de 2011
Marco Maia acredita em consenso sobre novo Código Florestal
Por outro lado, presidente da Câmara acha difícil acordo sobre veto referente a royalties do pré-sal
Brasília – O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-SP), disse que acredita num consenso sobre o texto do novo Código Florestal. A votação está marcada para esta terça-feira (10) à noite. “Não há acordo, mas há sinais que levam à construção de um entendimento. A bola, agora, está no pé do relator, o deputado Aldo Rebelo (PcdoB-SP)", disse.
Para Marco Maia, se o relatório apresentado for próximo às sugestões apresentadas pelo governo, “a votação será tranquila”.
O texto do novo Código Florestal encontra impasse em dois pontos: no que libera os proprietários de terras de até quatro módulos fiscais da recomposição de áreas desmatadas e no que define a área preservada à beira de rios pequenos, de até dez metros de largura.
“Precisamos de uma votação equilibrada, que proteja o meio ambiente, mas que garanta segurança jurídica e proteção aos agricultores”, disse.
Durante a sessão extraordinária que vai votar o projeto, o acesso às galerias do plenário será restrito.
Pré-sal
Na quarta-feira (11), o Congresso tem sessão para análise de vetos. Essa proposta poderá entrar na pauta, se houver acordo. “Acho difícil que se tenha acordo para votar. Embora haja um sentimento majoritário na Casa para dar uma solução aos royalties”, disse Marco Maia. “Não sei se teremos condições de tratar essa matéria pela importância que ela tem”, acrescentou.
Durante a votação do projeto, no ano passado, o então deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), determinava a distribuição dos royalties para estados produtores e não produtores de petróleo com base no Fundo de Participação dos Municípios. Com isso, estados produtores, como o Rio de Janeiro iriam perder receita. Diante do impasse, a emenda foi vetada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Por:Por: Priscilla Mazenotti
Fonte: Agência Brasil
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Fatah e Hamas próximos da unificação
Em entrevista, historiadora comenta a aproximação entre as organizações de luta do povo palestino
09/05/2011
Dafne Melo
de Buenos Aires (Argentina)
A crise humanitária na Faixa de Gaza e a inquietude na Cisjordânia impulsionaram o acordo entre as organizações palestinas Hamas e Fatah, firmado na semana passada. A opinião é da historiadora Arlene Clemesha, professora de história árabe da Universidade de São Paulo (USP),
Entre as resoluções do acordo estão a formação de um governo único e compartilhado e a convocação de eleições parlamentares e presidenciais no prazo de um ano.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Arlene fala sobre o significado do acordo e as expectativas para o ingresso da Palestina na ONU em setembro.
Você acredita que este acordo Hamas-Fatah tem alguma relação com os últimos acontecimentos no mundo árabe, como a revolução democrática egípcia?
Arlene Clemesha - Eles estão certamente relacionados, já que as revoltas têm pressionado as lideranças árabes de inúmeros países a realizar reformas e tentar solucionar temas importantes aos olhos da população. Além disso, a queda de [Hosni] Mubarak deixou o Fatah sem um importante apoiador, e a instabilidade na Síria de Bashar al-Assad fragiliza igualmente o Hamas. A população palestina está inquieta, tem realizado manifestações contra a ocupação israelense tanto na Cisjordânia como na Faixa de Gaza. Ou seja, a unificação nacional se apresenta como uma necessidade para as várias partes, inclusive para viabilizar a mais recente estratégia política da OLP que consiste em solicitar o ingresso da Palestina na ONU em setembro próximo, como forma de criar pressão internacional pelo fim da ocupação israelense dos territórios palestinos da Cisjordânia (incluindo Jerusalém oriental) e Faixa de Gaza.
Qual o significado desse acordo para a luta contra a ocupação israelense?
Diante do fracasso do processo de paz iniciado em 1991, continuidade na expansão dos assentamentos israelenses em territórios palestinos, e impossibilidade prática e crescente de se criar um Estado Palestino, as lideranças da OLP lançaram oficialmente uma estratégia política que consiste em solicitar o reconhecimento de um Estado palestino, pela ONU, em setembro, sobre as fronteiras internacionalmente
reconhecidas de 1967, incluindo Jerusalém oriental e uma solução justa para os refugiados palestinos. Mesmo que reconhecido formalmente, o novo Estado ainda estaria sob ocupação militar israelense, mas a avaliação das lideranças palestinas é de que essa ação ajudaria evidenciar o isolamento de Israel na questão da sua ocupação ilegal dos territórios palestinos.
Para possibilitar que o pedido de reconhecimento do Estado palestino seja aceito pela grande maioria dos países membros da ONU, a unificação nacional é fundamental. Se a aceitação da Palestina na ONU de fato pressionaria Israel a terminar sua ocupação é muito questionável, mas o fato é que tem causado receio por parte do governo de ocupação. Sob tal impacto, Israel já anunciou que irá propor muito em breve um novo plano de paz aos palestinos, resta ver que condições irá oferecer. Deve-se notar que a postura do Hamas de condenação da morte de Bin Laden poderá prejudicar a unificação nacional e certamente contribui para justificar a postura intransigente israelense de anunciar que não irá reconhecer com um governo palestino onde haja a participação do Hamas. Inclusive, como sintoma imediato da sua determinação, suspendeu o repasse dos impostos e taxas de aduanas legalmente pertencentes ao governo palestino, numa ação que lembra em muito o boicote de 2006 ao governo palestino eleito, e que na ocasião levou justamente à ruptura nacional entre o Fatah e o Hamas.
Hamas e Fatah já haviam feito acordos antes. Qual é a diferença desse novo acordo?
O contexto é muito diferente e hoje ambas as partes sentem uma necessidade muito maior de unificação, coisa que não sentiam antes. A Faixa de Gaza está sofrendo uma crise humanitária prolongada e uma deterioração social que têm fomentado o surgimento de pequenos grupos islâmicos de oposição ao Hamas e, inclusive, mais radicais do que este. Na Cisjordânia, o movimento da sociedade civil também pode irromper a qualquer momento em uma nova Intifada. A unificação nacional, e a adoção de uma estratégia de luta comum, que possa pelo menos por hora, unificar tanto a OLP (notadamente o Fatah), o Hamas e a sociedade civil (representada em ONGS principalmente) pelo fim da ocupação tornou-se necessidade para a própria preservação das atuais estruturas políticas existentes.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Jornal paquistanês questiona circunstâncias da morte de Bin Laden
Um jornal paquistanês sugere nesta terça-feira que o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, possa ter sido morto por sua própria guarda para evitar que fosse capturado por forças americanas.
"Osama foi morto pelas tropas dos Estados Unidos ou pela sua própria guarda?", questiona em sua manchete o jornal "Dawn", o mais popular diário de língua inglesa do país.
O jornal cita uma autoridade local que teria visitado a mansão na qual o líder da Al-Qaeda foi morto, em Abbottabad, e questiona a versão americana segundo a qual Bin Laden foi abatido por militares dos EUA ao resistir à prisão.
"Pela cena do tiroteio, não parece que ele poderia ter sido morto à queima-roupa de um ângulo tão fechado, enquanto estivesse oferecendo resistência", disse ao jornal a autoridade, mantida no anonimato.
Segundo ele afirmou ao jornal, quando os serviços de segurança paquistaneses chegaram à mansão, as forças americanas já haviam deixado o local, levando consigo somente o corpo de Bin Laden e deixando para trás os corpos dos outros mortos na operação, entre eles um guarda-costas e um filho do líder da Al-Qaeda.
Também estariam na casa, segundo ele, duas mulheres do saudita e nove crianças com idades entre 2 e 12 anos, que estariam sob a guarda dos serviços de segurança paquistaneses.
Segundo a autoridade ouvida pelo jornal "Dawn", os sobreviventes da operação americana serão interrogados para estabelecer os detalhes do que ocorreu na mansão na noite do domingo.
Zardari
O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, negou que as autoridades do seu país soubessem do paradeiro de Osama bin Laden, afirmando que o país "nunca foi nem nunca será o foco de fanatismo como é muitas vezes descrito pela mídia". A afirmação foi feita em um artigo assinado por ele e publicado nesta terça-feira pelo diário americano "The Washington Post".
O líder acrescentou que o Paquistão, que tem sofrido repetidos ataques terroristas contra civis e contra seus serviços de segurança, "tinha pago um preço enorme por sua luta contra o terrorismo". "Mais de nossos soldados morreram do que todas as vítimas da Otan juntas. Dois mil policiais, quase 30 mil civis inocentes e uma geração de progresso social para o nosso povo foi perdida."
Bin Laden foi morto no domingo por uma operação de forças americanas na cidade paquistanesa de Abbottabad. O Paquistão não participou da ação.
Zardari disse que, embora os dois países não tenham trabalhado juntos na operação específica, "uma década de cooperação e parceria entre os Estados Unidos e o Paquistão levaram à eliminação de Osama bin Laden como uma ameaça constante para o mundo civilizado".
Ao comentar a ação, na segunda-feira, o principal assessor da Casa Branca para assuntos de segurança nacional de contraterrorismo, John Brennan, afirmou que era "inconcebível que Bin Laden não tivesse um sistema de apoio no país que permitisse a ele ficar lá por um longo tempo".
No artigo, Zardari negou que a morte do líder da Al-Qaeda, em uma mansão próxima a uma academia militar paquistanesa, seja um sinal da incapacidade de seu país combater o terrorismo.
Ele não deu nenhuma explicação de como Bin Laden havia sido capaz de viver em relativo conforto no Paquistão, mas disse que o saudita "não estava em qualquer lugar que havíamos previsto que ele estaria".
Site de pesquisa: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/jornal+paquistanes+questiona+circunstancias+da+morte+de+bin+laden/n1300147156156.html
"Essas especulações infundadas (de que autoridades sabiam do paradeiro de Bin Laden) podem produzir notícias emocionantes, mas não refletem a realidade", disse o líder paquistanês. "O Paquistão teve tanta razão para desprezar a Al-Qaeda como qualquer outra nação. A guerra contra o terrorismo é tanto a guerra do Paquistão como é da América."
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Pai ensinando o que é o política para seu filho
- Pai, eu preciso fazer um trabalho para a escola!
Posso te fazer uma pergunta?
- Claro, meu filho, qual é a pergunta?
- O que é política, pai?
- Bem, política envolve: Povo; Governo; Poder econômico; Classe trabalhadora; Futuro do país.
- Não entendi, dá para explicar?
- Bem, vou usar a nossa casa como exemplo:
Sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico.
Sua mãe administra e gasta o dinheiro, então ela é o governo.
Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo.
Seu irmãozinho é o futuro do país.
A Zefinha, babá dele, é a classe trabalhadora.
- Entendeu, filho?
- Mais ou menos, pai vou pensar.
Naquela noite, acordado pelo choro do irmãozinho o
menino foi ver o que havia de errado. Descobriu que
o irmãozinho tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e viu que sua mãe estava num sono muito profundo. Foi ao quarto da babá e viu através da fechadura o pai transando com ela ...
Como os dois nem percebiam as batidas que o menino dava na porta, ele voltou para o quarto e dormiu. Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai:
- Pai, agora acho que entendi o que é política............
- Ótimo filho! Então me explica com suas palavras.
- Bom pai, acho que é assim:
Enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo dorme profundamente. O povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!!!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Bin Laden está morto. Missão cumprida?
Escreveu uma internauta retuitada pelo cineasta Michael Moore: “Depois de dez anos, duas guerras, 919.967 mortes e 1,188 trilhão de dólares, conseguimos matar uma pessoa”. Objetivamente, é pouco mais que isso. Embora (propositalmente?) anunciado no 66º aniversário do anúncio da morte de Adolf Hitler, o assassinato de Osama bin Laden não tem um significado comparável. A Al-Qaeda não é uma máquina de guerra convencional e centralizada à beira do colapso, como era o exército nazista em 1º de maio de 1945. Talvez resulte mais próximo do que foi o 1º de maio de 2003, quando Bush júnior anunciou a “missão cumprida” no Iraque, mas o problema mal estava começando.
Segundo os Estados Unidos, Bin Laden estava em uma confortável construção de três andares, cercada de muros de quatro a cinco metros ao lado de um colégio de elite e a dois quarteirões de uma delegacia de polícia na cidade turística de Abbottabad, a 116 quilômetros ou duas horas de estrada da capital, Islamabad (cerca de 55 quilômetros em linha reta). Em termos de Brasil, seria como estar em uma mansão em um dos bairros centrais de Campos do Jordão. Ou melhor, em Resende, visto que o local também está a uma breve caminhada de uma das principais academias militares do Paquistão.
Sohab Athair, um usuário do Twitter que se descreve como “um consultor de TI que deu um tempo para a corrida de ratos e escondeu-se nas montanhas com seu laptop”, cobriu a operação desde o início, sem saber exatamente o que se passava e a uns dois quilômetros do local: “helicópteros pairando sobre Abbottabad a uma hora da madrugada (é um evento raro)”. Ouviu explosão, tiros e as poucas pessoas acordadas àquela hora dizerem que pelo menos um dos helicópteros não era paquistanês. Entendeu que era uma situação complicada, mas pensou que era a queda de um helicóptero, como foi inicialmente divulgado na mídia paquistanesa. Compreendeu cinco horas depois, quando Barack Obama foi à tevê anunciar triunfalmente a morte do líder terrorista. “Lá se foi a vizinhança”, escreveu, melancolicamente.
O presidente dos EUA fez do anúncio um discurso cuidadosamente balanceado e um espetáculo muito bem montado. Como quem encarna um herói de Hollywood, iniciou com um “eu planejei, comandei e determinei a morte de Osama bin Laden” e encerrou com “Vamos sempre defender a Justiça e a Liberdade. Deus os abençoe e abençoe a América”. Deu as costas para a câmera e caminhou majestosamente pelo tapete vermelho até o fim do corredor, como um caubói que sai de cena cavalgando para o entardecer, enquanto aparecem os créditos finais.
Bush júnior teve um momento equivalente ao pousar um caça no porta-aviões Abraham Lincoln e fazer seu discurso de vitória sobre Saddam Hussein, com direito a tomadas igualmente heroicas e hollywoodianas. Conseguiu enganar o público o suficiente para ser reeleito em 2005, mas sua popularidade desmoronou em seguida e arrastou-se melancolicamente até o fim do segundo mandato. Obama repetirá o mesmo roteiro?
De qualquer forma, a curto prazo e do ponto de vista da política interna dos EUA, foi um golpe de mestre. Logo depois de reduzir ao ridículo o rival republicano Donald Trump e sua obsessão com a certidão de nascimento do presidente, Obama posa como o herói de guerra e hábil comandante. Em 40 minutos, com um pelotão de forças especiais da Marinha, atingiu o objetivo que Bush júnior garantiu visar durante dois mandatos, mobilizando para isso todo o aparato militar e de inteligência dos EUA e envolvendo o país em duas guerras inúteis e catastróficas para sua economia e relações internacionais.
Yes, we can? Obama não pôde cumprir as promessas de reformas sociais, ambientais e econômicas pelas quais foi eleito, nem sequer fechar a prisão de Guantánamo, mas ao menos cumpriu uma promessa do governo anterior. Pode ser o bastante para garantir sua reeleição, vista a fraqueza das candidaturas republicanas, mas é improvável que a aura da vitória se estenda sobre o resto do Partido Democrata nas eleições legislativas. Assim, o resultado será provavelmente a continuação do impasse político até 2016. A menos que o presidente consiga capitalizar a façanha a ponto de mobilizar a opinião pública em favor da política social e econômica democrata e soterrar a demagogia do Tea Party, o que até agora não se mostrou disposto a fazer.
Do ponto de vista internacional e do campo de batalha real, é pouco provável que a morte de Bin Laden mude o jogo. Sua importância pessoal sempre foi muito exagerada por uma mídia ansiosa por vilões. Mesmo a Al-Qaeda é apenas um aspecto do fundamentalismo islâmico, que é anterior a essa organização em particular, é muito mais amplo e não deixará de existir enquanto não mudarem as condições que o tornaram influente entre as massas muçulmanas humilhadas. A própria forma como foi morto basta para demonstrar que o problema é muito mais vasto. Bin Laden certamente não teria vivido anos em um centro urbano de alta classe média sem a cumplicidade total das Forças Armadas e do serviço de inteligência paquistaneses.
POR:Antonio Luiz M. C. Costa
SITE DE PESQUISA:http://www.conversaafiada.com.br/mundo/2011/05/02/bin-laden-esta-morto-missao-cumprida/
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