segunda-feira, 8 de julho de 2013

Greve histórica dos petroleiros em plena ditadura completa 30 anos


Movimento contrariou a repressão militar e colaborou para a criação da Central Única dos Trabalhadores

Neste mês de julho o movimento sindical brasileiro e os petroleiros, em especial, comemoram 30 anos de um importante movimento paredista, que ficou conhecido como a greve de 1983. Em plena ditadura militar, centenas de petroleiros cruzaram os braços para lutar contra o arrocho salarial, a manipulação do INPC, o Decreto-Lei 2.036 e contra o acordo com o FMI.
Apesar de toda a repressão policial, os petroleiros da REPLAN e da RLAM decidiram paralisar as atividades. O resultado foi a intervenção do governo no Sindicato dos Petroleiros da Bahia e demissões de centenas de trabalhadores. Em Paulínia, foram demitidos 153, em Mataripe, 205.
A greve dos Petroleiros, em 1983, tem uma grande importância histórica e contribuiu de forma decisiva para a realização da primeira greve geral durante a ditadura militar, com enfrentamento da famigerada Lei de Segurança Nacional. Neste mesmo ano, em 28 de agosto, nascia a Central Única dos Trabalhadores, a CUT, e com ela o chamado “novo sindicalismo”, a partir da retomada do processo de uma maior mobilização da classe trabalhadora.
Trinta anos depois, todos os petroleiros que foram perseguidos e perderam seus empregos no confronto político com os militares foram anistiados. Na Bahia, 150 obtiveram a anistia com reparação, mas outros 55 ainda lutam e aguardam decisão para que seja feita a justiça de forma completa, com a obtenção também da reparação.

Comemorações
Para relembrar e saudar esse fato fundamental para a organização sindical dos petroleiros, os Sindipetros Bahia e Unificado-SP realizarm diversas atividades ao longo desse mês de julho. Em Campinas, será realizado neste sábado, 06, um ato político, que contará com a participação de toda a direção da FUP e diversas representações sindicais. O ato começa às 09 horas, na Regional Campinas do Sindipetro Unificado-SP. Na Bahia, o Sindipetro está produzindo um vídeo, ouvindo em entrevistas os dirigentes demitidos, cassados e depois anistiados.

SPIS: “Nem podíamos ir para casa”
Por Alessandra Campos, do Sindipetro Unificado-SP
Garantir que não haveria demissões foi um dos principais motivos que desencadearam a greve dos petroleiros em 1983, segundo conta Antonio Carlos Spis, que começou a trabalhar na Replan em 1º de junho de 1973 como auxiliar de escritório no setor de Pessoal. Num momento em que os militares amordaçavam os sindicatos e tentavam reprimir as mobilizações, os petroleiros decidiram enfrentar a ditadura e, com coragem e determinação, partiram para a greve.
O estopim foi uma carta de intenção do governo para o FMI que indicava redução de custeio de empresas, bancos e serviços públicos. A ditadura brasileira, que começou em 64, assinava cartas de intenção com o Fundo Monetário para receber aporte financeiro e nesses documentos eram determinadas condicionantes. “Traduzimos a carta para a seguinte frase: vai ter demissão! E imediatamente começamos a mobilizar a base contra essa intenção do governo”, lembra Spis. Segundo o sindicalista, não havia diálogo com a Petrobrás e a greve era, naquele momento, a única forma encontrada pelos petroleiros para serem ouvidos. “O presidente da Petrobrás na época, que se chamava Shigeaki Ueki, nunca recebeu o sindicato e o governo nunca deu um passo sequer pra demonstrar que queria conversa com a gente. Ambos, simplesmente, ignoravam nossas reivindicações. Não nos restou alternativa”, comentou Spis. A insatisfação da categoria era tão grande que a primeira assembleia para discutir a greve reuniu cerca de 450 trabalhadores e todos foram favoráveis à mobilização. “Em um momento de tensão, de ditadura, em que as pessoas tinham medo de falar, os trabalhadores não se intimidaram e demonstraram que queriam greve”, recorda-se Spis.
A segunda assembleia, de acordo com ele, foi decisiva para a realização da greve. Cerca de 600 petroleiros votaram a favor da paralisação. “Decidimos iniciar a mobilização política em julho, fora da data base que é setembro, afinal de contas era uma greve de cunho político contra a ditadura”, afirma o petroleiro.
Foi nos dias de preparação da greve que Spis conheceu o ex-presidente do Brasil Lula, que na época era um grande líder sindical no país. “Eu estava pintando faixa no chão, chamando a greve, e o Lula chegou e me falou: ‘Isso aí dá três anos de cadeia’. Eu nem sabia quem era ele”, conta, rindo, o sindicalista.
Na época, os petroleiros receberam apoio de muitos sindicatos, inclusive do dos bancários e metalúrgicos do ABC, do qual Lula era líder. Segundo Spis, os petroleiros eram vistos como uma categoria elitizada e o fato de realizarem uma greve surpreendeu a todos. “Foi uma surpresa que uma categoria estruturada, com bons salários, pudesse se rebelar. Havia uma máxima de que funcionário da Petrobrás não podia entrar em greve, já que era uma indústria especializada e com altos salários. Desconstruímos toda essa história com nossa coragem de enfrentar a ditadura”, declarou.
A greve, lembra Spis, começou às 23h30 do dia 5 de junho. “Adiantamos o início da mobilização. Foi uma forma de surpreender. Articulamos esse golpe contra a polícia do Exército e os vigilantes da empresa, já que todos imaginavam que a greve começaria no turno da manhã seguinte”, conta.
Durante os dias da paralisação, os grevistas se concentraram em diferentes locais. “Não podíamos ir para casa por causa da pressão da polícia, dos vigilantes e da própria família. Então, concentrávamos todo mundo primeiro no sindicato, depois em um local no Centro da cidade (teatro de arena) e, por fim, no ginásio do Taquaral. Para dar mais proteção e estrutura ao grevista, dormíamos nesses lugares”, recorda Spis.
Cada dia da greve era uma aventura, de acordo com o sindicalista, principalmente por causa da pressão que existia na época. “Havia policiais no nosso encalço. Mandavam pessoas atrás da gente o tempo todo. Soltavam pela imprensa que estava todo mundo demitido. Era tudo muito difícil”.
Ele lembra de um fato curioso. “Nossas mobilizações eram animadas pelo companheiro Gilberto Coelho Marques de Abreu, que sempre cantava a música do Gonzaguinha ‘Desesperar Jamais’. Em uma das ocasiões apareceu um sujeito que tocava violão e começou a animar nossa festa todo final de tarde. Achávamos que ele era um trabalhador, mas, na verdade, era da polícia federal e se infiltrou no nosso grupo para nos delatar”.
Os grevistas resistiram sete dias à repressão, mas não conseguiram o que queriam. “Tentamos encontrar todos os caminhos para negociação, até que não teve mais jeito. Não tínhamos mais o que fazer. Não tínhamos mais alternativa de negociação, nem canais políticos. A ditadura se fechou em copas e nos mandou o recado ‘ninguém negocia’. Queríamos apenas que houvesse um posicionamento do governo ditador do Figueiredo de que não haveria demissão de pessoal, mas não conseguimos e voltamos ao trabalho”.

FONTE: http://www.cut.org.br/

segunda-feira, 24 de junho de 2013

“Transporte coletivo gratuito é tão viável quanto o SUS”



O engenheiro Lúcio Gregori, secretário de Transportes na cidade de São Paulo no governo Luíza Erundina (1989 a 1992), argumenta que a política tributária no Brasil impede a aplicação da gratuidade no transporte coletivo, tão viável quanto o SUS (Sistema Único de Saúde), escolas públicas e coleta de lixo.


A entrevista é de Angela de Paula e publicada pelo jornal ABCD Maior, 15-06-2013
Gregori avalia que uma das formas de se pressionar por um transporte mais barato é fazer justamente o que os jovens paulistanos estão fazendo: ocupar as ruas e cobrar a redução da tarifa. Em sua opinião, transporte não é uma questão técnica, mas um debate em que está colocada a disputa pelos recursos públicos.
Eis a entrevista.
Como o sr. avalia o modelo atual de transporte coletivo no Brasil, em especial da região metropolitana de São Paulo?
Avalio como sendo tradicional, e uma tradição ruim, que é a de transformar o transporte coletivo numa atividade econômica atraente para o setor privado e que acaba sendo prejudicial para as pessoas que usam o transporte e para a cidade como um todo. Três fatores contribuem para isso: o primeiro é o sistema de concessão de serviço público por tempo muito prolongado, podendo chegar a 25 anos, o que vai contra a dinâmica das cidades e causa contradições de interesses futuramente. O segundo é o modelo de vincular o transporte coletivo ao pagamento da tarifa e tratá-lo como um negócio qualquer, sendo que é um serviço de utilidade pública. O terceiro ponto é a priorização do transporte individual motorizado. O resultado é um transporte coletivo ruim e caro, e o grande sonho de todos é ter um carro para se libertar, levando a congestionamentos, estresse, poluição e mal funcionamento das cidades como um todo. O cidadão tem o direito de ir e vir, mas não tem como exercê-lo, sendo sonegado o acesso da população a vários serviços básicos, culturais, enfim.
Uma das principais queixas é o alto valor das tarifas. Uma decisão do governo federal reduziu a zero da alíquota do PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), mas as passagens no ABC paulista, por exemplo, só caíram R$ 0,10, o que é considerado ainda pouco pelos usuários. É possível fazer mais?
Em geral, a desoneração de impostos é uma “solução meia-boca”. Porque vai diminuir o dinheiro que seria destinado para previdência e seguridade. Esses valores terão de vir de algum lugar e haverá alguma dificuldade mais adiante. Outra questão é que não dá para eliminar grandes valores porque senão quebra as empresas de transporte, resultando em reduções pífias. Para quem usa o transporte todos os dias, R$ 0,10 é uma diferença mínima.
O modelo ideal seria de tarifa zero?
O que existe é uma crise financeira no Estado brasileiro, no sentido amplo (federal, estadual, municipal). O Brasil não tem dinheiro para o que precisa fazer e ao mesmo tempo tem impostos altíssimos. Tem algo errado aí. O que existe são impostos mal resolvidos, paga mais quem ganha menos e paga menos quem ganha mais, uma coisa muito extravagante. Como resultado, o governo não tem dinheiro para subsidiar as tarifas do transporte e, no limite, implementar a tarifa zero. É uma discussão que não se limita ao setor de transportes, mas inclui a política tributária no país como um todo.
Isso é agravado pela pressão das empresas de transporte, que não têm interesse na redução das tarifas?
Olhando de forma fria, para um empresário tanto faz quanto é cobrado do usuário, desde que o contrato separe o custo do serviço do preço da tarifa. Uma das coisas complicadas da maioria das concessões é que a tarifa responde pelo equilíbrio econômico e financeiro do contrato. Então, o empresário tem interesse que a tarifa seja a mais alta possível. Outra discussão é a planilha de custos que vai determinar o preço que será cobrado.
Como funcionaria a tarifa zero?
Em 1990, quando era secretário de Transportes da prefeita Luiza Erundina, nós transformamos a proposta em um projeto. Fazia-se uma reforma tributária do município de São Paulo para ter recursos para bancar a tarifa zero. Era, sobretudo, uma reforma sobre impostos municipais como ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis), IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) e assim por diante. No projeto de lei do orçamento da prefeitura constituía-se um Fundo Municipal de Transporte e o dinheiro arrecadado bancava inteiramente a tarifa de ônibus, que não seria mais cobrada do usuário, mas paga indiretamente pelo conjunto dos impostos, como é a coleta de lixo, a segurança, saúde e educação públicas. O projeto foi para a Câmara, que não votou.
Por que não foi votado?
Se a tarifa zero tivesse dado certo, a Luíza Erundina seria a rainha do Brasil… Não foi votado por uma disputa política e mexia com interesses de pessoas que pagavam impostos relativamente baixos e passariam a pagar o imposto realmente necessário. Ninguém queria mexer neste vespeiro. O projeto foi arquivado, mas houve consequências. Ao negar-se a votar, a Câmara foi corresponsável por um estado calamitoso do transporte em São Paulo na época. Como os contratos de concessão estavam todos vencidos, negociamos com os vereadores durante meses e transformamos concessões em sistema de contratação de frota, equivalente a fretar os ônibus dos empresários. A partir daí, eles não teriam relação com o valor da tarifa. A lógica foi de que, com a frota vinculada às tarifas, menos ônibus e mais lotação, era mais interessante aos empresários que poucos veículos circulassem. O que fizemos foi a inversão, já que quanto mais ônibus fretados, mais dinheiro o empresário teria. Com isso, aumentamos a frota de 7.600 ônibus em 1991 para 9.600 veículos no ano seguinte.
Como a sociedade pode pressionar por um transporte mais barato – ou mesmo gratuito – e de qualidade?
Aquilo que vários movimentos estão fazendo na Capital: indo para a rua e pressionando o governo. Uma das características da democracia é disputar o dinheiro do Estado. Como a população pode reivindicar? Tem que se manifestar, com muita legitimidade. Às vezes quebram-se vidros, mas é algo natural em protesto, mas é importante salientar que a violência não parte só dos manifestantes, mas também da polícia. É preciso transformar a questão do transporte, que frequentemente é tida como um problema técnico, e colocar a discussão onde ela está, na disputa pelos recursos. Para termos um transporte mais barato, de mais qualidade e, no limite, pago indiretamente pelos impostos recolhidos.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

MASSACRE DE FELISBURGO – MG.

CARTA-MANIFESTO DAS ORGANIZAÇÕES DO SUL DE MINAS GERAIS EM DEFESA DA REFORMA AGRÁRIA E PELA PUNIÇÃO DE ADRIANO CHAFIK, MANDANTE DO MASSACRE DE FELISBURGO – MG.


O genocídio das populações originarias, a escravidão, a industrialização dependente dos interesses externos, são algumas das chagas históricas da formação sócio-econômica do Brasil. Atualmente vivemos um período de total controle de nossas soberanias pelos grandes monopólios transnacionais de exploração predatória. Desde o início da colonização portuguesa que o Brasil sofre com vários problemas de origem fundiária. São 512 anos convivendo com a dívida da Reforma Agrária no Brasil!
Povos indígenas, quilombolas e camponeses pobres vem conduzindo historicamente diversas lutas pelo direito à terra. Nos últimos 28 anos destaca-se também o papel da luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
O que produz e legitima estas lutas é a elevada concentração de terras em nosso país, fruto da atividade criminosa de uma Burguesia Agrária Transnacional. Levantamentos atuais demonstram que 1% dos proprietários rurais detém em torno de 46% de todas as terras dos brasileiros. Dessas, a maior parte é ociosa, subutilizada, ou utilizada para pecuária extensiva predatória: apenas 60 milhões de hectares são utilizados como lavoura, em um total de aproximadamente 400 milhões de hectares titulados como propriedade privada! Mesmo com a relativa melhoria de vida dos mais pobres na última década, nosso país preserva uma trágica concentração de renda, já que das 60 mil famílias brasileiras, apenas 5 mil concentram 45% das riquezas.
O ano de 2012 foi um dos piores anos para a Reforma Agrária em toda historia do MST, comparado apenas a outros períodos muito duros, como foram 1990-92 (Governo Collor) e no final do mandato do FHC-2000-02 (gestão Raul Pinto Jungmann).
Mais uma prova que existe uma “Questão Agrária” ainda a ser resolvida no Brasil são os crimes cometidos contra trabalhadores no campo. Um destes foi o Massacre de Felisburgo ocorrido em 20 de novembro de 2004, na região do Vale do Jequitinhonha – MG. Neste crime 17 pistoleiros assassinaram 5 trabalhadores rurais sem-terra e feriram mais 12 à bala, entre os quais uma criança, no Acampamento Terra Prometida (então Fazenda Nova Alegria), na cidade de Felisburgo – MG. O mandante e também executor deste crime bárbaro foi Adriano Chafik, proprietário do latifúndio.
Mesmo após a ocorrência do massacre, a Fazenda, que não cumpre a sua função social conforme o artigo 186 da Constituição Federal, não foi desapropriada pelo INCRA para fins de Reforma Agrária. As famílias permanecem vivendo e trabalhando no Acampamento sem a garantia de direitos básicos como educação, moradia, saúde e crédito agrícola. Além disso, os familiares das vítimas do massacre nunca foram indenizadas.
A permanência do latifúndio e o incentivo ao agronegócio geram desigualdades sociais, degradação ambiental, superexploração da força de trabalho e conflitos agrários. Diante desta realidade, que diz respeito a todos(as) trabalhadores(as) do campo e da cidade, e que afeta a luta pela construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária, as organizações, coletivos, entidades e sindicatos que apoiam as causas populares e atuam no Sul de Minas, manifestam:
• Indignação com o descaso conferido à Reforma Agrária no Brasil, sobretudo com o bloqueamento da aquisição de novas áreas e a falta de investimento nos assentamentos já criados.
• Solidariedade à luta por reforma agrária e justiça social do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, e às famílias que permanecem no Acampamento Terra Prometida, incansáveis combatentes ao latifúndio e pelo direito à dignidade dos trabalhadores (as)!
• Indignação com a liberdade gozada pelo mandante e executor do Massacre de Felisburgo, Adriano Chafik. Fato pelo qual exigimos da Justiça brasileira e de todas as autoridades competentes uma punição exemplar e imediata.

Assinam:
ADERE – ARTICULAÇÃO DOS EMPREGADOS RURAIS DO ESTADO DE MINAS GERAIS

CONSULTA POPULAR

MST - MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM-TERRA

SINDICATO DOS AGROPECUARISTAS EM REGIME DE AGRICULTURA FAMILIAR DE CAMPO DO MEIO-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE CAMBUQUIRA-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE CAMPO DO MEIO-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE CARMO DE MINAS-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE CARMO DA CACHOEIRA-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE CONCEIÇÃO DO RIO VERDE-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE DIVINO-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE ELOY MENDESE CORDISLÂNDIA - MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE GUAPE-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE PERDÕES E RIBEIRÃO VERMELHO-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DE TRES CORAÇÕES-MG

SINDICATO DOS EMPREGADOS RURAIS DA REGIÃO SUL DE MINAS GERAIS

LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE ALFENAS

CENTRO ACADÊMICO DE BIOLOGIA – UNIFAL MG

DCE LEVANTANDO A BASE – UNIFAL MG

COLETIVO QUILOMBO – ALFENAS MG

CENTRO ACADÊMICO DE HISTÓRIA - UNIFAL MG

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Desisti de ser professor do Estado



Hoje tive o dia mais triste como professor. Não estou me referindo a nenhuma indisciplina ou necessariamente a
baixo rendimento escolar de meus alunos.

SOLICITEI A MINHA DISPENSA NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS e fui surpreendido pelos meus alunos.

Como sou muito exigente, muitas vezes coloco fardos pesados sobre meus alunos. Acreditava que a minha saída na transição dos bimestres seria encarada apenas como mais uma das tantas mudanças corriqueiras que ocorrem na Escola.

Estava enganado. Fui surpreendido pelo choro mais desolador que já vi em toda a minha vida. Minha maior tristeza foi pensar que eu poderia ser responsável por esse choro.

Jamais pensei que meus ALUNOS DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS fossem chorar por minha saída.

Preocupado com o que eu diria paraeles como motivo, preferi a verdade. ESTOU SAINDO PORQUE NÃO CONSIGO ME SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS. Como são crianças, muitas não entenderam o que eu queria dizer e me responderam novamente com o choro mais desolador que já vi ou causei em toda a
minha vida.

“PROFESSOR NÃO NOS ABANDONE”!

A criança não entende a opção que nós professores fazemos quando abandonamos a sala de aula. Uma de minhas alunas gritou: “Vou me mudar para a escola onde o senhor vai continuar como professor”. Nessa hora engasguei o choro e me perguntei como poderia ser isso? Se a maioria de nós no Brasil e na REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS não dispomos de recursos para bancar o ensino privado.

Algumas crianças se puseram na porta e tentavam impedir minha saída, sem palavras e assustado com o choro e
o pedido de que não as “abandonasse”, restou-me recolher na solidão de meu objetivo racional e deixar a sala com crianças chorosas como nunca vi a se despedirem com o olhar que jamais esquecerei, do professor que NÃO CONSEGUIU SE SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS.

Eu poderia recolher-me na vaidade, em pensar que sou um bom professor e que vou conseguir o melhor para mim.

Entretanto, sei que hoje a exemplo do que ocorreu comigo, DEZENAS DE OUTROS PROFESSORES DEIXARAM A REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS POR NÃO CONSEGUIREM SE SUSTENTAR, ASSIM COMO TAMBÉM DEZENAS DE CRIANÇAS CHORARAM AO SE DESPEDIREM DE SEUS PROFESSORES.

Resta-me na revolta implorar a todos os mineiros e brasileiros que lerem essa carta.

PELO AMOR DE DEUS! NÃOACREDITEM NA EDUCAÇÃO FAZ DE CONTA DO GOVERNO DE MINAS GERAIS. O ESTADO FAZ DE CONTA QUE REMUNERA SEUS PROFESSORES, PROFESSORES INFELIZMENTE FAZEM DE CONTA QUE ENSINAM, ALUNOS FAZEM DE CONTA QUE APRENDEM E ATORES GLOBAIS FAZEM DE CONTA QUE FALAM DA MELHOR EDUCAÇÃO DO PAÍS.

O episódio dessa carta ocorreu NO DIA 18 DE ABRIL DE 2013 NA ESCOLA ESTADUAL BARÃO DO RIO BRANCO EM BELO HORIZONTE. Infelizmente ocorreu também em dezenas de Escolas do Estado de Minas Gerais.

ENQUANTO O GOVERNO DE MINAS PAGA MILHARES DE REIAIS A ATORES GLOBAIS PARA MENTIREM SOBRE A EDUCAÇÃO NO HORÁRIO NOBRE, NOSSAS CRIANÇAS CHORAM OS SEUS PROFESSORES QUE ESTÃO SAINDO PORQUE NÃO CONSEGUEM MAIS SE SUSTENTAR NO ESTADO.

Prof. Juvenal Lima Gomes


EX-PROFESSOR DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS
http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/educacao/noticias-de-educacao/18277-desisti-de-ser-professor-do-estado

segunda-feira, 8 de abril de 2013

RESISTÊNCIA E LUTA



Somos muitos/as.

Estudantes que nasceram na capital e no interior. Somos o povo negro empretecendo a universidade. Somos quilombolas que querem o direito de viver nossos costumes. Somos indígenas retomando a terra sobre a qual se ergueu a academia. Somos mulheres se empoderando na sociedade. Somos lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, provando que esse espaço nos cabe. Somos o grito dos povos que estão fora e querem entrar. Somos sem-terra ocupando o latifúndio do conhecimento.

E não aceitamos que ninguém nos retire nenhum direito.

E por isso resistimos!

Mas também somos um/a só. Sabemos que nossa libertação não pode vir em partes; que o direito à educação deve ser de todos/as nós. Conscientes de que há um projeto que nos une: uma universidade democrática e popular, colorida e diversa, com ensino de qualidade e para todos/as, que cumpra sua função social e contribua para a transformação da sociedade.

E por isso lutamos!

Lutamos por um projeto popular de universidade por entender que ela deve deixar de ser um espaço de reprodução do que há de mais atrasado na sociedade e passe a ser parte da sua transformação. Para que a universidade derrube seus muros e tenha a cara da comunidade que a cerca. Para que, um dia, nos vejamos numa sociedade justa e igualitária, em que a diferença não nos diminua e a igualdade não nos descaracterize.

Somos resistência e luta. Somos muitos, diferentes, mas iguais como um só.

E amanhã seremos ainda maiores!

Entre no blog da tese e nos ajude a construí-la:
http://souquilombo.wordpress.com/

Pode também entrar em contato pelo email souquilombo@gmail.com

RUMO AO 14º CONSELHO NACIONAL DE ENTIDADES DE BASE DA UNE!


quarta-feira, 3 de abril de 2013

A ousadia da juventude brasileira



A manutenção e ampliação dessa articulação renderá frutos e poderá contribuir para envolver na luta social o conjunto da juventude brasileira

A jornada nacional de lutas da juventude brasileira, promovida por organizações dos movimentos estudantil, sindical e popular do campo e da cidade, representa um avanço na articulação das forças progressistas no país.

A atividade – que começou em 25 de março e segue até o dia 11 de abril – teve um grande ato no centro de São Paulo (SP), com a participação de cerca de mil jovens. A jornada articula mais de 30 organizações, em torno de uma plataforma ampla e avançada, que conjuga demandas reivindicatórias e pautas políticas. Ainda serão realizadas atividades em pelo menos 15 estados.

A juventude demonstra maturidade e ousadia em suas reivindicações, demonstradas nos eixos da jornada, ao tratarem de questões fundamentais para o conjunto da classe trabalhadora, especialmente para os jovens.

Um dos temas abordados pela jornada é a denúncia da violência do Estado, sobretudo contra a juventude negra. Essa questão é fundamental porque aflige milhares de famílias nas periferias das grandes cidades em todo o país.

Em São Paulo, de 2006 a 2010, 2.262 pessoas foram assassinadas após supostos confrontos com Polícia Militar. A PM de São Paulo matou quase nove vezes mais do que a polícia dos EUA.

A bandeira da ampliação do investimento público em educação, por meio da garantia de 10% do PIB, 50% do fundo social e 100% dos royalties do petróleo, tem a capacidade de articular diversos setores da sociedade. Além disso, essa luta pressiona o governo a mudar as prioridades no orçamento, que ainda utiliza a maior parte dos recursos no pagamento de juros da dívida e no superávit primário.

A luta por mais investimentos em educação ganha ainda mais importância diante da ofensiva dos setores neoliberais, que pressionam o governo a aumentar os juros e reduzir os gastos públicos.

A juventude trabalhadora sofre a cada dia com a maior intensidade do trabalho. No Brasil, cerca de 700 mil casos de acidentes de trabalho são registrados em média todos os anos, de acordo com o Ministério da Previdência. Maquinário velho e desprotegido, mobiliário inadequado, ritmo acelerado, assédio moral, cobrança exagerada e desrespeito a diversos direitos são algumas das causas desses acidentes.

Assim, a defesa do trabalho decente e da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários é um instrumento de resistência à superexploração da força de trabalho.

A democratização do sistema de comunicação é, a cada dia, uma necessidade mais evidente para a sociedade brasileira. Um estudo da Unesco, publicado em 2011, concluiu que a mídia brasileira é dominada por 35 grupos, que controlam 516 empresas. Uma única rede, as Organizações Globo, detém 51,9% da audiência nacional.

Nunca será democrática uma sociedade com esse nível de concentração dos meios de comunicação. Ainda mais quando esses mesmos meios de comunicação passam a chantagear e ameaçar a imprensa alternativa, como no caso da condenação pela Justiça do Rio do Janeiro do jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog Viomundo, em processo aberto pelo diretor da TV Globo, Ali Kamel.

Mais uma pauta da jornada da juventude é a realização de uma reforma política, por meio do financiamento público das campanhas e da regulamentação do artigo 14 da Constituição Federal, que trata dos referendos e plebiscitos, importantes para a participação da sociedade.

A desmoralização do Congresso Nacional e da prática política esconde que, por trás do sistema político no Brasil, estão os interesses do grande capital, que financia a candidatura de parlamentares, governadores e presidentes, tutelando a sua atuação após as eleições.

A reforma agrária, que está parada, é uma bandeira central para criar condições para a juventude permanecer no campo, ter melhores condições de vida e perspectiva de futuro.

Além disso, é urgente mudar o modelo agrícola no país, porque o agronegócio tem expulsado as famílias do meio rural para concentrar ainda mais as terras e produzir monoculturas para exportação com a utilização excessiva de agrotóxicos.

A manutenção e ampliação dessa articulação renderá frutos e poderá contribuir para envolver na luta social o conjunto da juventude brasileira. Parte importante dos jovens tem referência em organizações relacionadas à identidade negra, à defesa dos direitos dos homossexuais, à campanha por mudanças na organização das grandes cidades e na matriz de transporte urbano, à defesa do meio ambiente, às novas tecnologias e rede s sociais e à área da cultura, música, artes plásticas e teatro.

Assim, a juventude poderá voltar à cena política e cumprir um papel importante na construção do Projeto Popular para o Brasil, na realização de lutas de massas e na construção de forças sociais para enfrentar os interesses do grande capital e do imperialismo, para empreender as mudanças estruturais necessárias para garantir a soberania nacional e o controle democrático do Estado pela sociedade brasileira.

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/12532

segunda-feira, 1 de abril de 2013



São Paulo – O jornalista Luiz Carlos Azenha anunciou ontem (29) à noite o fim do blog Viomundo, um dos mais respeitados e acessados da chamada blogosfera progressista, após uma ação judicial movida pelo diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel – na qual Azenha foi condenado a pagar R$ 30 mil.

Em texto publicado no próprio blog, o jornalista lamenta a judicialização do debate político e diz que os grandes meios de comunicação estão conseguindo, pelo bolso, aquilo que nem a ditadura (1964-1985) conseguiu: calar os veículos alternativos.

“Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão— entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim. Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual”, afirma. Leia abaixo a íntegra da nota

Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa

por Luiz Carlos Azenha

Meu advogado, Cesar Kloury, me proíbe de discutir especificidades sobre a sentença da Justiça carioca que me condenou a pagar 30 mil reais ao diretor de Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, supostamente por mover contra ele uma “campanha difamatória” em 28 posts do Viomundo, todos ligados a críticas políticas que fiz a Kamel em circunstâncias diretamente relacionadas à campanha presidencial de 2006, quando eu era repórter da Globo.

Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.

Vi colegas, como Mariana Kotscho e Cecília Negrão, reclamando que a cobertura da emissora nas eleições presidenciais não era imparcial.

Um importante repórter da emissora ligava para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dizendo que a Globo pretendia entregar a eleição para o tucano Geraldo Alckmin. Ouvi o telefonema. Mais tarde, instado pelo próprio ministro, confirmei o que era também minha impressão.

Pessoalmente, tive uma reportagem potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, censurada. A reportagem dava conta de que Serra, enquanto ministro, tinha autorizado a maior parte das doações irregulares de ambulâncias a prefeituras.

Quando uma produtora localizou no interior de Minas Gerais o ex-assessor do ministro da Saúde Serra, Platão Fischer-Puller, que poderia esclarecer aspectos obscuros sobre a gestão do ministro no governo FHC, ela foi desencorajada a perseguí-lo, enquanto todos os recursos da emissora foram destinados a denunciar o contador do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, este posteriormente absolvido de todas as acusações.

Tive reportagem sobre Carlinhos Cachoeira — muito mais tarde revelado como fonte da revista Vejapara escândalos do governo Lula — ‘deslocada’ de telejornal mais nobre da emissora para o Bom Dia Brasil, como pode atestar o então editor Marco Aurélio Mello.

Num episódio específico, fui perseguido na redação por um feitor munido de um rádio de comunicação com o qual falava diretamente com o Rio de Janeiro: tratava-se de obter minha assinatura para um abaixo-assinado em apoio a Ali Kamel sobre a cobertura das eleições de 2006.

Considero que isso caracteriza assédio moral, já que o beneficiado pelo abaixo-assinado era chefe e poderia promover ou prejudicar subordinados de acordo com a adesão.

Argumentei, então, que o comentarista de política da Globo, Arnaldo Jabor, havia dito em plena campanha eleitoral que Lula era comparável ao ditador da Coréia do Norte, Kim Il-Sung, e que não acreditava ser essa postura compatível com a suposta imparcialidade da emissora. Resposta do editor, que hoje ocupa importante cargo na hierarquia da Globo: Jabor era o “palhaço” da casa, não deveria ser levado a sério.

No dia do primeiro turno das eleições, alertado por colega, ouvi uma gravação entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e um grupo de jornalistas, na qual eles combinavam como deveria ser feito o vazamento das fotos do dinheiro que teria sido usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato Serra.

Achei o assunto relevante e reproduzi uma transcrição — confesso, defeituosa pela pressa – no Viomundo.

Fui advertido por telefone pelo atual chefão da Globo, Carlos Henrique Schroeder, de que não deveria ter revelado em meu blog pessoal, hospedado na Globo.com, informações levantadas durante meu trabalho como repórter da emissora.

Contestei: a gravação, em minha opinião, era jornalisticamente relevante para o entendimento de todo o contexto do vazamento, que se deu exatamente na véspera do primeiro turno.

Enojado com o que havia testemunhado ao longo de 2006, inclusive com a represália exercida contra colegas — dentre os quais Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e Carlos Dornelles — e interessado especialmente em conhecer o mundo da blogosfera — pedi antecipadamente a rescisão de meu contrato com a emissora, na qual ganhava salário de alto executivo, com mais de um ano de antecedência, assumindo o compromisso de não trabalhar para outra emissora antes do vencimento do contrato pelo qual já não recebia salário.

Ou seja, fiz isso apesar dos grandes danos para minha carreira profissional e meu sustento pessoal.

Apesar das mentiras, ilações e tentativas de assassinato de caráter, perpretradas pelo jornal O Globo* e colunistas associados de Veja, friso: sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador.

O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.

Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30 mil reais em honorários advocatícios.

Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?

O objetivo da emissora, ainda que por vias tortas, é claro: intimidar e calar aqueles que são capazes de desvendar o que se passa nos bastidores dela, justamente por terem fontes e conhecimento das engrenagens globais.

Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.

Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.

Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão— entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.

Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.

E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.

Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.

Eu os vejo por aí.

PS do Viomundo: Vem aí um livro escrito por mim com Rodrigo Vianna, Marco Aurelio Mello e outras testemunhas — identificadas ou não — narrando os bastidores da cobertura da eleição presidencial de 2006 na Globo, além de retratar tudo o que vocês testemunharam pessoalmente em 2010 e 2012.

PS do Viomundo 2: *Descreverei detalhadamente, em breve, como O Globo e associados tentaram praticar comigo o tradicional assassinato de caráter da mídia corporativa brasileira.


FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2013/03/apos-acao-da-globo-azenha-anuncia-fim-do-viomundo

domingo, 17 de março de 2013

O legado de Hugo Chávez para a América Latina



Em 14 anos promoveu 17 eleições (a 18ª travar-se-á no dia 14 de abril ainda em torno de sua legenda) e ganhou nada menos de 16! Mas é um ‘ditador’, diz o Departamento de Estado dos EUA e o repetem nossos jornalões, reproduzindo suas matrizes ideológicas.

Convocou por plebiscito uma Constituinte autônoma e a confirmou em referendo. Nossa democracia, vencida com tanta dor a ditadura (cujos crimes só agora começam a ser oficialmente apurados!), teve de se conformar com um Congresso ordinário (inchado até com senadores biônicos) autoinvestido de poderes constituintes.

A Constituição da ‘ditadura’ chavista – caminhando para a democracia direta –, incorpora avanços impensáveis ainda hoje no Brasil. Além da iniciativa popular legislativa, do plebiscito e do referendo (consultivo, revocatório, aprovatório e abrogatório), introduziu a revogação de mandatos, inclusive o do presidente. Chávez, ainda, inovou, ao submeter seu mandato a referendo (2004).

Mas, asseveram os comentaristas, o ‘regime chavista’ era (e prossegue sendo com Maduro) uma ‘ditadura’. Democracia mesmo, bem esta é a do grande ‘irmão do Norte’, onde Al Gore ganha as eleições no voto e quem toma posse é Bush…

No Brasil democrático, a ‘Constituição cidadã’ do Dr. Ulysses foi contestada desde o primeiro dia pelos seus avanços sociais, tarefa a que se devotaram Sarney, Collor e FHC, em nome da chamada governabilidade. Hoje, é um texto sem caráter, colcha de retalhos, mutilada por 71 emendas (e outro tanto em andamento…) que derrogaram a maior parte das conquistas sociais e os dispositivos que protegiam o interesse nacional. O que sobrou de avanço, sofre a condenação da direita, ecoada pela grande imprensa. Bom exemplo é a impossibilidade de cumprir a ordem do art. 220 da CF (aquele que regula os meios de comunicação de massa).

Acostumados com a leniência de nossos governos, dos partidos, do Legislativo e do Judiciário – todos acovardados diante do monopólio da informação – os grandes meios dizem que Chávez era um ditador porque enfrentou o que não ousamos enfrentar aqui: o monopólio da informação manipulada. Lá, os poderosíssimos grupos RCTV e Globovision. Não se informa (ora, informar não é o objetivo da grande imprensa!) que esses grupos de mídia foram instrumento fundamental (e evidentemente inconstitucional e ilegal) no golpe de Estado de 2002, contra Chávez, articulado pela embaixada dos EUA e o grande empresariado venezuelano. Como aqui em 1964, o golpe de lá também foi perpetrado em nome da democracia. Lá, o ‘democrata’ Pedro Carmona, presidente da Federação Venezuelana de Câmaras de Comércio (Fedecámaras), assim que instalado no Miraflores, atribuiu a si mesmo poderes extraordinários para determinar a dissolução da Assembleia e o recesso do Judiciário e da Procuradoria…

Seria esse o regime que prometia livrar a Venezuela da ‘ditadura chavista’. A diferença entre o nosso longevo golpe de 1964 e o venezuelano de 2002 é que lá o povo reagiu e depôs os golpistas. O resto é história contada e sabida.

No Brasil, a direita – e ela é a mesma aqui, ali e acolá –, responde com arreganhos a toda e qualquer iniciativa, seja mesmo puramente acadêmica, teórica, de democratização dos meios de comunicação, oligopolizados do ponto de vista empresarial e monopolizados do ponto de vista ideológico. Hoje um poder acima do Estado, e da Constituição, irresponsável porque inimputável, poder que ninguém ousa controlar. Pois uma das exigências da democracia é o encontro da liberdade com a responsabilidade. Uma não pode ser maior do que a outra.

Não se quer muito. Agora mesmo, no México, o governo festejadamente democrático de Peña Nieto criou um Instituto Federal de Telecomunicações com poderes para regular a concorrência nos mercados de telefonia e radiodifusão. Terá sido acometido de algum vírus chavista? Se essa regulação caminhar no sentido da democratização, o alvo poderá vir a ser o Grupo Televisa, que detém 70% da audiência mexicana. Nessa hipótese de ‘mau exemplo’, o México continuará sendo considerado uma democracia?

O merecido conceito brasileiro de democracia representativa estável resistiria, na voz dos monopólios, a qualquer tentativa de democratização dos meios de comunicação de massa?

Fala-se, agora, que Maduro, indicado vice na forma da Constituição venezuelana, não poderia permanecer no cargo após a morte do titular. No Brasil, o colégio eleitoral (que substituiria o povo no direito de eleger o presidente), elegeu Tancredo, e, com sua morte, o Congresso, passando por cima do presidente da Câmara dos Deputados, deu posse ao vice-presidente José Sarney (também e não por acaso ex-presidente do partido da ditadura, é impossível deixar de lembrar).

A história da Constituinte condicionada e da posse do vice no lugar do presidente morto antes de seu juramento no Congresso e de instalar-se no Planalto, remonta a negociações de próceres do PMDB com os militares que teriam dado origem a compromissos para assegurar a transição do poder militar para o poder civil, monitorado por aquele. Um dos compromissos teria sido o da convocação de um congresso constituinte, em vez de uma Constituinte autônoma; outro, inimputabilidade dos crimes da ditadura

Não nos enganemos. A direita, no Brasil e no mundo, jamais teve apreço pela democracia, embora alegue sua defesa sempre que promove golpes-de-Estado. As razões para a guerra midiática antichavista são objetivas: a Venezuela possui uma das maiores reservas petrolíferas do mundo, reservas que sobreviverão quando secarem as do Oriente Médio, depredado pelas grandes potências. Em seu rastro, a pobreza de milhões (em contraste com a riqueza obscena de suas classes dominantes) e os milhões de vítimas de um genocídio permanente, sustentado pela fome e pelas guerras impostas pelo imperialismo.

Para as elites venezuelanas, corruptas, pérfidas, o petróleo serviria tão só para o seu enriquecimento e fausto, pois os lucros eram aplicados em Miami, sua verdadeira capital. Quanto mais o país exportava petróleo – e importava tudo porque nada era investido na produção de alimentos ou na industrialização – o povo, as grandes massas, a maioria da população, os mulatos e os mestiços, pobres porque povo mestiço, viviam na pobreza abjeta, sem emprego, sem educação, sem saúde, sem nada porque também sem esperança. Que fez o ‘caudilho’, coronel ‘populista’, ‘demagogo’? Desviou os lucros da PDVSA para a melhoria das condições de vida da população, da população pobre, em detrimento, salve ele!, de suas elites alienadas e forâneas, em detrimento dos poderosos, inclusive dos poderosos empresários da mídia, em prejuízo inclusive de uma corporativismo sindical corrupto.

Cedo, Chávez compreendeu a importância da união cooperativa dos Estados latino-americanos, o que sempre irritou as metrópoles. Daí a tentativa de desmoralizar seu bolivarianismo. Estreitou as relações econômicas com a Argentina (que socorreu com a compra de seus títulos desvalorizados), ajudou Cuba e diversos pequenos países do Caribe (fornecendo petróleo subsidiado), cooperou com a Bolívia e o Equador. Promoveu aproximação sem precedentes entre a Venezuela e o Brasil (com FHC, com Lula, com Dilma), cujos efeitos econômicos a burguesia indígena, se tivesse um mínimo de autonomia ideológica, saberia reconhecer. Mas ao contrário, combateu o quanto pôde o ingresso da Venezuela no Mercosul, projeto sabidamente do interesse da região e do Brasil.

Não, não fez a revolução social, mas governou tendo sempre em vista a emancipação econômica da Venezuela e a melhoria da qualidade de vida de sua gente, propostas inaceitáveis pela direita (defesa do país e promoção dos interesses dos pobres), eis as razões de seus conflitos com os EUA e a oposição dos poderosos internos. Uma oposição de ódio, ódio de classe, ódio étnico, ódios hepáticos e ódio puro ódio. Mas eis, igualmente, a razão de suas sucessivas vitórias e a esperança de que o semeado frutificará, regado que é pelo apoio popular.

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POR: 15.03.2013 09:54
O legado de Hugo Chávez para a América Latina
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Apoiador de Chávez, com um boneco do líder nas mãos, acena ao chegar para o velório em Caracas, na quinta-feira 14. Foto: Ronaldo Schemidt / AFP
Em 14 anos promoveu 17 eleições (a 18ª travar-se-á no dia 14 de abril ainda em torno de sua legenda) e ganhou nada menos de 16! Mas é um ‘ditador’, diz o Departamento de Estado dos EUA e o repetem nossos jornalões, reproduzindo suas matrizes ideológicas.

Convocou por plebiscito uma Constituinte autônoma e a confirmou em referendo. Nossa democracia, vencida com tanta dor a ditadura (cujos crimes só agora começam a ser oficialmente apurados!), teve de se conformar com um Congresso ordinário (inchado até com senadores biônicos) autoinvestido de poderes constituintes.

A Constituição da ‘ditadura’ chavista – caminhando para a democracia direta –, incorpora avanços impensáveis ainda hoje no Brasil. Além da iniciativa popular legislativa, do plebiscito e do referendo (consultivo, revocatório, aprovatório e abrogatório), introduziu a revogação de mandatos, inclusive o do presidente. Chávez, ainda, inovou, ao submeter seu mandato a referendo (2004).

Mas, asseveram os comentaristas, o ‘regime chavista’ era (e prossegue sendo com Maduro) uma ‘ditadura’. Democracia mesmo, bem esta é a do grande ‘irmão do Norte’, onde Al Gore ganha as eleições no voto e quem toma posse é Bush…

No Brasil democrático, a ‘Constituição cidadã’ do Dr. Ulysses foi contestada desde o primeiro dia pelos seus avanços sociais, tarefa a que se devotaram Sarney, Collor e FHC, em nome da chamada governabilidade. Hoje, é um texto sem caráter, colcha de retalhos, mutilada por 71 emendas (e outro tanto em andamento…) que derrogaram a maior parte das conquistas sociais e os dispositivos que protegiam o interesse nacional. O que sobrou de avanço, sofre a condenação da direita, ecoada pela grande imprensa. Bom exemplo é a impossibilidade de cumprir a ordem do art. 220 da CF (aquele que regula os meios de comunicação de massa).

Acostumados com a leniência de nossos governos, dos partidos, do Legislativo e do Judiciário – todos acovardados diante do monopólio da informação – os grandes meios dizem que Chávez era um ditador porque enfrentou o que não ousamos enfrentar aqui: o monopólio da informação manipulada. Lá, os poderosíssimos grupos RCTV e Globovision. Não se informa (ora, informar não é o objetivo da grande imprensa!) que esses grupos de mídia foram instrumento fundamental (e evidentemente inconstitucional e ilegal) no golpe de Estado de 2002, contra Chávez, articulado pela embaixada dos EUA e o grande empresariado venezuelano. Como aqui em 1964, o golpe de lá também foi perpetrado em nome da democracia. Lá, o ‘democrata’ Pedro Carmona, presidente da Federação Venezuelana de Câmaras de Comércio (Fedecámaras), assim que instalado no Miraflores, atribuiu a si mesmo poderes extraordinários para determinar a dissolução da Assembleia e o recesso do Judiciário e da Procuradoria…

Seria esse o regime que prometia livrar a Venezuela da ‘ditadura chavista’. A diferença entre o nosso longevo golpe de 1964 e o venezuelano de 2002 é que lá o povo reagiu e depôs os golpistas. O resto é história contada e sabida.

No Brasil, a direita – e ela é a mesma aqui, ali e acolá –, responde com arreganhos a toda e qualquer iniciativa, seja mesmo puramente acadêmica, teórica, de democratização dos meios de comunicação, oligopolizados do ponto de vista empresarial e monopolizados do ponto de vista ideológico. Hoje um poder acima do Estado, e da Constituição, irresponsável porque inimputável, poder que ninguém ousa controlar. Pois uma das exigências da democracia é o encontro da liberdade com a responsabilidade. Uma não pode ser maior do que a outra.

Não se quer muito. Agora mesmo, no México, o governo festejadamente democrático de Peña Nieto criou um Instituto Federal de Telecomunicações com poderes para regular a concorrência nos mercados de telefonia e radiodifusão. Terá sido acometido de algum vírus chavista? Se essa regulação caminhar no sentido da democratização, o alvo poderá vir a ser o Grupo Televisa, que detém 70% da audiência mexicana. Nessa hipótese de ‘mau exemplo’, o México continuará sendo considerado uma democracia?

O merecido conceito brasileiro de democracia representativa estável resistiria, na voz dos monopólios, a qualquer tentativa de democratização dos meios de comunicação de massa?

Fala-se, agora, que Maduro, indicado vice na forma da Constituição venezuelana, não poderia permanecer no cargo após a morte do titular. No Brasil, o colégio eleitoral (que substituiria o povo no direito de eleger o presidente), elegeu Tancredo, e, com sua morte, o Congresso, passando por cima do presidente da Câmara dos Deputados, deu posse ao vice-presidente José Sarney (também e não por acaso ex-presidente do partido da ditadura, é impossível deixar de lembrar).

A história da Constituinte condicionada e da posse do vice no lugar do presidente morto antes de seu juramento no Congresso e de instalar-se no Planalto, remonta a negociações de próceres do PMDB com os militares que teriam dado origem a compromissos para assegurar a transição do poder militar para o poder civil, monitorado por aquele. Um dos compromissos teria sido o da convocação de um congresso constituinte, em vez de uma Constituinte autônoma; outro, inimputabilidade dos crimes da ditadura.

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“Chavismo será diferente sem Chávez”, diz analista
Maduro e Capriles abrem disputa para eleições na Venezuela
Notável reformador

Não nos enganemos. A direita, no Brasil e no mundo, jamais teve apreço pela democracia, embora alegue sua defesa sempre que promove golpes-de-Estado. As razões para a guerra midiática antichavista são objetivas: a Venezuela possui uma das maiores reservas petrolíferas do mundo, reservas que sobreviverão quando secarem as do Oriente Médio, depredado pelas grandes potências. Em seu rastro, a pobreza de milhões (em contraste com a riqueza obscena de suas classes dominantes) e os milhões de vítimas de um genocídio permanente, sustentado pela fome e pelas guerras impostas pelo imperialismo.

Para as elites venezuelanas, corruptas, pérfidas, o petróleo serviria tão só para o seu enriquecimento e fausto, pois os lucros eram aplicados em Miami, sua verdadeira capital. Quanto mais o país exportava petróleo – e importava tudo porque nada era investido na produção de alimentos ou na industrialização – o povo, as grandes massas, a maioria da população, os mulatos e os mestiços, pobres porque povo mestiço, viviam na pobreza abjeta, sem emprego, sem educação, sem saúde, sem nada porque também sem esperança. Que fez o ‘caudilho’, coronel ‘populista’, ‘demagogo’? Desviou os lucros da PDVSA para a melhoria das condições de vida da população, da população pobre, em detrimento, salve ele!, de suas elites alienadas e forâneas, em detrimento dos poderosos, inclusive dos poderosos empresários da mídia, em prejuízo inclusive de uma corporativismo sindical corrupto.

Cedo, Chávez compreendeu a importância da união cooperativa dos Estados latino-americanos, o que sempre irritou as metrópoles. Daí a tentativa de desmoralizar seu bolivarianismo. Estreitou as relações econômicas com a Argentina (que socorreu com a compra de seus títulos desvalorizados), ajudou Cuba e diversos pequenos países do Caribe (fornecendo petróleo subsidiado), cooperou com a Bolívia e o Equador. Promoveu aproximação sem precedentes entre a Venezuela e o Brasil (com FHC, com Lula, com Dilma), cujos efeitos econômicos a burguesia indígena, se tivesse um mínimo de autonomia ideológica, saberia reconhecer. Mas ao contrário, combateu o quanto pôde o ingresso da Venezuela no Mercosul, projeto sabidamente do interesse da região e do Brasil.

Não, não fez a revolução social, mas governou tendo sempre em vista a emancipação econômica da Venezuela e a melhoria da qualidade de vida de sua gente, propostas inaceitáveis pela direita (defesa do país e promoção dos interesses dos pobres), eis as razões de seus conflitos com os EUA e a oposição dos poderosos internos. Uma oposição de ódio, ódio de classe, ódio étnico, ódios hepáticos e ódio puro ódio. Mas eis, igualmente, a razão de suas sucessivas vitórias e a esperança de que o semeado frutificará, regado que é pelo apoio popular.

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POR: Roberto Amaral - Carta Capital

sexta-feira, 15 de março de 2013

Socialismo e Religião



A sociedade contemporânea baseia-se toda na exploração das enormes massas operárias por uma minoria insignificante da população, pertencente às classes dos proprietários de terras e dos capitalistas. Essa sociedade é escravista, pois os operários “livres”, que trabalham a vida toda para o capital, “têm direito” apenas aos meios de subsistência indispensáveis para sustentá-los como escravos produtores do lucro e para assegurar e perpetuar a escravidão capitalista.

A opressão econômica dos operários gera inevitavelmente todas as formas de opressão política, de humilhação social, de embrutecimento e obscurecimento da vida espiritual e moral das massas. Os operários podem alcançar uma liberdade política maior ou menor para lutar por sua libertação econômica, mas nenhuma liberdade os livrará da miséria, do desemprego e da opressão enquanto não for derrubado o poder do capital. A religião é uma das formas de opressão espiritual que pesa em toda parte sobre as massas esmagadas por seu perpétuo trabalho para outros, pelas privações e pelo isolamento. A impotência das classes exploradas na luta contra os exploradores gera tão inevitavelmente a fé numa vida melhor após a morte como a impotência dos selvagens na luta contra a natureza gera a fé em deuses, diabos, milagres etc. Àquele que toda a vida trabalha e passa necessidades, a religião ensina a resignação e a paciência na vida terrena, consolando-o com a esperança da recompensa celeste. E àqueles que vivem do trabalho alheio, a religião ensina a filantropia na vida terrena, propondo-lhes uma justificação muito barata para sua existência de exploradores e vendendo-lhes a preço módico bilhetes para a felicidade celestial. A religião é o ópio do povo. A religião é uma espécie de aguardente espiritual ruim na qual os escravos do capital afogam sua imagem humana e suas reivindicações de uma vida minimamente digna.

Mas o escravo que se deu conta de sua escravidão e se ergueu para a luta por sua libertação já deixou pela metade de ser escravo. O operário consciente moderno, formado pela grande indústria fabril e esclarecido pela vida urbana, repele com desprezo os preconceitos religiosos e deixa o céu à disposição dos popes e dos carolas burgueses, conquistando uma vida melhor aqui na terra. O proletariado moderno põe-se ao lado do socialismo, que se vale da ciência na luta contra o nevoeiro religioso e liberta os operários da fé na vida após a morte por meio de sua arregimentação para uma verdadeira luta por uma vida terrena melhor.

A religião deve ser declarada um assunto privado — com essas palavras se exprime habitualmente a atitude dos socialistas perante a religião. Mas é preciso definir com exatidão o significado dessas palavras para que elas não causem nenhum mal-entendido. Exigimos que a religião torne-se um assunto privado em relação ao Estado, mas não podemos de modo algum considerar a religião um assunto privado em relação a nosso próprio partido. O Estado não deve manter conúbio com a religião, e as sociedades religiosas não devem ligar-se ao poder estatal. Cada um deve ser absolutamente livre para professar qualquer religião ou para não reconhecer nenhuma, isto é, para ser ateu, o que todo socialista geralmente é. São absolutamente inadmissíveis quaisquer diferenças entre os cidadãos quanto a seus direitos conforme suas crenças religiosas. Deve ser totalmente eliminada até mesmo qualquer referência à religião dos cidadãos em documentos oficiais. Não deve haver qualquer subvenção a uma Igreja estatal nem qualquer pagamento de somas do Estado a sociedades eclesiásticas e religiosas, que devem tornar-se associações de cidadãos correligionários absolutamente livres e independentes das autoridades. Só a satisfação plena dessas reivindicações pode acabar com aquele passado vergonhoso e maldito em que a Igreja se encontrava numa dependência servil em relação ao Estado e em que os cidadãos russos se encontravam numa dependência servil em relação à Igreja estatal, em que existiam e eram aplicadas leis medievais e inquisitoriais (que ainda hoje permanecem nos nossos códigos e regulamentos penais) que perseguiam pessoas pela sua fé ou descrença, que violavam a consciência do indivíduo e que vinculavam sinecuras e rendimentos públicos à distribuição de uma ou outra “drogas” pela Igreja estatal. Completa separação entre Igreja e Estado — eis a reivindicação que o proletariado socialista apresenta ao Estado e à Igreja atuais.

A revolução russa deve realizar essa reivindicação como um componente indispensável da liberdade política. Nesse aspecto, a revolução russa situa-se em condições particularmente vantajosas, pois o abominável burocratismo da autocracia policial-feudal causou descontentamento, agitação e indignação até mesmo entre o clero. Por mais embrutecido, por mais ignorante que fosse o clero ortodoxo russo, até ele foi agora acordado pelo estrondo da queda da velha ordem medieval na Rússia. Até ele adere à reivindicação de liberdade, protesta contra o burocratismo e a arbitrariedade dos funcionários públicos e contra a fiscalização policial imposta aos “servos de Deus”. Nós, socialistas, devemos apoiar esse movimento, levando a cabo as reivindicações dos membros honestos e sinceros do clero, cumprindo as promessas de liberdade que lhes fizemos e exigindo deles que rompam decididamente todos os laços entre a religião e a polícia. Ou vocês são sinceros, e então devem defender a completa separação entre Igreja e Estado, entre escola e Igreja, e a completa e incondicional declaração da religião como um assunto privado; ou vocês não aceitam essas consequentes reivindicações de liberdade, e então quer dizer que ainda são prisioneiros das tradições da Inquisição, então quer dizer que ainda se encostam às sinecuras e rendimentos públicos, então quer dizer que vocês não acreditam na força espiritual de sua arma, continuam a extorquir o poder estatal – então os operários conscientes de toda a Rússia declarar-lhes-ão uma guerra implacável.

Em relação ao partido do proletariado socialista, a religião não é um assunto privado. Nosso partido é uma associação de combatentes conscientes e de vanguarda pela libertação da classe operária. Essa associação não pode nem deve ser indiferente à inconsciência, à ignorância ou ao obscurantismo das crenças religiosas. Reivindicamos a completa separação entre Igreja e Estado para lutar contra o nevoeiro religioso com armas tão-somente ideológicas, com nossa imprensa e com nossa voz. Mas nós fundamos nosso partido, o POSDR, entre outras coisas, precisamente para essa luta contra o entontecimento religioso dos operários. E para nós a luta ideológica não é um assunto privado, mas um assunto de todo o partido e de todo o proletariado.

Se é assim, por que não declaramos em nosso programa que somos ateus? Por que não proibimos os cristãos e os que acreditam em Deus de entrar em nosso partido? A resposta a essa pergunta deve esclarecer a importantíssima diferença entre a maneira democrático-burguesa e a social-democrata de colocar a questão da religião.

Nosso programa baseia-se todo numa concepção científica, a saber, materialista do mundo. Por isso, o esclarecimento de nosso programa necessariamente inclui também o esclarecimento das verdadeiras raízes históricas e econômicas do nevoeiro religioso. Nossa propaganda também inclui necessariamente a propaganda do ateísmo; a edição da literatura científica correspondente, que o poder estatal autocrático-feudal rigorosamente proibia e perseguia até agora, deve atualmente constituir um dos ramos de nosso trabalho partidário. Teremos agora, provavelmente, de seguir o conselho que Engels deu certa vez aos socialistas alemães: traduzir e difundir maciçamente a literatura iluminista e ateísta francesa do século XVIII.

Mas ao fazê-lo jamais devemos cair no modo abstrato e idealista de colocar a questão religiosa “a partir da razão”, fora da luta de classes, como não raro é feito pelos democratas radicais da burguesia. Seria um absurdo pensar que, numa sociedade baseada na opressão e no embrutecimento infindáveis das massas operárias, pode-se dissipar os preconceitos religiosos unicamente por meio da propaganda. Seria estreiteza burguesa esquecer que o jugo da religião sobre a humanidade é apenas produto e reflexo do jugo econômico que existe dentro da sociedade. Nenhum livrete ou propaganda pode esclarecer o proletariado se sua própria luta contra as forças obscuras do capitalismo não o esclarecer. A unidade dessa luta realmente revolucionária da classe oprimida pela criação do paraíso na terra é mais importante para nós do que a unidade de opiniões dos proletários sobre o paraíso no céu.

Eis por que não declaramos nem devemos declarar nosso ateísmo em nosso programa; eis por que não proibimos nem devemos proibir aos proletários que conservaram vestígios dos velhos preconceitos de aproximar-se de nosso partido. Sempre pregaremos a concepção científica do mundo, e é indispensável que lutemos contra a incoerência dos “cristãos”, mas isso não significa de modo algum que se deva pôr a questão religiosa em primeiro lugar, o qual de maneira alguma lhe pertence, nem que se deva permitir a dispersão das forças da luta econômica e política realmente revolucionária por causa de opiniões ou delírios insignificantes que perdem rapidamente todo significado político e são rapidamente jogados no ferro-velho pelo próprio curso do desenvolvimento econômico.

Em toda parte a burguesia reacionária inquietou-se e começa agora também em nosso país a buscar atiçar a hostilidade religiosa, a fim de desviar para ela a atenção das massas voltadas às questões econômicas e políticas realmente importantes e fundamentais, as quais o proletariado de toda a Rússia, praticamente unido em sua luta revolucionária, está agora resolvendo. Essa política reacionária de dispersão das forças proletárias, que hoje se manifesta principalmente nos pogroms das Centúrias Negras, talvez pense amanhã em outras formas mais refinadas. Nós, em todo caso, opor-lhe-emos uma propaganda tranquila, sóbria e paciente da solidariedade proletária e da concepção científica do mundo, livre de todo atiçamento de divergências secundárias.

O proletariado revolucionário conseguirá tornar a religião um assunto realmente privado para o Estado, e nesse regime político depurado do bolor medieval, travará uma luta forte e aberta pela eliminação da escravidão econômica, verdadeira fonte do entontecimento religioso da humanidade.

POR: Vladimir Lênin

Ensaio Sobre a Cegueira



"...Jovens sem nenhuma utopia
Caminham tensos pelas ruas de suas casas velhas
Sem nenhuma luz, sem nenhuma luz de Fernando Pessoa
Fechados nas sexuais telas da impotência
Se masturbam contemplando corpos em decomposição!
Morte da minha fé,
Onde estavam o beija-flor e o arco-íris
Na hora do nascimento dessas criaturas
Quantas gotas de flor restam nos corredores dos céus
De vossas bocas.
Quais fontes clamam por vossos nomes?
Eu entrando na virtuosa idade
E eles entrando em idade nenhuma.
Os filhos da morte burra
Cheiram o branco pó da anemia
Esqueceram que um dia tocaram na poesia da
Transgressão em pleno ventre de suas esquecidas mães
Esqueceram de colar o ouvido ao chão
Para ouvir as ternas batidas do coração das borboletas.
Os filhos da morte burra
Jamais levantam uma folha para conhecer o labor dos incertos
Jamais erguem taças ao luar para brindar a
Vigorosa lua
Os filhos da morte burra,
Desconhecem ou jamais ouviram falar em iluminação
Apenas abrem a boca para vomitar

E não confundir
Ódio com diversão, medo com paz!
E não confundir ódio com diversão
Afinal não estamos sós!"

Ensaio Sobre a Cegueira - Detonautas

sexta-feira, 8 de março de 2013

8 de Março: Um dia que vai alem da comemoração




No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Objetivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.


Conquistas das Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.


Marcos das Conquistas das Mulheres na História

- 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.
- 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.
- 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
- 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.
- 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.
- 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas
- 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres
- 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.
- 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças
- 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina
- 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres

FONTE: http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher.htm

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Un bombero aborta el desahucio de una octogenaria en A Coruña

El agente se ha negado a abrir la puerta para echar a una anciana que se retrasó un mes en el alquiler

Un agente de Bomberos y la movilización ciudadana ha abortado el desahucio de una mujer de 85 años a la que iban a sacar de su casa en A Coruña por el supuesto impago de un mes de alquiler.

Numerosas personas estaban protestando ante el número 9 de la calle Padre Feijoo de A Coruña para impedir el desalojo de la anciana, Aurelia Rey, que reside en un noveno piso sin ascensor y que paga 126 euros de alquiler mensuales con una pensión de 356 euros.

En 1999 pagó con retraso una de las mensualidades, una situación que volvió a repetirse en marzo de 2011, lo que motivó la apertura del proceso judicial de desahucio por impago, según Stop Desahucios.

Uno de los bomberos que debían abrir la finca, al conocer la situación, se ha negado a participar en el desalojo y ha regresado al coche colgando un cartel de la coordinadora antidesahucios. Acto seguido se han marchado.

La comisión judicial se ha ido del lugar tras un primer intento, pero han regresado al cabo de un tiempo.

La calle Padre Feijoo está situada en el centro de la ciudad de A Coruña y permanece cortada al tráfico. Hasta el lugar se han desplazado cinco furgones de la Policía Nacional, pero también hay agentes de la Policía Local.


FONTE:http://www.elperiodico.com/es/noticias/sociedad/bombero-aborta-desahucio-una-octogenaria-coruna-2321267

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Com a Presidente Dilma, Teotônio inaugura Canal do Sertão em 11 de março de 2013


Teotônio, disse numa alfinetada ao senador Collor(PTB),quando eu assumi o governo, havia apenas um quilômetro construído.



Confirmado, o que o blog Bernardino, divulgou:com a presidenta Dilma Rousseff, o governador Teotonio Vilela em rede social informou, "vamos inaugurar dia 11 de março os primeiros 65 km do Canal do Sertão."

Segunjdo ele, a maior obra hídrica do Nordeste nos últimos 20 anos. Uma das principais obras estruturantes do nosso governo, o Canal se estenderá por 250 km ao longo de 42 municípios, beneficiando mais de um milhão de cidadãos alagoanos.

O início da operação do Canal do Sertão, nesses 65 quilometros, permite a distribuição de água ao longo dos municípios de Delmiro Gouveia, Pariconha e Água Branca, já na divisa com Olho D’Água do Casado.

Ele adiantou,já garantimos junto ao Ministério da Itegração, recursos para a execução da primeira etapa do terceiro trecho, até o km 77,8, cujas obras já têm mais de 20% executadas. O Estado já licitou e contratou as obras até o km 150.

Teotonio, disse numa alfinetada ao senador Collor(PTB),quando eu assumi o governo, havia apenas um quilômetro construído.

Mais adiante, disse ele, nos últimos seis anos, conseguimos chegar aos 65 quilômetros e vamos brevemente fazer a terceira etapa desse projeto, já iniciada, alcançando cerca de 100 quilômetros do Canal do Sertão.

Acrescentou ainda, afirmando, que mais de 1,6 mil trabalhadores seguem atuando na construção do Canal do Sertão em Alagoas.

Vilela afirmou, as obras avançam agora pelo terceiro trecho.O início da operação do Canal do Sertão, nesses 65 quilometros, permite a distribuição de água ao longo dos municípios de Delmiro Gouveia, Pariconha e Água Branca, já na divisa com Olho D’Água do Casado.

E por fim, anunciou Teotonio Vilela,O nosso governo, através da Secretaria de Estado da Infraestrutura, se prepara também para licitar a obra de integração do Canal com o sistema adutor do Alto Sertão.

FONTE: http://cadaminuto.com.br/noticia/2013/02/10/com-a-presidente-dilma-teotonio-inaugura-canal-do-sertao-11-de-marco

domingo, 10 de fevereiro de 2013

PT: 33 anos fazendo história


Lá se vão os anos. Revivendo nosso momento de fundação – comemorado no próximo domingo, dia 10 de fevereiro – me dou conta de que os fatos da atualidade atropelaram os sonhos do passado. O Brasil, da década de 80, ano da nossa consolidação, não existe mais. Hoje, somos outro País, com democracia, liberdade, avanços econômicos e menos desigualdades.
Se naquela época fazíamos panfletos em mimeógrafos para dizer “Fora FMI”, hoje disparamos e-mails e postamos no Facebook nosso apreço e auxílio às nações vizinhas. As resoluções partidárias que antes eram enviadas pelo Correio deram lugar às postagens em blogs e sites. Se falávamos em inflação, aumento do déficit público e crescimento da dívida externa e interna – hoje, no Twitter, festejamos patamares de primeiro mundo em no máximo 140 caracteres.
Trinta e três anos se passaram. Nesse tempo elegemos, além do primeiro operário presidente, a primeira mulher presidenta, deputados estaduais, federais, senadores, prefeitos e vereadores. Muitos se foram, outros se perderam pelo caminho, oportunistas e aventureiros se aproximaram, e o PT se transformou em experiência de luta, organização política dos trabalhadores e modelo para outros países.
O Brasil foi mudando e nós do PT também. Não abandonamos nossos sonhos de um mundo igualitário, possível, com inclusão social, sustentabilidade econômica, social e ambiental, mas optamos pelo caminho da união com alguns setores até conservadores, para poder fazer as mudanças que tanto o Brasil almejava.
A partir de metas ousadas, tiramos cerca de 40 milhões de brasileiros da miséria. Soubemos aliar equilíbrio financeiro com ampliação da oferta de serviços públicos à população e, ao mesmo tempo, colocamos em prática uma política de investimentos que tirou do discurso o potencial econômico do país sem descuidar do respeito ao meio ambiente. O Brasil não é mais o país do futuro, ele é o país do presente.
São mais de três décadas fazendo história. E não há quem faça história sem percalços, sem erros. Sabemos que ela muitas vezes não se justifica, mas está escrita para ser pensada e avaliada, como estamos fazendo agora com o PT.
Que continuemos ousados e radicais, na busca pela democracia como valor universal e na incessante luta contra a pobreza. Valeu ousar. Valeu ter feito. Temos que festejar intensamente esses 33 anos de muitas lutas e conquistas.

POR:Liliane Melo(militante-Ipatinga MG)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A peculiaridade brasileira

Nos seus derradeiros momentos como senador, Fernando Henrique Cardoso andava pelos corredores do Congresso acompanhado por Norberto Bobbio. Digo, carregava um ensaio do pensador italiano, a analisar um assunto veementemente provocado pela queda do Muro de Berlim: ainda vale falar de direita e esquerda?

A direita mundo afora decretava o fim das ideologias, -enquanto a esquerda mostrava-se reticente. Bobbio entrou em cena e afirmou: nada disso, a dicotomia não se apaga, seria como pretender negar o bem e o mal, a luz e a sombra, a verdade e a mentira. E a verdade, no caso, é outra.

A tese de Bobbio pode ser resumida na seguinte ideia: é automática e naturalmente de esquerda quem se preocupa com os destinos dos desvalidos do mundo e se empenha pela igualdade. Recordam? Liberdade, igualdade, fraternidade. A liberdade por si só não basta à democracia, a igualdade é fundamental. Quanto à fraternidade talvez seja admissível substituí-la pela solidariedade.

A julgar pelo desvelo de ponta de dedos com que FHC carregava o livrinho (ia escrever, sobraçava, mas a obra é de porte modesto) me entreguei à suposição de que o futuro presidente da República rendia-se de bom grado aos argumentos do autor, a confirmar crenças pregressas. No entanto, pouco tempo após, soletraria: esqueçam o que eu disse.

À sombra de FHC presidente, o PSDB tornou-se um partido de direita. Em lugar de abrandá-las, acentuou as disparidades ao aderir à religião neoliberal e sujeitar-se às vontades e interesses do Tio Sam. Sem contar a bandalheira da privataria, a compra dos votos a favor da reeleição e o “mensalão” tucano.

Ao entrevistar o presidente Lula no fim de 2005, pergunto se ele é de esquerda, responde nunca ter sido. “Você sabe disso”, diz, ao recordar os velhos tempos em que nos conhecemos, já faz 36 anos. Jogo na mesa a carta de Norberto Bobbio, observo: “Você sempre lutou a favor da igualdade”.

Deste ponto de vista, há toda uma orientação esquerdista nas políticas sociais implementadas pelo governo Lula e hoje fortalecidas por Dilma Rousseff. E é de esquerda em mais de um aspecto a política econômica do governo atual, mais ousada do que a do anterior ao se desvencilhar das injunções neoliberais.

Nada irrita e assusta mais a direita brasileira do que qualquer tentativa de demolir de vez a senzala. É o que me permito explicar ao correspondente de um jornal americano, perplexo diante dos comportamentos da mídia nativa, sempre alinhada de um lado só. Digo: ela é o instrumento da casa-grande. O estupor do colega do Hemisfério Norte não arrefece: “Mas os governos Lula e Dilma produziram bons resultados para todos, senhores incluídos…”

Defronto-me, de súbito, com a dificuldade de aclarar uma situação incompreensível aos olhos do semelhante civilizado, capaz de usar, para medi-la, o metro próprio da contemporaneidade do mundo. E aos meus condoídos botões segredo: difícil, difícil mesmo, talvez impossível, trazer à luz da atualidade este cenário tão peculiar, de um país que viveu três séculos e meio de escravidão e que, de certa forma, ainda não digeriu o seu passado.

O jornalista americano arregala os olhos: “Mas como é possível que Dilma Rousseff tenha índices de aprovação elevadíssimos e sofra ao mesmo tempo o ataque maciço da mídia?” A presidenta, respondo, pretende erradicar a miséria… Logo percebo que a peculiaridade verde-amarela envolve o próprio governo. Há momentos em que Dilma parece isolada. Solitária. Ela é obrigada à aliança com o PMDB para garantir a maioria em um Congresso inconfiável e a postura do próprio PT é, no mínimo, dúbia. Falta ao Brasil desta hora um verdadeiro partido social-democrático, esquerdista no sentido de Norberto Bobbio.

FONTE:http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-peculiaridade-brasileira/

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Os estudantes da USP e a criminalização dos Movimentos Sociais


Em 2 de Novembro de 2011, 72 estudantes ocuparam a reitoria da Universidade de São Paulo (USP), em protesto contra o convênio feito entre o governo estadual e a Polícia Militar, que instituía o controle do campus da USP por membros de uma das forças de opressão mais agressivas do mundo, responsável por uma série de crimes e violações contra os direitos mais básicos dos cidadãos. Utilizou-se como argumento que o acordo tinha por finalidade a segurança das pessoas que circulavam pelo local.

O convênio foi firmado sem a devida consulta à comunidade universitária. Foi uma atitude típica de governos burgueses, que veem a política como propriedade privada dos políticos profissionais e tentam afastar a população dos centros de decisão. E é assim que o governo do senhor Geraldo Alckmin tem agido. O autoritarismo e as ações fascistas são marcas de sua gestão. Não bastasse o totalitarismo natural das leis burguesas, que criminalizam e perseguem qualquer indivíduo ou grupo de pessoas que desafiem minimamente a ordem vigente, os paulistas também precisam suportar os abusos do Mussolini tupiniquim, que conta com apoio e proteção de uma justiça corrupta e distante dos interesses sociais.

O caso da USP também revelou mais uma vez o real papel da mídia corporativa, que em seus jornais e telejornais defendeu abertamente a invasão da reitoria pela polícia e promoveu a difamação dos jovens que lá estavam, lutando pelos seus direitos, os taxando como meros delinquentes e bandidos. A maior parte da população, que simplesmente absorve a notícia sem qualquer reflexão, mas uma vez foi enganada pelo trabalho sujo da oligarquia midiática.

Os estudantes permaneceram na reitoria por seis dias, até que uma operação da polícia fascista, que reuniu cerca de 400 policiais da Tropa de Choque e Cavalaria, invadiu o local no fim da madrugada. É interessante notar a ironia da história. A polícia, que supostamente seria integrada ao campus para fazer a segurança, estava sendo utilizada para agredir estudantes que, segundo o convênio, ela deveria proteger.

Esta semana, menos de um ano e três meses depois da ação, a promotora Eliana Passarelli, do Ministério Público de São Paulo, anunciou que irá denunciar os 72 estudantes por pichação, danos ao patrimônio público, desobediência judicial e, atentem bem para o absurdo, formação de quadrilha. Segundo os alunos, foi a própria polícia que, durante a invasão, depredou o imóvel. Mas independente de quem foi o responsável, o maior absurdo dessa situação é o processo por formação de quadrilha. Não haviam bandidos naquele local. Todos eram alunos envolvidos em um protesto político. Leis de interpretação subjetiva, como essa, servem para isso, criminalizar movimentos que, de alguma forma, desagrade os burocratas agentes da burguesia.

Não há segurança nenhuma em um país onde uma lei, supostamente criada para proteger os cidadãos de grupos criminosos, pode ser utilizada para reprimir movimentos políticos. A própria declaração da promotora, ao falar sobre as bombas caseiras encontradas pela polícia (os estudantes negam ter produzido os artefatos), deixa claro que nossa justiça está tomada por pessoas ligadas aos setores mais conservadores da sociedade. Segundo a promotora: "os apetrechos estavam todos montados para ser usados a qualquer momento". "Então não dá para dizer que nós estamos lidando com estudantes, nós estamos lidando com bandidos".

O Diretório Central dos Estudantes, por meio de nota, repudiou a declaração de Passarelli. O DCE está articulando, com movimentos sociais e sindicatos, manifestações em protesto contra os abusos da justiça de São Paulo. Os representantes do DCE afirmam que a medida da justiça é um ataque aos movimentos estudantil e social. “Isso abre precedente para qualquer tipo de criminalização do movimento social no país. Nós sabemos a representatividade da USP”, disse a representante do DCE Ariele Moreira. “Já entramos em contato com o Conlutas (Central Sindical e Popular), tanto para dar assistência jurídica, quanto para, por meio de seus sindicatos, como o dos metroviários, fazermos uma campanha bem ampla com relação a esse tema”.

Há em São Paulo uma clara aliança entre executivo, legislativo e judiciário para reprimir a população. A mídia tem, como sempre, apoiado toda essa situação. Não é possível impedir que fascistas pratiquem o fascismo, mas é sim possível lutar contra tudo isso. Os movimentos populares devem reagir imediatamente a esses abusos. Porque, ao contrário do que diz o jargão burguês, com o objetivo de manter o povo paralisado, decisão da justiça se discute sim. Aliás, não só se discute, como também se desobedece, caso atente contra os direitos políticos e sociais. Não se deve obedecer leis injustas.

Deixo abaixo a nota de repúdio do Diretório Central de Estudantes da USP:

São Paulo, 05 de fevereiro de 2013
O DCE-Livre da USP vem a público repudiar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo à Justiça no dia 5 de fevereiro, que acusa os 72 estudantes, que foram detidos durante a violenta reintegração de posse do prédio da reitoria em 2011, de danos ao patrimônio público, pichação, desobediência judicial e formação de quadrilha.
Além disso, também repudia as declarações da promotora Eliana Passarelli, autora da denúncia, à imprensa que chama os estudantes de bandidos e criminosos.
Na nossa opinião, a intenção de criminalizar esses estudantes é um ataque ao movimento estudantil e aos movimentos sociais de conjunto, que possuem o direito democrático de livre expressão e manifestação.
Um dos principais problemas existentes hoje na USP é a falta de democracia na gestão da universidade, expressa hoje pelo atual reitor João Grandino Rodas. O convênio assinado com a polícia militar não foi em nenhum momento debatido junto à comunidade universitária e não solucionou o problema da falta de segurança que até hoje permanece dentro da Cidade Universitária.
Por isso, em setembro de 2012, o DCE-Livre da USP realizou um ato público na Faculdade de Direito da USP contra a criminalização dos estudantes e em defesa da democratização da universidade, que contou com a presença do senador Eduardo Suplicy, do deputado estadual Carlos Gianazzi e do jurista Fábio Konder Comparato, além de diversos movimentos sociais.
Lutar por democracia e diálogo não é crime. O DCE-Livre da USP se posiciona contrário a qualquer tipo de punição a esses estudantes e convoca os demais alunos a seguirem na luta pela democratização da universidade.
DCE-Livre da USP – Gestão Não Vou Me Adaptar


POR:Carlos Everardo Silva

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Chapa Levantando a Base vence eleição do DCE Unifal MG

























O dia 5 de Fevereiro foi marcado na Unifal MG pela eleição do Diretório Central da Unifal MG. Durante todo o dia os alunos da Unifal MG puderam votar na eleição nos quatro campus(Alfenas-centro, Alfenas-Santa Clara, Poços de Caldas e Varginha) da Unifal MG. Vale elogiar a presença do estudante votante, foram mais de mil estudantes que votaram, um recorde na História da Unifal.
A votação foi tranquila de um modo geral em todos os campus com um ou outro incidente irrelevante no campus de Poços de Caldas.
A disputa era entre duas chapas a "Levantando a Base" e a "Construção Coletiva". No ano anterior(2012) ambas as chapas compunha o DCE da Unifal MG com o nome de chapa "Voz Ativa".
Ouve um racha e algumas pessoas não contentes com atitudes de determinados membros da "Voz Ativa" rompe e monta a "Levantando a Base" e os outros monta a "Construção Coletiva".
No resultado final a Chapa "Levantando a Base" vence a eleição.



















Resultado da eleição DCE Unifal MG 2013

ALFENAS-
Total de votos: 664
Chapa Construção Coletiva: 187
Chapa Levantando a Base: 470
Brancos e Nulos: 7

VARGINHA -
Total de votos: 267
Chapa Construção Coletiva: 253
Chapa Levantando a Base: 11
Branco e Nulos: 3

POÇOS DE CALDAS -
Total de votos: 236
Chapa Construção Coletiva: 44
Chapa Levantando a Base: 189
Branco e Nulos: 3

SOMA TOTAL DAS CHAPAS -
Construção Coletiva: 484
Levantando a base: 670
Brancos e Nulos: 13


Chapa Levantando a Base Unifal MG.Campus-Alfenas (Alguns membros e alguns apoiadores)






Chapa Levantando a Base Unifal MG.Campus-Poços de Caldas