quinta-feira, 30 de junho de 2011

Grécia enfrenta novos protestos em dia de decisão sobre medidas econômicas

Manifestantes e policiais se enfrentaram nesta quarta-feira (29) em Atenas (Grécia), no segundo dia da greve geral. O movimento foi convocado em protesto contra o pacote de medidas econômicas imposto para que o país receba ajuda e saia da crise. O Parlamento deve votar hoje o pacote, que inclui cortes de gastos e de salários e aumentos de impostos.

Os serviços públicos continuam paralisados: os transportes, com exceção do metrô da capital, estão inativos – ônibus, bondes e trens não estão circulando e os controladores de vôo pararam entre 8h e meio-dia (2h e 6h em Brasília) e vão parar de novo entre 18h e 22h (meio dia e 16h em Brasília), segundo o diário grego Kathimerini.

O centro da capital grega apresenta um aspecto de devastação: os serviços municipais de limpeza, também em greve, não recolheram os destroços deixados pelos confrontos de ontem (28). O cheiro de queimado ainda infesta a cidade, vitrines foram destruídas e pedras estão espalhadas por todo o centro.

Hoje, a polícia de choque usou gás lacrimogêneo para dispersar o protesto ao redor do Parlamento - os manifestantes tentavam bloquear as entradas. Milhares de policiais formaram um corredor de isolamento para proteger o edifício do Parlamento e garantir a segurança para os deputados. Mesmo assim, a sessão começou com atraso devido à dificuldade que eles tiveram para chegar ao local.Em meio aos protestos, dois manifestantes que barravam a entrada do Parlamento ficaram feridos na ação policial. Outras equipes policiais foram posicionadas em pontos próximos do edifício.

Votação

A votação de hoje sobre o pacote econômico é crucial para que Grécia possa continuar recebendo ajuda financeira da UE (União Europeia) e do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Com o pacote, o governo grego espera arrecadar R$ 177 bilhões (78 bilhões de euros) até 2015 para reduzir o endividamento do país. A situação da economia da Grécia preocupa porque, segundo analistas, pode espalhar a crise pelo resto da Europa – que também enfrenta dificuldades econômicas.

Sem o pacote, o país corre o risco de dar calote em suas dívidas, o que seria um choque para a economia européia e pode piorar a situação de países fragilizados como Irlanda, Itália e Portugal - que já está em recessão. O Reino Unido, por exemplo, já anunciou cortes de gastos e a Espanha - onde o desemprego chega a 20% - também já enfrenta manifestações.

O primeiro-ministro, George Papandreou, e o novo ministro das Finanças do país, Vangelis Venizelos, pediram aos 155 deputados de seu partido, Pasok (de esquerda), a assumir “seu dever patriótico” e apoiar essas medidas, que são “dolorosas, mas necessárias”. A oposição, no entanto, já declarou em bloco que não apoiará o governo. O Parlamento tem 300 deputados.

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